7.9.06

Timor-Leste: Um ferido e mais casas queimadas em mais uma noite agitada

Díli, 06 Set (Lusa) - Grupos rivais envolveram-se hoje em confrontos em Díli, de que resultaram pelo menos um ferido, várias casas queimadas e um carro carbonizado, disseram várias fontes à Lusa.
Num dos locais em que foram referenciados incidentes, e que motivaram a presença de efectivos da GNR, junto ao Hospital Nacional Guido Valadares, os militares portugueses depararam com quatro casas queimadas e uma viatura carboniza da, disse à Lusa o tenente Paulo Cabrita, oficial de ligação do contingente mili tar português.
O número de casas queimadas poderá, contudo, ser superior, estando a de correr investigações no local, acrescentou.
No decurso da operação, um homem, apresentando ferimentos resultantes d e uma catanada, foi assistido pela equipa médica do Instituto Nacional de Emergê ncia Médica (INEM) que integra o contingente da GNR estacionado em Timor-Leste.
Os militares portugueses efectuaram ainda uma detenção, presumivelmente o autor da agressão com a catana, que está a ser ouvido para se apurar se agiu ou não em legítima defesa, procurando proteger os seus bens.
Noutro ponto da cidade, no centro de Díli, junto ao campo de refugiados situado entre o porto da capital e o Hotel Timor, militares australianos foram chamados a intervir para separar grupos rivais, para o que empregaram granadas d e gás lacrimogéneo, mas não há registo de detenções ou de feridos.
Um cidadão português que passou no local, ao volante da sua viatura, durante os confrontos, disse à Lusa que "um número indeterminado de carros foram a pedrejados".
O carro deste cidadão português ficou seriamente danificado em resultad o das pedradas com que foi atingido.A violência em Timor-Leste iniciou-se em Abril passado e levou as autor idades a pedirem à Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal o envio de forças militares e policiais para garantir a manutenção da ordem pública.Cerca de 180 mil deslocados distribuídos por campos de refugiados e 30 mortos é o saldo até agora da onda de violência desde Abril.
EL.
Lusa/Fim

Rádio Renascença

Timor-Leste: Mais incidentes na capital


As forças de segurança internacionais tiveram de recorrer a gás lacrimogéneo para controlar um grupo de jovens que lançou cocktails molotov e incendiou várias casas e viaturas.

06/09/2006


António Caleras






















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(15:46) Pelo menos 11 pessoas ficaram feridas nestes incidentes num campo de refugiados no centro da capital, incluindo dois polícias australianos que foram transportados para um hospital militar.

Os civis encontram-se no Hospital Guido Valares, como confirmou à Renascença o director António Caleras.

De acordo com o comandante da polícia das Nações Unidas em Timor, antes da chegada das forças de segurança os jovens queimaram, pelo menos, oito casas e vários veículos.

Timor-Leste: Acting UN Police Commissioner Named

Wednesday, 6 September 2006, 9:47 am

As part of United Nations efforts to foster stability in Timor-Leste, Police Advisor Antero Lopes has been designated Acting Police Commissioner for the UN peacekeeping operation in the country, where he worked previously on law enforcement issues.
Mr. Lopes joined the UN Integrated Mission in Timor-Leste <" http://www.unmiset.org/">(UNMIT) in mid-August. He had previously assisted in the planning of the police component of the new Mission as a member of the assessment mission led by Secretary-General Kofi Annan’s Special Envoy, Ian Martin, in June.
His deployment with UNMIT during this transitional period will facilitate discussions with the Timorese Government on policing matters as well as the smooth implementation of the recommendations on the establishment of the police component including ensuring the restoration and maintenance of public security through the provision of support to the Timorese national police.
Mr. Lopes comes to the job from UN Headquarters, where he served as Deputy Police Advisor and Head of Operations Support in the Police Division, which he helped to establish nearly six years ago.
In 2000, Mr. Lopes held the post of Deputy Police Commissioner in <" http://www.un.org/peace/etimor/etimor.htm">(UNTAET) following positions as Police Spokesperson and First Special Assistant.
In a recent interview, Mr. Lopes said “I’ve been here before and I am acquainted with the reality of Timor-Leste. Our job is to serve and protect the interests of the population of Timor-Leste.”
>From 1993 to 1995 Mr. Lopes served as a Regional Commander and Chief of Operations in the former Yugoslavia, where he was also co-founder of the project that lead to the Human Rights Commission of Bosnia and Herzegovina.
He has been instrumental in conducting assessment missions, coordinating planning and working in support of police operations in Haiti, Liberia, Sierra Leone, the Democratic Republic of the Congo (DRC), Côte d’Ivoire, Kosovo, Afghanistan and other.

Onze feridos Timor-Leste: Jovens desmobilizados com gás lacrimogéneo

2006-09-06 14:29:40
Díli - Um grupo de jovens que incendiou em Díli, capital timorense, diversas casas e veículos foi esta quarta-feira desmobilizado pelas forças policias com gás lacrimogéneo, noticia a Associated Press (AP). Onze pessoas saíram feridas dos confrontos, entre eles dois soldados australianos. O ataque ao campo de refugiados, situado na baixa da cidade, terá sido originado pela descoberta do corpo de uma mulher.A maior parte dos ferimentos foi provocado pelos «cocktail molotov» atirados pelos jovens, que originaram queimaduras em pelo menos oito pessoas, adiantou à agência um dos administradores do hospital de Díli, Raimundo da Costa. (c) PNN Portuguese News Network
(cortesia Crocodilo Voador)

Timor-Leste: Profissionais brasileiros ajudam na construção do sistema judicial

Brasília, 05 Set (Lusa) - Uma missão brasileira formada por dois advoga dos, dois procuradores e um juíz parte no próximo dia 10 para Díli, onde vai per manecer durante um ano para ajudar no fortalecimento do Sistema de Justiça de Ti mor-Leste."
O objectivo da missão é treinar magistrados timorenses e fazer um acom panhamento do dia-a-dia dos tribunais", informou à Lusa a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil.O projecto, que começou em Setembro do ano passado, é uma parceria entr e a ABC, instituições brasileiras de Justiça e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em Timor-Leste."
Será um grande desafio para mim. Os timorenses necessitam de apoio tan to na área processual, como na área administrativa", afirmou à Lusa a advogada Z eni Alves Arndt, que integra a delegação.Mais tarde, Zeni Alves Arndt vai precisar actuar no Supremo Tribunal de Justiça, nomeadamente na defesa dos réus envolvidos em crimes graves."Muitos timorenses estão presos sem nota de culpa e sem os direitos pre servados. Quero dar ênfase, portanto, no meu trabalho, em Timor, na defesa dos p resos", assinalou Zeni Arndt.
A advogada disse também que pretende aprender o tétum e fazer um interc âmbio com os nove defensores públicos timorenses, formados na Indonésia."
Quero aprender com eles também. Não vou a Timor para impor nada. É um trabalho de troca", sublinhou.Além de Zeni, integram a missão dois procuradores do Ministério Público de São Paulo e do Rio Grande do Sul, uma juíza do Superior Tribunal Militar e u m advogado que ainda não está definido.Os nomes dos profissionais seleccionados pelas instituições brasileiras foram aprovados pelas autoridades timorenses, no mês passado.
A ABC está a estudar também a possibilidade de o Brasil apoiar Timor-Le ste este ano na actualização dos cadernos eleitorais para as eleições de Maio de 2007.Segundo a ABC, não houve, entretanto, nenhum pedido de Timor-Leste para que o Brasil envie urnas electrónicas para o país, para a votação do próximo an o.CMC Lusa/Fim

Timor-Leste: GNR interessada em continuar a integrar missões de paz da ONU

Díli, 06 Set (Lusa) - A Guarda Nacional Republicana está interessada em continuar a integrar missões de paz, opção que representa um dos vectores da po lítica externa portuguesa, afirmou hoje em Díli o comandante-geral da GNR, gener al Mourato Nunes.
Aquele oficial falava à imprensa depois de visitar as novas instalações do contingente militar da GNR, no que foi o primeiro acto da sua visita de trab alho de três dias a Timor-Leste, onde chegou hoje."
A GNR está muito interessada em integrar missões internacionais de paz , e esta é também uma forma de contribuir, de uma forma significativa, para o qu e consideramos ser um dos vectores mais fundamentais da política externa de Portugal e que é integrar este tipo de missões", afirmou.Antes de deixar Timor-Leste, na próxima sexta-feira, o general Mourato Nunes reunir-se-á com o Presidente timorense, Xanana Gusmão, o ministro do Interior, Alcino Barris, e o representante especial do secretário-geral da ONU em Díl i, Sukehiro Hasegawa.
O encontro inicialmente previsto com o primeiro-ministro José Ramos-Hor ta, foi anulado devido à visita oficial que o chefe do Governo timorense iniciou hoje à Noruega.O novo quartel da GNR, onde estava sedeado o Centro de Estudos Aduaneiros da Alfândega timorense, foi recuperado ao longo dos últimos três meses, e per mite reunir todo o contingente e o respectivo equipamento num único espaço, deix ando definitivamente o Hotel Díli 2001, onde se instalou à chegada em Junho pass ado.
Com dois pisos e uma área anexa de grandes dimensões, a GNR terá no novo quartel, no bairro de Caicoli, espaço para instalar todo o contingente, material e serviços de apoio e disporá ainda de espaços anexos necessários a missões p rolongadas, como um ginásio (ainda por construir), pontos individuais de Interne t e sala de convívio totalmente construída com materiais reaproveitados.
Desde 04 de Junho, a GNR mantém um contingente de 127 militares no país que, juntamente com efectivos da polícia malaia, integra desde 25 de Agosto, a força policial da actual Missão Integrada das Nações Unidas em Timor-Leste (UNMIT).
Esta é a segunda vez que a equipa de operações especiais da GNR actua e m Timor-Leste, depois de uma missão de dimensão idêntica ter estado no territóri o, entre Fevereiro de 2000 e Junho de 2002, ao serviço das Nações Unidas.A presença actual deveu-se a um pedido formalizado pelas autoridades ti morenses a Portugal, Austrália, Nova Zelândia e Malásia para o envio de forças m ilitares e policiais para apoiar na restauração da lei e ordem em Díli, na sequê ncia da onda de violência desencadeada em Abril passado.
Ao longo deste segundo período, os militares da GNR já realizaram 498 p atrulhas, que totalizam 1.912 horas de serviço e em que foram percorridos 106.28 0 quilómetros.
O trabalho de manutenção da ordem pública reflectiu-se já na detenção d e 81 indivíduos e na identificação de outros 231, na elaboração de 32 autos de n otícia para os tribunais, na realização de 13 buscas a residências e na recupera ção de 12 viaturas roubadas, maioritariamente pertencentes ao Estado timorense.
No decurso da missão, os militares da GNR apreenderam milhares de armas de guerra e tradicionais, munições de vários calibres e diverso equipamento mil itar, incluindo rádios de transmissões.
EL.
Lusa/Fim

First lady fights for her country torn

March 12, 2006
Freedom's won, but a new battle confronts East Timorese women.
OUTSIDE, the autumn sun glistens on the Yarra. Inside the swish restaurant at Federation Square there's the clink of cutlery as hundreds of Melbourne women lawyers listen to a lunchtime speech by the woman who is billed to speak on her life, "from Melbourne arts student to the first lady of East Timor".
Kirsty Sword Gusmao, wife of East Timor's President Xanana Gusmao, tells the gathering that a profound sense of anger over an injustice compelled her to join East Timor's fight for independence.
But she's not here to reminisce about her undercover role in winning that fight.
She is here to raise money and awareness about East Timor's new battle. It might be free, but it's the poorest country in the Asia-Pacific region and it's getting poorer.
Ms Sword Gusmao silences the clink of cutlery when she tells what that poverty means. In East Timor 800 out of every 100,000 women die in childbirth. New UN figures show 88 out of every 1000 babies die at birth (the equivalent Australian figure is about four). A third of women suffer malnutrition. Only 8 per cent have access to contraception.
She tells how the director of Dili's main hospital complains his staff are ripping up sheets to give mothers something to wrap their babies in. When women leave hospital with their babies their departure is often marked by a trail of blood, as they can't afford sanitary napkins.
In 2001 Ms Sword Gusmao helped set up the Alola Foundation, which she now chairs and which aims to improve the lot of East Timor's women.
Alola is the nickname of Juliana dos Santos, who was kidnapped, at age 15, by a notorious militia leader after the 1999 vote for independence and taken as a "war trophy" to Indonesian West Timor, where she remains today.
Her story has served to personalise the plight of East Timorese who have been taken to Indonesia and are unable to return home. The extent of such separations was revealed in The Sunday Age last month.
Ms Sword Gusmao has taken up Juliana's case, lobbying Indonesian officials for her return and helping her family establish contact with her. If she is allowed back it will offer hope for other families torn apart during East Timor's upheaval.
But, Ms Sword Gusmao tells The Sunday Age, the obstacles are many. Violence and intimidation mean Juliana is in no position to make a free choice.
There are other obstacles, too, in reuniting families, including a lack of resources on East Timor's part and, perhaps, a lack of will on the part of Indonesia. On this issue Ms Sword Gusmao is diplomatic. "I'd like to think we'd be able to reach a solution to this with the co-operation of the Indonesian authorities," she says.
"But … given the very complex psychological aspects of this problem and the intimidation and coercion aspects of it, I don't think there's been an adequate recognition from the Indonesian side that she's a young woman unable to make a free decision."
She says the issue of divided families is on the agenda of both countries. But she is cautious: "We have some concerns that this is not on the top of the priority list for Indonesia … I'd like to think it's not a case of indifference."
(cortesia Crocodilo Voador)

6.9.06

Discurso pronunciado en el Solemne Acto Académico de Investidura como Doctor Honoris Causa del Excmo. y Rvdmo. Señor Carlos Filipe Ximenes Belo

(Obispo Titular de Lorium; Administrador Apostólico Emérito de Díli)
Universidad Cardenal Herrera (7 de junio de 2006, Valencia, España)


Gracias a la generosa solidaridad de las autoridades académicas de esta distinguida Universidad CEU Cardenal Herrera, soy hoy honrado con el grado de Doctor Honoris Causa. En la persona del señor rector Alfonso Bullón de Mendoza, quiero expresar mis profundos agradecimientos a la Universidad por la concesión de este doctorado, otorgado a un hijo de Timor Este. Considero este reconocimiento académico no tanto como una honra para mi persona, que nada hizo en pro del desarrollo de la Universidad CEU Cardenal Herrera, sino más bien como un acto significativo de solidaridad y de amistad para con el pueblo de Timor Este. Este pueblo pequeño y pobre, que a lo largo de 450 años de colonización portuguesa y de 25 años de anexión y ocupación por Indonesia, supo mantener su identidad étnica, cultural, religiosa y política.

Desde que fue descubierto por los navegantes portugueses que buscaban las especias en Insulindia, entre 1512 y 1515, la isla de Timor, que en malayo significa Oriente, fue visitada por comerciantes y misioneros, no habiendo todavía ni gobierno ni administración, ni fuerzas militares constituidas. El día 26 de enero de 1522 llegaron los primeros españoles a nuestra isla. Allí repararon el navio y obtuvieron suministros (arroz, carne y fruta) sin los cuales Elcano y sus hombres no habrían conseguido una hazaña: la de realizar el primer viaje de circunnavegación del planeta. Hoy, somos los timorenses los que necesitamos ayuda para continuar nuestro viaje rumbo a libertad y el desarrollo.

El primer portugués de quien se sabe que vivió con certeza en Timor fue el dominico Fray António Taveira, que en 1556 habría bautizado cinco mil personas. En 1557 se creó la Diócesis de Malaca, y el primer obispo, el dominico Fray Jorge de Santa Luzia, envió, en 1562, misioneros a las islas de Solor y Flores. De Solor, los dominicos pasaron a la isla de Timor. Entre 1580 y 1640 ya había una pequeña presencia portugue­sa. Por entonces, Portugal estuvo unido a España durante los reinados de Felipe 11, Felipe III y Felipe Iv. En 1640, había ya en la isla 22 iglesias. Como no había administración organizada, la Corona portu­guesa entregó a los misioneros el gobierno de Solor y Timor.

Entre tanto, el año 1598 llegaron a Insulindia los holandeses, que pronto comenzaron a disputar a los portugueses el comercio de estos mares. En 1651, se establecieron en el extremo occidental de Timor, en la región de Kupang, de donde comenzaron a amenazar las posiciones portuguesas. El virrey de la India, de quien Timor dependía, decidió por eso retirar el gobierno de las islas a los padres dominicos y confiarlo a un capitán-mayor. En 1565, con la llegada del primer capitán-mayor, Simao Luis, se establece la capital de Timor en Lifau, en el centro norte de Timor, que hoy constituye el enclave de Ocusi y Ambeno. Este período estuvo caracterizado por constantes luchas: entre portugueses y holandeses, entre portugueses e invasores de Celebes, conflictos entre los dominicos y los capitanes-mayores y sublevaciones de reinos timorenses.

En este período había en la isla de Timor dos grandes confederaciones. La de los Belos, que englobaba 46 reinos y estaba situada en la parte central y oriental de la isla, y tenía la capital en We- Hali, y la de Serviao, constituida por 16 reinos, situados en la parte occidental y que tenía como soberano a Senobai o Sonbai que vivía en Oenam. En general, los reinos de la Provincia de los Belos aceptaron la soberanía portuguesa, mientras los de Serviao, pasaron a reconocer la soberanía de Holanda. Como consecuencia de esto, la provincia de los Belos vino a transformarse más tarde en el Timor Portugués o Timor Oriental, con capital en Dili, y la provincia de los Serviao, en el Timor Holandés, o Timor Occidental, con capital en Kupang.

Hasta la proclamación de la independencia de Timor Este, conforme al Derecho Internacional y reconocida por la comunidad de naciones el 20 de Mayo de 2002, Timor Este fue a lo largo de los siglos XVIII, XIX y XX, una tierra de guerras. La más célebre de todas, fue la de Cailaco (1726). En 1769, ante la amenaza de los topases - mestizos de portugueses y timorenses- y de los holandeses, el gobernador, José Antonio Teles de Meneses, viendo Lifau cercada por enemigos, se vio en la necesidad de transferir la capital a Dili. A lo largo deI siglo XIX se dieron varios conflictos o sublevaciones contra el gobierno portugués, a los cuales seguían las campanas de pacificación de varios gobernadores, destacando José Celestino da Silva (1894-1908). En el primer cuarto del siglo XX, estalló en el Sur de Timor, la guerra de Manufahi, donde perdieron la vida más de 4.000 personas y resultaron heridas 12.567, que fueron hechas prisioneras. Entre las fuerzas gubernamentales, se registraron 289 muertos y 600 heridos. Pero el sufrimiento del pueblo de Timor no acaba aquí. En 1942, el Timor Portugués fue invadido por fuerzas extranjeras, australianas y holandesas, con el objetivo de defender la costa Norte de Australia de una posible invasión japonesa. Considerando la isla de Timor un punto estratégico para atacar Port Darwin, los soldados nipones invadieron Timor en diciembre de 1942, y lo ocuparon hasta septiembre de 1945. Cuando el 5 de septiembre se produjo la rendición de los japoneses, Timor oriental estaba completamente destruido. Respecto a las pérdidas humanas, murieron 40.000 timorenses, a causa de los combates, enfermedades y el hambre. Acabada la Segunda Guerra Mundial, Timor Occidental, entonces colonia de Holanda, se convirtió en parte de la nueva República de Indonesia (independiente desde el18 de agosto de 1945). Por el contrario, en la parte oriental, los funcionarios y soldados portugueses recuperaron la colonia de Timor, que continuó bajo tutela de Portugal hasta 1975, cuando fue invadida e integrada en Indonesia. Durante el tiempo de la integración en Indonesia, a pesar del desarrollo promovido por el gobierno de Yakarta, se produjeron muchas violaciones de derechos humanos y pérdidas de vidas humanas. Se habla de más de 200.000 muertos. Pero, felizmente, el 30 de agosto de 1999, el pueblo de Timor Oriental, aprovechando la oportunidad de autodeterminarse, a través de la consulta popular organizada por las Naciones Unidas, decidió de una vez por todas, optar por la independencia y por la libertado En este proceso, tuvo un papel importante Espana. Desde aquí, expreso el reconocimiento y gratitud del pueblo timorense al pueblo y aI Gobierno español.

Señoras y señores: La sociedad timorense fue siempre una sociedad marcada por conflictos, odios, violencias y guerras. En este breve repaso de su historia, hemos visto cómo la guerra en Timor parecía formar parte de la vida timorense. En los reinos había guerras a causa del ganado, propiedades, límites y raptos de princesas. Las causas deI odio y la violencia están enraizadas en la mentalidad timorense. EI pequeno pueblo de Timor Este es un pueblo de guerreros. Un pueblo todavía inclinado aI odio y la violencia. Los recientes acontecimientos desde el28 y 29 de abril pasado, revelan que todavía no hay verdadera paz en Timor. Falta madurez para vivir en democracia, construir la justicia, el diálogo y procurar el bien común.

En este contexto, es prioritario insistir en la educa­ción de los Derechos Humanos y en la educación para la paz en Timor Este. De hecho, a partir del ano 2000, se creó en Timor Este una Comisión de la Verdad, Acogida y Reconciliación con el objetivo de crear en los timorenses una mentalidad de paz; a nivel de la Iglesia, se constituyeron las comisiones diocesanas de Justicia y Paz; a nivel de Gobierno, se constituyó la Dirección de los Derechos Humanos y el Comisariado para la Igualdad Hombre/Mujer. EI propio presidente de la República, Xanana Gusmao, se implicó profundamente para traer desde Indonesia a los hermanos timorenses divididos (pro-integración y pro-independencia) para que convivieran bajo el mismo techo, la patria Timor Loro Sae (Timor deI Sol Naciente). A pesar de todo este esfuerzo, en Timor Este permanecen muchos conflictos e incomprensiones. Es, por lo tanto, urgente hablar de educación para la paz y de la cultura de la paz en Timor.

La paz, un valor y un deber universal, está fundada sobre el orden moral de la sociedad, la cual, a su vez, tiene sus raíces en el propio Dios, fuente primaria del ser, verdad esencial y bien supremo. En Israel, el nombre de Dios, el nombre deI Mesías es Shalom. La paz es un don divino que nosotros, los humanos, podemos construir o echar a perder. La paz no es simplemente ausencia de guerra, ni siquiera un equilibrio estable de fuerzas contrarias; la paz se basa en una correcta concepción de la persona y exige la construcción de un orden asentado sobre la justicia y la caridad. La paz es el fruto de la justicia entendida, en sentido amplio, como el respeto por el equilibrio de todas las dimensiones del ser humano. La paz es también el fruto del amor. A la justicia compete simpIemente apartar los impedimentos para la paz: la ofensa y el daño; pero la verdadera paz, sólo se construye con la caridad.
La primera iniciativa para prevenir la guerra es la educación para la paz. Se debe iniciar este proceso en la propia familia y continuarlo en la escuela. El Estado timorense, verdaderamente amante de la paz, deberá insistir en la formación de sus ciudadanos para la paz. Esta formación debe extenderse a todas las capas de la sociedad timorenses, a los partidos políticos y a las fuerzas armadas y de seguridad.

Es también indispensable la educación y formación sobre el sentido de la justicia. Tras cada conflicto se distingue fácilmente una drástica negación de la justicia. La exigencia de la justicia aumenta en el mundo actual y la respuesta a tal exigencia o no Ilega, o Ilega lentamente. Es útil recordar lo que decía el Papa Juan Pablo lI, de grata memoria, en la Encíclica Sollicitudo Rei Socialis: "No atender a tal exigencia, podría propiciar la irrupción de una tentación de respuesta violenta, por parte de las víctimas de la injusticia, como acontece en el origen de muchas guerras. Las poblaciones excluidas del reparto equitativo de bienes, destinados originariamente a todos, podrían preguntarse: por qué no responder con la violencia a cuantos son los primeros en tratamos con violencia?" (10,2). Tal situación se produce no sólo a nivel mundial, sino también en la vida social de cada país. "Hay unos -los pocos que poseen mucho- que no consiguen verdaderamente "ser", porque, debido a una inversión de valores, están impedidos por el culto del "tener"; y hay otros -los muchos que poseen poco o nada que no consiguen realizar a su vocación humana fundamental, porque están privados de los bienes indispensables" (ibídem, 28,6).
La injusticia nace de la falta de respeto por la dignidad del ser humano y por el desprecio de sus derechos fundamentales. Despreciar aI ser humano es prepararlo para el conflicto. La justicia se fundamenta en el respeto a los Derechos Humanos. Justicia y paz no son conceptos abstractos ni inaccesibles. Son valores insertados en el corazón de cada persona, como patrimonio común. Individuos, comunidades, naciones, son Ilamados a vivir en justicia y trabajar para la paz. Nadie puede ser ajeno a este problema.

"...Cuando la promoción de la dignidad de la persona es el principio orientador que nos inspira, cuando la búsqueda del bien común constituye el objetivo predominante, están siendo colocados los cimientos sólidos y duraderos para la construcción de la paz. Por el contrario, cuando los derechos humanos son ignorados y despreciados, cuando la búsqueda de intereses particulares prevalece injustamente sobre el bien común, entonces se están inevitablemente sembrando las semillas de la inestabilidad, de la revuelta y de la violencia". (Juan Pablo II, Mensaje, Día Mundial de la Paz, 1999, n° 1).

Los derechos humanos más frecuentemente pisoteados son el derecho a la vida y el respeto a la dignidad humana. El mundo actual se convirtió en un mundo que desprecia la vida humana, a pesar de ser nuestro don más precioso. EI desprecio por la vida, que debería ser intangible, está detrás de todos los actos de violencia y especialmente del recurso al terrorismo. EI terrorismo manifiesta un desprecio total por la vida humana. Ningún motivo lo puede justificar, una vez que el hombre es siempre fin y nunca medio. EI terrorismo siembra odio, muerte, deseo de venganza y de represalias. No olvidemos, sin embargo, que el terrorismo es una realidad en el mundo actual. Todo lo que significó el menosprecio por la vida humana y por la dignidad del ser humano, a lo largo del último siglo, contribuyó a incrementar el problema del terrorismo, que es "un nuevo sistema de guerra" (Conc. Vat. II GS. 79).

En este contexto, se hace imprescindible construir, en vez de la civilización de la muerte, la civilización de la vida, donde la vida de cada ser humano, sobre todo de los más vulnerables, se tome prioridad absoluta para todos los Estados. De este modo, el respeto por la dignidad humana se convertirá una prioridad absoluta para todos los Estados. De este modo, el respeto por la dignidad humana se convertirá en patrimonio común. La "Declaración Universal de los Derechos del Hombre" de las Naciones Unidas, que contiene en el principio de su preámbulo la afirmación del reconocimiento de la dignidad congénita de todos los miembros de la comunidad humana, así como sus derechos iguales e inalienables, constituye el fundamento de la libertad, de la justicia y de la paz en el mundo.

La pobreza extrema, donde quiera que surja, es una injusticia gravísima. Su eliminación debe permanecer como una prioridad, tanto a nivel nacional como internacional.

"...No se puede tolerar un mundo donde viven juntos superricos y miserables, pobres privados incluso de lo esencial y gente que malgasta sin control aquello que los demás necesitan desesperadamente. Tales contrastes son una afrenta a la dignidad del ser humano" (Juan Pablo II. Mensaje, Día Mundial de la Paz 1998, n. 4). Si es verdadera la afirmación "de la justicia para cada uno nace la paz para todos", la situación de miseria de más de mil millones de la población mundial reclama una atención urgente y eficaz. Sólo generando desarrollo, con el ser humano en el centro -cualquier ser humano- se podrá cambiar la situación actual.

Las iniciativas de Naciones Unidas procurando eliminar la pobreza absoluta antes del año 2015 son loables. Sin embargo, esto es apenas uno de los primeros pasos. La paz en el mundo depende del desarrollo de todos y no sólo de algunos. Y es que la paz es indivisible, lo que quiere decir que es de todos o que no es de ninguno. La práctica de una solidaridad globalizada sería la respuesta justa para enfrentarse aI crecimiento actual del subdesarrollo y la consiguiente inestabilidad que tan negativamente afecta a la paz nacional y a la paz mundial.

Señoras y señores: Si el siglo XX fue un siglo domi­nado por conflictos y guerras, esperamos que el siglo XXI sea un siglo de armonía entre los pueblos y las naciones. Para esto es urgente educar a los hombres y a las mujeres, sobre todo a las nuevas generaciones, para vivir en una permanente cultura de paz.

La educación para la paz, para la justicia y para los Derechos Humanos constituye, sin duda, el medio eficaz para la mudanza cultural en el sentido de una cultura de la paz. "La educación para una cultura de paz contribuye no sólo a eliminar las guerras y violencias físicas, morales y psicológicas de ellas derivadas, sino también a acelerar un cambio a nivel de los valores, actitudes y comportamientos de forma que posibilite la eliminación de las raíces culturales que sirven de soporte a los pensamien­tos, emociones y sentimientos belicistas y violentos. En el mundo actual se observa la generalización de la violencia, del ser humano contra sí mismo, con­tra otros seres humanos y contra la naturaleza, por lo que urge restablecer el equilibrio y armonía entre estos tres niveles" (Viegas, 2002, p.81).

En octubre de 1999, la UNESCO aprobó la Dec1aración y Programa de Acción sobre una Cultura de la Paz, en la que se define la cultura de la paz y se establece un programa de acción para los principa­les agentes en el plano nacional e internacional. Asíera definida la cultura de la paz: "Un conjunto de valores, actitudes, tradiciones, comportamientos, estilos de vida, basados en el respeto por la vida, el fin de la violencia y la promoción y práctica de la no violencia por medio de la educación, el diálogo y la cooperación; el respeto pleno de los principios de soberanía, integridad territorial e independen­cia política de los Estados y la no ingerencia en asuntos internos; el respeto pleno y la promoción de los Derechos Humanos y las libertades fundamentales, que inc1uyen la igualdad de derechos y oportunidades de mujeres y hombres, el derecho a la libertad de expresión, opinión e información; el compromiso en la resolución pacífica de los conflictos; los esfuerzos para satisfacer las necesidades del desarrollo y protección del medio ambiente de generaciones presentes y futuras; la adhesión a los principios de libertad, justicia, democracia, tolerancia, solidaridad, cooperación, pluralismo, diversidad cultural, diálogo y entendimiento a todos los niveles de la sociedad y entre las naciones" (Resolución de las Naciones Unidas, A/Res 53/243).

Desde febrero del presente ano se vive en Timor Este una inestabilidad social y militar. Los acontecimientos de las últimas semanas fueron de tal gravedad que fue preciso invitar a fuerzas extranjeras para mantener la paz, que debería ser tarea de los propios timorenses. Infelizmente, la sociedad timorense fue siempre una sociedad marcada por conflictos, odios, venganzas y guerras. Desde el establecimiento de la soberanía portuguesa en Timor, hubo movimientos de rebeldía contra los portugueses a lo largo de los siglos. En el siglo XX, se produjo la invasión de Indonesia y la consiguiente resistencia a la ocupación por parte del pueblo. Entrando en el nuevo milenio y viviendo en un país libre e independiente, los timorenses deben encarar el futuro con otra mentalidad, con una mentalidad imbuida de cultura de paz. Una mentalidad basada en el respeto de los derechos humanos, en la vivencia y práctica de la democracia, en el desarrollo y progreso del país y de la cooperación con otros pueblos y otras naciones. De aquí la necesidad y la urgencia de la educación de las mentes y de los corazones para la reconciliación y el perdón, para la paz y la justicia. Timor Este es un país nuevo, pero el más pobre de Asia. Necesita ayuda de la comunidad internacional, incluyendo a España, para poder salir de la crisis y de la pobreza y así proseguir en el camino del desarrollo y de la paz.

Termino renovando mis agradecimientos a las autoridades civiles, religiosas y académicas que han tenido a bien estar presentes en este acto solemne de Doctorado Honoris Causa. Muchas gracias, por vuestra solidaridad y por vuestro apoyo aI pueblo de Timor Este.

Valencia, 7 de junio de 2006

Notícias de Timor-Leste (Lusa)

Timor-Leste: Austrália diz que a ONU deve pôr mais capacetes azuis no território
Sydney, Austrália 05 Set (Lusa) - O governo australiano considerou hoje que o restabelecimento e manutenção da segurança e da ordem em Timor-Leste requerem a presença de mais capacetes azuis do que aqueles que a ONU planeia deixar no país.
O Conselho de Segurança da ONU aprovou a 25 de Agosto uma resolução na qual é criada a Missão Integrada da ONU em Timor-Leste (UNMIT, na sigla em inglês), com o objectivo de restabelecer a normalidade no país, com um mandato inicial de seis meses e composta por 1.608 polícias e 34 militares.
O ministro dos Negócios Estrangeiros australiano, Alexander Downer, declarou hoje à rádio australiana ABC que o seu país defende a manutenção em Timor-Leste de pelo menos mais 650 militares."Creio que necessitamos de soldados que possam actuar e solucionar os problemas. Do nosso ponto de vista, deveríamos manter [em Timor] 650 militares juntamente com os dos outros países", disse Downer.
O ministro disse também que as regras de intervenção da ONU Timor-Leste deveriam ser semelhantes às que têm as forças australianas."
Não queremos que numa situação de emergência os militares tenham de comunicar com Nova Iorque (onde está a sede da ONU) e pedir aprovação dos funcionários para fazer o que for preciso. Deveriam poder fazer o seu trabalho de forma rápida e eficaz", sublinhou Downer.
O chefe da diplomacia australiana considerou que está bem informado sobre a situação no terreno em Timor-Leste uma vez que ainda segunda-feira participou em Díli numa reunião tripartida com os homólogos indonésio, Hassan Wirayuda, e timorense, José Luis Guterres.
Os três ministros acordaram em cooperar para que Timor-Leste consiga restabelecer a paz e a estabilidade no seu território, bem como cooperar no estabelecimento de relações comerciais e na luta contra ameaças de segurança regionais, como o contrabando e a imigração ilegal.
Downer confirmou também que falou em Díli com o comandante da Polícia Federal australiana, Steve Lancaster, que o informou que os confrontos entre grupos nas ruas da capital de Timor-Leste são muito comuns.
Timor-Leste viveu este ano a sua pior crise desde a independência, em Maio de 2002, com uma onda de violência que fez pelo menos 30 mortos e obrigou o governo timorense a pedir o envio de contingentes militares e policiais a Portugal, Austrália, Malásia e Nova Zelândia.
NVI.Lusa/Fim

5.9.06

Notícias de Timor-Leste (Lusa)

Timor-Leste: Indonésia e Austrália vão ajudar no restabelecimento da paz
Sydney, Austrália, 04 Set (Lusa) - Os ministros dos Negócios Estrangeir os timorense, australiano e indonésio acordaram hoje cooperar para o restabeleci mento da paz e da estabilidade em Timor-Leste, durante uma reunião tripartida qu e decorreu em Díli."
Os ministros acordaram colaborar numa série de frentes para ajudar Tim or-Leste a fazer uma transição para a paz e para a estabilidade", indicou o Mini stério dos Negócios Estrangeiros australiano num comunicado à imprensa.
O australiano Alexander Downer, o indonésio Hassan Wiraduya e o timoren se José Luís Guterres, que se reuniram com o primeiro-ministro timorense, José R amos Horta, "deram as boas-vindas à Missão Integrada das Nações Unidas em Timor- Leste [UNMIT, na sigla em inglês]", mandatada pelo Conselho de Segurança da ONU para "fomentar a reconciliação nacional, preparar as eleições de 2007, distribuir assistência humanitária e trabalhar com a força policial para a manutenção da lei e da ordem".
A UNMIT, criada pela resolução do Conselho de Segurança adoptada a 25 d e Agosto, vai contar com 1.608 polícias e 34 militares e terá um mandato inicial de seis meses.Ramos Horta manifestou, por seu lado, "grande confiança e optimismo" na capacidade dos timorenses para "ultrapassar a actual situação", sublinhando no entanto que ela é agora "muito mais estável e agradável do que há dois meses".
Timor-Leste viveu este ano a sua pior crise desde a independência, em M aio de 2002, com uma onda de violência que fez pelo menos 30 mortos e obrigou o governo timorense a pedir o envio de contingentes militares e policiais a Portug al, Austrália, Malásia e Nova Zelândia.
A reunião tripartida de hoje serviu igualmente, segundo o mesmo comunic ado do Governo australiano, para reforçar a vontade dos três países vizinhos de colaborar para "forjar relações comerciais mais estreitas e enfrentar ameaças à segurança regional como o contrabando e a imigração ilegal".
MDR.Lusa/Fim

Notícias de Timor-Leste (Lusa)

Timor-Leste:Ramos-Horta elogia Alkatiri pelas negociações petrolíferas com Austrália
Díli, 04 Set (Lusa) - O primeiro-ministro de Timor-Leste, José Ramos-Horta, elogiou hoje o trabalho feito pelos governos do seu antecessor, Mari Alkatiri, na negociação com a Austrália sobre o petróleo do mar de Timor."Foi um trabalho bem-feito", disse Ramos-Horta no final da terceira cimeira trilateral de cooperação dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Austrália, Indonésia e Timor-Leste.
O primeiro-ministro referia-se ao acordo para a partilha das receitas petrolíferas do Mar de Timor, que Timor-Leste e a Austrália assinaram em Janeiro deste ano.
O acordo foi negociado ao longo de dois anos e meio pelo então primeiro-ministro Mari Alkatiri.O documento estipula a partilha em partes iguais das receitas provenientes de reservas petrolíferas daquela zona, que ascendem a cerca de 30 mil milhões de dólares (25 mil milhões de euros).No âmbito do acordo, os dois países também concordaram em suspender por um período de 40 a 50 anos a demarcação definitiva da fronteira marítima.
Na declaração que então fez à imprensa, Mari Alkatiri reconheceu a dureza das negociações encetadas com a Austrália."Foi uma negociação longa, por vezes feitas através da imprensa, por via diplomática e politica e também com murros na mesa.Todos os que acompanharam o processo de negociações tiveram oportunidade de ver que houve trocas de tudo entre Timor-Leste e a Austrália, a todos os níveis", salientou".
O acordo alcançado com a Austrália não teve reflexos na chamada zona conjunta de exploração petrolífera, em que Timor-Leste recebe já 90 por cento das receitas, e a Austrália os restantes 10 por cento, e que poderá render nos próximos 10 a 20 anos cerca de 14,5 mil milhões de dólares (12 mil milhões de euros) para Timor-Leste.No final da cimeira tripartida que decorreu hoje em Díli, a primeira que se realiza em Timor-Leste, os lideres das delegações também salientaram a importância da cooperação regional, que tem vindo a ser aprofundada.Uma fonte governamental timorense tinha declarado na semana passada à Lusa que no decorrer da reunião, à porta fechada num hotel em Díli, as delegações abordariam as questões da segurança interna, a missão das Nações Unidas, as eleições de 2007, bem como a cooperação económica e a cooperação na área da segurança.
JCS.Lusa/Fim

1.9.06

Notícias de Timor-Leste (UNMIT Media Report)

INTERNATIONAL MEDIA REPORTS

E Timor PM hits out at jailbreak
1 September 2006 - BBC News

The prime minister of East Timor has said that international peacekeepers are partly to blame for the escape of dozens of prisoners on Wednesday.
Jose Ramos-Horta said Australian-led troops had failed to increase security at the prison in the capital, Dili, despite repeated pleas from officials.
At least 56 men escaped from the jail, including rebel leader Alfredo Reinado.
The escape sparked fears of renewed tensions, in a country which is still recovering from recent violence.
More than 20 people died in street clashes in May, and thousands fled their homes.
International troops, most of whom are from Australia, are now stationed in the country to try to restore order.
'Puzzled'
Mr Ramos-Horta said the mass escape could have been prevented.
"I am personally just puzzled why, in spite of our repeated requests for static forces to be outside the prison, this was not done," he told Australian radio.
The head of the international forces, Brigadier Mick Slater, said the escape appeared to have been a "fairly simple matter", with prisoners walking out of the gates.
International troops and police are continuing to search for the escapees, but with no success so far.
Officials fear that the prisoners' escape could destabilise the country's fragile security situation.
Calm has largely been restored since the unrest in May, but there have been sporadic outbreaks of violence.
Australian Foreign Minister Alexander Downer is flying to Dili on Sunday, for talks on the crisis with Mr Ramos-Horta and the Indonesian Foreign Minister Hassan Wirajuda.
Mr Downer, who said on Thursday that the jailbreak was "a matter of very real concern" to the Australian government, will also discuss preparations for a new United Nations mission in the country to replace the current international force.
Last week, the UN Security Council agreed to send 1,500 police to the troubled country. (BBC)

Friday September 1, 05:16 PM
Troops 'not to blame' for E Timor escape
The Prime Minister, John Howard, has defended the role of Australian troops in East Timor amid claims that international forces were partly to blame for the escape of 57 prisoners from Dili's jail.
East Timor's Prime Minister Jose Ramos Horta says despite requests by his Government, foreign troops were not providing enough security outside the prison.
Dili's jail is run by East Timorese authorities, not international forces.
Mr Howard says he has total confidence in the Australian Commander in Dili, Brigadier Mick Slater.
"I understand that the attitude taken by Brigadier Slater has been that it is not the role of the military to provide static guards, it's the role of the military to provide patrols and that's what he's done," he said.
Brig Slater says his troops have never been responsible for running the prison, and only provide external security to ensure there is no violence from outside directed at prison guards.
He says at different times his forces have been asked to guard every public building in Dili, every utility and even the private homes of politicians.
He says this is neither practical nor possible.
Meanwhile, New Zealand's Defence Minister Phil Goff denies the scaling down of its army contingent in East Timor contributed to the escape of 57 prisoners from Dili's jail.
East Timor's Justice Minister was pointed in his criticism of New Zealand's decision to pull out troops on the eve of the break-out.
Phil Goff has sprung to their defence.
"The Justice Minister in East Timor is quite wrong if he is giving the impression that we were ever responsible for the internal security at that prison," he said.
"We never have been, that has always been the clear responsibility of his own Ministry."
He says New Zealand's scaled down contingent is still providing mobile patrols four to five times a day. (ABC)

Downer off to Dili amid violence fears
Mark Dodd and Ashleigh Wilson - Additional reporting: AAP
September 01, 2006
FOREIGN Minister Alexander Downer will embark on an emergency mission to Dili amid rising fears that violence could flare again in East Timor following the escape from jail of rebel militia leader Alfredo Reinado.
The breakout by 57 prisoners, including Major Reinado, from Dili's Becora prison was "a matter of very real concern" to the Australian Government, Mr Downer said yesterday. Canberra fears rebels could rearm themselves, setting back security efforts in the wake of the deadly violence that forced international troops to take control of East Timor in May. But Major Reinado was last night reported as saying he did not want to stage a new revolt. "I have escaped from Dili not to revolt but because the judicial system in Dili is not good enough. But I will account for my action and answer any charges against me when the system has been improved," he said in a video obtained by the Reuters news agency.

Mr Downer will discuss the crisis with Timorese President Xanana Gusmao and Prime Minister Jose Ramos Horta over the weekend. Australian Federal Police and the military were last night helping in the search for the fugitives who escaped on Wednesday afternoon, but it would be a difficult operation because of the country's rugged and remote geography, Mr Downer said. He expressed serious concern that some of the escapees, including prisoners arrested for involvement in recent political violence, could gain access to weapons. "There are a lot of weapons out there and a lot of weapons unaccounted for," he said. The Australian military commander in Dili, Brigadier Mick Slater, said the breakout appeared to have been well-planned. "There was definitely some organisation to it," Brigadier Slater told ABC radio. As the manhunt continued, bickering broke out over who was responsible for the mass escape.

An aide to Mr Ramos Horta complained that New Zealand troops were only patrolling around the jail every three hours, but New Zealand denied it was to blame. "New Zealand and the multinational force are not, and have never been, responsible for running the prisons in Timor Leste or for maintaining security within them," New Zealand Defence Minister Phil Goff said. "That is solely the responsibility of the Timor Leste Ministry of Justice." East Timor's Justice Minister, Domingos Sarmento, blamed the breakout on a shortage of guards at the prison. Contradicting Mr Goff, he said the prison was under the supervision of peacekeepers from New Zealand. Brigadier Slater said the breakout occurred during visiting hours when inmates were not locked in their cells. The guards were distracted when visitors created "some sort of ruckus". "The jailbreak appears to have been a fairly simple matter," Brigadier Slater said. "Reinado and about 56 others essentially walked out the front gate under the eyes of the Timorese prison guards."

But Joao Domingos, head of Becora jail's administration, said prison guards were threatened with grasscutters and told they would be killed unless they released Major Reinado and dozens of other inmates. "They threatened us with grass shears. They said 'open the doors or you will die'. We opened the doors and 57 got away," Mr Domingos said. "All Alfredo's men escaped, along with others who were involved in ordinary crimes." By last night, much of Dili had been sealed off and Australian soldiers were under orders to treat the escapees as armed fugitives. They established checkpoints at which vehicles were being inspected. Houses in several parts of the capital had also been searched. The Australian understands that the operation to recapture the escapees had also extended from Dili into the foothills behind the capital city. Major Reinado, the former commander of East Timor's military police, was a central figure in political violence that engulfed the capital three months ago. Arrested on July 25 by the Australian military, he was facing charges of attempted murder and possession of illegal weapons. Opposition foreign affairs spokesman Kevin Rudd said the escape underscored the urgent need for the Howard Government to keep a strong military presence in Dili. (The Australian)


Horta blames Australia for prison escape
September 1, 2006 - 8:34AM - AAP
East Timor President Jose Ramos Horta has laid some of the blame for a mass escape from Dili's prison on Australian forces. Militiaman Major Alfredo Reinado escaped from the jail, along with 56 other inmates, by walking out the front gate on Wednesday afternoon. "I am personally just puzzled why in spite of our repeated requests for static forces to be outside the prison this was not done," Mr Ramos Horta told ABC Radio. "I presume the Australian forces ... as experts in security, they thought it was not necessary, although we had asked repeatedly." Major Reinado was in prison on firearms charges. He was coaxed down from his mountain hideout by Australian forces who arrived in Dili three months ago following widespread civil unrest in the fledgling nation. Mr Ramos Horta admitted some of the blame also lay with Timorese prison guards. "Obviously there was a failure of the internal security but the internal security is not armed and obviously there has to be some complicity inside," he said. Australian forces are searching for the escapees. "Had there been strong security outside this could have been prevented," Mr Ramos Horta said." The UN has agreed to send 1,600 police to East Timor but Australian troops will remain in charge of the military deployment. Mr Ramos Horta said it was an arrangement he supported. "Whatever decision the (UN) security council has made we support." A review of the need for military forces in East Timor will be done in October. Mr Ramos Horta said if soldiers were still needed beyond October there would be a review of Australia's lead role. "The decision then will be whether it should come under the UN command or continue with the current arrangements with Australia taking the lead." (SMH)


East Timor Rebel Leader Evades UN Police After Jail Breakout
By Ed Johnson
Sept. 1 (Bloomberg) –
East Timor rebel leader Major Alfredo Reinado evaded a manhunt by United Nations police and international peacekeepers after a jail break that threatens to destabilize the country as it recovers from civil unrest. Reinado, whose rebel militiamen refused to lay down their weapons after the government fired around a third of the country's armed forces in March, broke out of jail in the nation's capital, Dili, yesterday with 56 other inmates. UN police and Australian-led peacekeepers set up checkpoints to try to stop Reinado fleeing Dili and interviewed prison guards to determine how the escape happened, the UN said in a statement. International peacekeepers were deployed to East Timor in May to restore calm after the collapse of the country's security forces. The violence killed 37 people and forced 155,000 people, or 15 percent of the population, from their homes.

The breakout is a ``very real concern,'' Australian Foreign Minister Alexander Downer said, adding he will fly to Dili Sept. 3 for talks with Prime Minister Jose Ramos-Horta. ``We will be making a major effort to help the East Timorese in trying to apprehend all of those who have escaped,'' Downer told reporters in Sydney yesterday. ``It obviously constitutes a significant set back in terms of law and order.'' Police Commander Reinado, an Australian-trained former military police commander, called on the nation to rise up and join him in a ``people power'' revolution, the Sydney Morning Herald reported, citing a letter it said he circulated within hours of the escape. ``All of us know that this government is illegal because it has not followed the democratic process,'' the letter said. Timorese should ``not be afraid to go into the streets to protest together because we have the right to remove the government.''

Ramos-Horta told the nation to remain calm and said the jail break wouldn't threaten East Timor's security, Agence France- Presse reported. Civil unrest erupted in the former Portuguese colony, which lies about 500 kilometers (310 miles) north of Australia, in March after former Prime Minister Mari Alkatiri dismissed 600 soldiers for deserting. Clashes between security forces escalated into fighting between armed gangs and, at the request of the Alkatiri's government, 2,500 peacekeepers from Australia, New Zealand, Portugal and Malaysia were deployed to restore order. Reinado and other rebels blamed Alkatiri for the unrest, saying he had created divisions between ethnic groups within the army. Alkatiri resigned in June and was replaced by Ramos-Horta, his foreign minister at the time and a Nobel Peace Prize winner.
Weapons Possession
Reinado was arrested in July on charges of weapons possession when international troops discovered he still allegedly had nine handguns. His group had promised it had surrendered all of its weapons. The country of about 1 million people, also known as Timor-Leste, became independent in May 2002. The country voted for independence in 1999 following a 24-year occupation by Indonesia. The UN has been operating in East Timor since 1999, helping organize elections and the creation of government institutions. The UN Security Council last week unanimously approved a new peacekeeping mission of up to 1,608 police for East Timor as the country prepares for elections next year. To contact the reporter on this story: Ed Johnson in Sydney at ejohnson28@bloomberg.net. (Bloomberg)


Claims of Australian/American Links to East Timor Coup Attempt
09/01/2006 03:58 AM
Ousted East Timorese prime minister, Mari Alkatiri, has made claims that "foreign nationals" approached East Timorese military figures to organise a coup against him. However, he was not sure whether they were American or Australian. He said that he did not have any evidence that Australia was behind the coup attempt, but claimed that the Australian prime minister was pushing to have him removed from power. He also defended his management of the newly formed nation and fought for full control of East Timorese oil and gas fields. (ShortNews)



East Timor: NZ's defmin denies his forces to blame for mass Dili jailbreak
Wellington, Aug. 31 (Lusa) –
New Zealand's defense minister rebutted on Thursday charges that his country's troops serving in an international military peace force in East Timor were to blame for a mass Dili jailbreak in which rebel leader Maj. Alfredo Reinado escaped along with 56 other inmates. "New Zealand and the international force aren't, and never were, responsible for the prisons in Timor. This is the sole responsibility of the Timorese Justice Ministry", said Phil Goff in a communiqué. Timorese Justice Minister Domingos Sarmento had told Lusa Wednesday, a few hours after the dramatic mass jailbreak in Dili, that the prisoners had escaped so easily because New Zealand troops had withdrawn from the jail's environs without notifying the relevant authorities. But Goff added that his country's troops were responsible for security in the Becora area of Dili, where the country's main jail is situated, and had been making regular patrols to deter any attacks on the jail. "We are concerned that the prisoners apparently escaped with such ease, leaving through the jail's main entrance. It is a question requiring investigation by the Timorese authorities together with the UN mission in Timor", added Goff.

Earlier the same day, Australian Prime Minister John Howard had added his voice to concerns at the ease with which the 57 inmates escaped from Becora prison. "I think it's premature to advance with considerations over what happened but the matter is being thoroughly investigated", Canberra's premier told Australian radio 2GB. Australian Foreign Minister Alexander Downer is due in Dili Sunday for talks with Timorese and Indonesian officials, including discussions in this week's mass prison breakout in the capital. Meanwhile, fugitive rebel military leader Maj. Reinado has said he is not planning a new revolt and only escaped in a bid to ensure an "independent" trial because of insufficient impartiality in the Timorese justice system. In a videotape sent to Lusa's Dili bureau, Reinado said he would answer for his actions and willingly face trial for the charges he already faces for attempted murder and firearms offences "when the system has improved". Reinado is the former commander of Timor's military police who led a rebel military faction in the deadly violence that erupted in the fledgling nation from April to May. He was arrested July and originally charged with illegal possession of weapons. Over 150,000 people were displaced and at least 20 people killed as Timor's law and order deteriorated from April to May into communal violence and clashes between rival security force cliques. The violence and bloodshed were only brought under control after the arrival of a 2,500-strong, four-nation international security force. The UN agreed last week to send a new security mission to Timor comprising 1,600 police. But Australia will remain in charge of the military contingent in Timor in the near future. (LUSA)


UN Police and International Security Forces to Take Responsibility for Apprehending Prison Escapees
30 August 2006, DILI— United Nations Special Representative for the Secretary-General in Timor-Leste Sukehiro Hasegawa held a press conference today, with UN Acting Police Commissioner Antero Lopes and the Australian Federal Police (AFP) Commander Steve Lancaster. They briefed the media on measures agreed upon between the UN Integrated Mission in Timor-Leste (UNMIT) and the international security forces in the wake of yesterday’s prison break. SRSG Hasegawa said the UN Police and the international forces will take responsibility for locating and arresting Major Alfredo Reinaldo and the 56 other inmates who escaped Becora Prison, east of Dili, yesterday late afternoon.

SRSG Hasegawa said that UN Police and the international police with the support of the bilateral forces had already set up a Task Force with UN police taking the lead in coordinating the Task Force. The Task Force would ensure the security of the population while in pursuit of the escapees, he said. “Brigadier General Slater, commander of the Joint Task Forces (JTF), confirmed military backup as necessary,” SRSG Hasegawa said. He explained this collaboration by stating, “In accordance with the newly adopted Security Council Resolution 1704, international security forces are called upon to cooperate and provide assistance to UNMIT for the implementation of the UNMIT mandate.” Immediate priorities, Acting Police Commissioner Antero Lopes said, are for the safety and security of the population and for the safe recovery of the inmates’ return to jail. He encouraged and urged the population to contact any of the security forces, UN police or the AFP if they have any information on the escaped inmates. “It’s in the interest of their [the population’s] safety,” the Commissioner said.

AFP Commander Steve Lancaster said he was pleased with the well coordinated effort to try and apprehend the escaped prisoners. Immediately after the incident, the military forces set up check points around the city to prevent them from leaving Dili, he said. The AFP had already conducted inquiries in the areas from which the escapees originated and collected witness statements from those present at and around the prison at the time of the incident. The prison guards have also been interviewed, the commander said. He said a large team of international and UN detectives had received photos to facilitate their investigations.

SRSG Hasegawa said while the overall responsibility of ensuring the safety of prison facilities lies with the Government, specifically the Ministry of Justice, external security had been provided by the JTF and the UN had not had a role in providing internal or external security around the prison. “I recommend that the Timorese government undertakes a thorough review of the internal security and the prison management throughout the country,” SRSG Hasegawa said. Later he added that he hoped that “the national leaders would call for the escaped prisoners to surrender themselves.” (UNMIT Press Release)


East Timor rebels stroll out of prison
31 August 2006 GUIDO GOULART
Associated Press
DILI, EAST TIMOR — International security forces joined East Timorese officers in a massive hunt for 57 inmates who escaped from a prison during visiting hours, allegedly by walking out of the front gate in full view of guards. Rebel soldier Alfredo Reinado and others arrested for involvement in recent violence that wracked the tiny country were among those who fled, leading to fears of fresh instability in the country after weeks of relative calm. Officials warned that the escaped convicts — including several pro-Indonesia militiamen convicted in the 1999 riots that left nearly 1,500 people dead — could be armed. Security forces set up checkpoints and searched cars on roads leading out of the city and Sukehiro Hasegawa, the top United Nations official in East Timor, sought to assure the public that everything possible was being done to keep them safe. He appealed to Mr. Reinado to surrender and face justice.

Brigadier Mick Slater, the Australian commander of the international peacekeepers, told Australian Broadcasting Corp. radio that Wednesday's breakout occurred during visiting hours, when inmates were not locked in their cells. Guards were distracted when visitors created “some sort of ruckus,” he said. “The jail break appears to have been a fairly simple matter,” Brig. Slater said. “Reinado and about 56 others essentially walked out the front gate under the eyes of the Timorese prison guards.” The account differed from that of prison warden Carlos Sarmento, who said inmates broke down a wall of the Becora Penitentiary in the capital Dili, blaming the breakout on a shortage of staff. East Timor was plunged into crisis in May after then-Prime Minister Mari Alkatiri fired 600 soldiers — nearly 40 per cent of the armed forces — triggering street battles between rival security forces in Dili that later spilled into gang warfare. At least 30 people were killed and another 150,000 fled their homes. Calm has largely been restored, thanks to the installation of a new government and the arrival of foreign peacekeepers, but isolated acts of violence continue. Australian Justice Minister Chris Ellison said there was a danger the prison break could stir further unrest in the country of less than one million people.

“To have a breakout of this number is also of great concern and it can only destabilize the situation in East Timor,” he told ABC television late Wednesday. He also implied the convicts may have escaped with the help of those visiting the jail or prison authorities, saying “a breakout on such a scale doesn't happen by accident, and that's a concern.” United Nations police and international security forces said Thursday they had mounted a widespread search for the escaped convicts, and urged anyone with information to notify authorities. Brig. Slater said it was possible the inmates had divided into small groups and were seeking shelter with residents. (Globe and Mail)


Clashes break out in East Timor as troops hunt for escaped prisoners
The Associated Press
Published: August 31, 2006
DILI, East Timor Gangs armed with stones and machetes clashed in the East Timorese capital Friday, raising fresh security concerns following the recent escape from prison of a rebel leader and scores of other violent inmates. Hospital officials said at least eight people were wounded in the unrest which broke out after a gang attacked a refugee camp in downtown Dili hotel with stones, witnesses said. International security forces arrived soon after to restore order. East Timor descended into chaos in May amid fighting between factions in the newly independent country's security forces. Tens of thousands of people still live in temporary camps.

International peacekeepers have largely restored order and a new government has been installed, but sporadic gang fights have continued, mostly based on regional divisions exacerbated by the conflict. Local and foreign security forces were searching for 57 inmates who escaped from a Dill prison on Wednesday, including renegade military leader Alfredo Reinado, blamed for some of the worst violence in May, and several of his followers. Prime Minister Jose Ramos-Horta partly blamed the U.N. and neighboring Australia for the breakout, which has raised tensions in East Timor. Australian forces currently head the peacekeeping force in East Timor.

In a telephone interview with Australia Broadcasting Corp. radio, he said the prison was under the control of East Timorese forces, but that Australian peacekeepers must accept some of the blame because they refused to boost security outside. "I am personally just puzzled why, in spite of our repeated requests for static forces to be outside the prison, this was not done," Ramos-Horta said. "I presume the Australian forces, the U.N., as experts in security, they thought it was not necessary." "Had there been strong security outside, this could have been prevented," Ramos-Horta said.

Ramos-Horta also said it appeared the escaped inmates had accomplices inside the prison. "Obviously there was a failure of the internal security but the internal security is not armed and obviously there has to be some complicity inside," he said. Australian Prime Minister John Howard rejected Ramos-Horta's suggestion Australian troops were partly responsible for the escape. "I am very concerned that these people escaped but I am quite certain the Australian Defense Force has done the right thing," Howard told reporters in Sydney. Reinado was a leading member of the campaign to oust former Prime Minister Mari Alkatiri. A prison guard said Reinado told him before the breakout he would return to jail if Alkatiri was also imprisoned. Alkatiri is currently under investigation for allegations he provided guns to a hit squad tasked with killing his political opponents. "Before Major Alfredo left the prison he told me that he would return when Alkatiri was in prison," prison guard Helio Watumisa Monteiro told The Associated Press. "We are the victims of an unfair tribunal." Authorities waited more than a month to arrest Reinado following the May violence even though he made no effort to hide and East Timor's President Xanana Gusmao has always refused to criticize his actions, leading some to question whether his rebellion was part of wider moves to get rid of Alkatiri. Both Gusmao and Ramos-Horta also demanded Alkatiri step down. (International Herald Tribune)



Young gunner returns home from East Timor
Thursday, 31 August 2006
YOUNG Tamworth man Cory Myers is enjoying a few weeks' break back home after a three-month peace keeping mission in East Timor. Gunner Myers is a gunner in the Royal Australian Artillery and was called to Dili after violence broke out in the capital. He said his time there was relatively uneventful but "it was just good to get over there and help out". "We did a lot of patrols and just tried to have a presence. "It was pretty much a ghost town for the first two weeks. "Everyone was too scared to come out of their houses." Gnr Myers said he didn't know what to expect of the conditions there. "It was a bit of a culture shock. They don't have brick houses or TVs or McDonalds. It's pretty poverty stricken. "It makes you realise how good you've got it in Australia – little things like getting into your car and going to the movies." Gnr Myers will go back to Townsville's Lavarack Barracks this weekend to return to his normal duties, which include ongoing training. The 22-year-old has been in the army for about 10 months. "I always wanted to do something for Australia, I've wanted to do that ever since I can remember." Gnr Myers said he had also gained many benefits. "I'm heaps fitter because I'm always running everywhere," he said. "I've also learnt how to conduct myself. "I feel like I have better people skills and I'm better at overcoming language barriers." (Northern Daily Reader)



Alkateri claims west tried to overthrow him
August 30, 2006 - AAP
FORMER East Timor prime minister Mari Alkatiri has said unnamed westerners approached army commanders to organise a coup against him.
He also alleges Australian Prime Minister John Howard had pushed for him to step down. Dr Alkatiri did resign earlier this year amid allegations he had a hand in organising death squads to eliminate political opponents. But in an interview tonight with the SBS program Dateline, Dr Alkatiri claimed “foreign nationals” tried to organise a coup against him because he was “too independent” and threatened Australian interests in the oil and gas fields of the Timor Sea. “I was informed by the commanders of the (East Timorese) army of the situation,” Dr Alkatiri told SBS. “They (the army chiefs) were approached by some Timorese and some foreign nationals but I was fully aware and confident in the command of the army that I didn't think it was an issue that could worry me and it was nothing.” Mr Alkatiri said it was not clear whether the foreigners were Australian or American. “Even the commanders were not clear on this. If they were Australian or American ... between these two,” he said. “But I still have no clear information from the command if they were Australian or American, but surely they were English speaking.” Asked if he had any evidence that Australia was involved in the coup attempt, he said he did not, but strongly believed Mr Howard wanted him gone. “Evidence? No. But the only prime minister in the world that was really 'advising me' – quote, unquote – to step down was the Prime Minister of Australia during these, say, these difficult days,” Dr Alkatiri said. He defended the way he ran the country, saying he fought hard for full control of the Timorese oil and gas fields. “What I was doing in my term was to defend the interests of my people in having the resources to develop this country independently, not to be dependent,” he said. “I was fully aware we have our right on the Timor Sea and we have to defend it, not because I am anti-Australian, I like very much Australia as a country, as a nation, as a people.” (The Australian).


PRESS RELEASES

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE
GABINETE DO PRIMEIRO-MINISTRO


Prime Minister Addressed First Day of Meeting with District and Sub-District Administrators

The President and Prime Minister attended the first day of the meeting held yesterday, August 31, with the District and Sub-District Administrators in Maubara, Liquica district.

The meeting was convened by the Ministry of State Administration to discuss the administrator role in the nation’s peace, unity and development, as well as to support and mobilize the administrators and discuss the 2006/07 budget.

The meeting was opened by Minister for State Administration Ana Pessoa, who introduced the Prime Minister and the President. The Prime Minister’s speech emphasized the need for cooperation within the government and showed a strong interest in supporting the district and sub-district administrators. The district and sub-district administrators then put forward questions and concerns to the panel.

The Prime Minister addressed the issue of law and order, and stressed the importance of dialog and justice, on which points the President agreed. The Prime Minister and President also both called for political neutrality among the civil servants, urging all officials to serve their country above all other considerations.

The Prime Minister encouraged local leaders to take a pro-active approach to local security, and to mobilize their communities to ensure the safety and security of all citizens. He cautioned that if local leaders do not show strong leadership, then the national government and security forces will be unable to completely solve the problem of national security.

Today the meeting of the district and sub-district administrators will continue with discussions on the general and presidential elections of the next year.


Dili, 1 September 2006

For further information, please contact the media advisor:
Rui Flores (tel. +670 723 01 40 or
rui.flores@gmail.com)

PARLAMENTO NACIONAL
Extraordinary Plenary Session
Agenda n. 442/I/4a
Thursday, 31 August 2006


Today’s Plenary session was chaired by the President of the National Parliament, Mr. Francisco Guterres “Lu-Olo”, the Vice-President Mr. Jacob Fernandes, the Secretary of the Mesa, Mr. Francisco Carlos Soares and the Vice-Secretaries, Ms. Maria Terezinha Viegas and Ms. Maria Avalziza Lourdes.

The Prosecutor General, Dr Longuinhos Monteiro and the Deputy Prosecutor General took part to today’s plenary session to present to the National Parliament the annual report of the activities of their office, in accordance to art. 133 of the RDTL’s Constitution.

In his intervention, the Prosecutor General informed that his office faced and is still facing a number of difficulties in the accomplishment of its daily routine, in particular he highlighted:

That the activities of the Office of the Prosecutor General are being jeopardized by its job being directly linked to Institutions that are nowadays facing serious obstacles, for instance the Investigation Unit of the Police;
The lLack of qualified human resources as well as of equipment;
The lack of international advisors (at the moment only one international prosecutor is working in the office of the Prosecutor General);
The loss of many documents during the events of last April/May;

Dr. Longuinhos Monteiro reminded that this “new” office is making a big effort to defend the democratic legality together with the Law and Order in Timor-Leste.

The Prosecutor General gave the following statistic information:


Criminal Lawsuits----2005 (Jan-December )----2006 (Jan-May)------2006 (June-August)
Received---------------------------820--------------------312-------------------------- 281
Completed--------------------Completed ------Lack of data Lack of data------------47
Pending----------------------------985-------------------1089-------------------------1323

The MPs expressed their concern as regards the capacity of the Office of the Prosecutor General to prosecute the pending criminal lawsuits, in particular the ones related to the events that took place last April and May. The MPs also asked information about the Ex-Prime Minister case and about the prisoners that yesterday escaped from Becora.

The Prosecutor General highlighted that the presentation of the annual report of its office’s activities was the only reason of his intervention before the Plenary, he nonetheless declared his availability in providing detailed information to the competent Specialized Parliamentary Committee on the different cases. Dr. Longuinhos Monteiro also informed that its office hopes to receive the support of UNDP, of UNMIT and from the bilateral cooperation with Brazil as soon as possible.


NATIONAL NEWS SOURCES:
Timor Post (TP)
Radio Timor-Leste (RTL)
Suara Timor Lorosae (STL)
Diario Tempo (DT)
Diario Nacional
Seminario
Lia Foun (LF)
Televisaun Timor-Leste [TVTL]

These Items Do Not Reflect the Position or Views of the United Nations. UNOTIL Public Information Office
- END –

Notícias de Timor-Leste (UNMIT Media Report)

UNPOL And International Police Would Detain Escapees: Antero
SRSG Sukehiro Hasegawa said the UN together with the International Forces and International Police have the responsibility to locate and detain Major Alfredo and other prisoners that escaped from jail on Wednesday. Speaking during a press conference Thursday, Hasegawa said the new UN mission, UNMIT, had established a joint task force to maintain peace and stability in Timor-Leste and he has requested the police commissioner to head the task force. According to Diario Nacional SRSG Hasegawa said he has already requested the government to review the joint security arrangements for the prisoners especially during visiting hours. SRSG said security for the prison is the responsibility of the government, but the international forces would conduct frequent patrols to that area as agreed to by the military commander, Brigadier Mick Slater, in accordance with the UN Security Council resolution which says the international forces were invited to support the implementation of the UNMIT mandate which includes provision of security to the public. On the same occasion, the Acting Police Commissioner, Antero Lopes said the international forces are working together to provide security for the population and are trying to bring Major Alfredo back to prison in order to process his case legally. Australian Federal Police commander, Steve Lancaster said there are cooperation efforts from all the international forces in Timor-Leste including the UN to re-capture the getaway prisoners. Lancaster said the military had also set up checkpoints to search vehicles entering and leaving Dili as well as in the capital. He said he believes Alfredo is still around in Dili and appealed to anybody with information about the prisoners to alert the police. (STL)

Notícias de Timor-Leste

UNMIT
Daily Media Review
Compiled by the Public Information Office from national and international sources

Friday, 01 September 2006

Minister of Justice Responsible for Prisoners Getaway
MPs have raised their concerns in relation to the prisoners that escaped from jail on Wednesday saying Minister of Justice is responsible. The President of the National Parliament, Francisco Lu’Olo Guterres lamented the incident noting that such an incident had not occurred in the past four years. Guterres considered the case to be serious for the trial process. He said the fundamental problem of the incident rests with the Ministers of Justice and Defence and the trainers. He added that the Minister for Justice should have looked into the security of the prison following the withdrawal of the international forces. Some of the MPs were of the opinion that the Minister of Justice, Domingos Sarmento, should be asked to resign as a result of the prison escape; others raised the concern that the escape of Alfredo and other prisoners would have a negative impact on the elections in 2007 and some said it would stop the reconciliation process that has been organized by President Gusmão. In the meantime the Minister of Justice, Domingos Sarmento said he is prepared to step down but it is up to the Prime Minister to decide.

In a separate article, the Director of NGO Yayasan Hak, Jose Luis Oliveira said the getaway of Alfredo and other prisoners would not only have an impact on the government but greatly on the population of Dili. Oliveira said it is likely that some people have already packed and left for the districts. According to Diario Nacional, Oliveira said another impact would be on the reconciliation process, which is part of the government program to resolve the recent crisis.

Still on the escape of the prisoners, Aniceto Neves, an observer from Hak said the government has given big expense salaries to the international judges to strengthen the judicial system in Timor-Leste but it continues to remain the same. He further said there are many people in the jails in Becora, Ermera and Baucau whose status has not been revised, adding he is of the opinion that the contract with the international prosecutors is not fortifying the Timorese justice. Neves is of the opinion the getaway of the prisoners on Wednesday is the government’s fault. He pointed out that Alfredo and his group were on trial detention up until 28 August but did not receive a court justification. He questioned why they were detained beyond the set date and prolonged until the 30th to be the start of investigations which did not happen. He also said Alfredo received many threats while in detention, reported STL.

Diario Nacional reported Minister of Justice, Domingos Sarmento as saying that the prison guards were threatened with grass scissors when visiting time was coming to an end, adding that a team has been formed to work with the international police to investigate the 60 prison guards on duty.

Prime Minister Ramos-Horta appealed to the population not be concerned with Alfredo’s escape because he is not the “giant of Timor-Leste”, adding Major Alfredo was in detention for carrying illegal weapons. In relation to reports of F-FDTL in possession of weapons, the Minister told heads of villages and districts during the gathering in Maubara that the information gathered must be concrete in order to have these people detained. (TP, STL, DN)

8.8.06

Sobre as línguas oficiais de Timor-Leste

via Timor Online
Prof. Dr. Geoffrey Hull (Universidadede Western Sydney - Austrália)
Parece-me que o papel central da língua portuguesa na civilização timorense é completamente inquestionável. Em poucas palavras, se Timor-Leste deseja manter uma relação com o seu passado, deve manter o português. Se escolher outra via, um povo com uma longa memória tornar-se-á numa nação de amnésicos, e Timor-Leste sofrerá o mesmo destino que todos os países que, voltando as costas ao seu passado, têm privado os seus cidadãos do conhecimento das línguas que desempenharam um papel fulcral na génese da cultura nacional.
Parece axiomático que o conhecimento do passado duma nação seja uma condição prévia para a construção de um futuro próspero, mas estamos num tempo materialista em que a procura agressiva de poder económico ameaça seriamente as instituições bem como aqueles valores tradicionais que ainda não foram destruídos. É importante que os seres humanos tenham presente que um poder económico que os diminui espiritual, intelectual e culturalmente é na realidade uma forma de tirania.
Receio que considerações de carácter materialista tenham inspirado, pelo menos em parte, o súbito movimento em Timor-Leste para a promoção do inglês como língua co-oficial. Neste momento parece haver uma certa corrente popular que identifica a língua inglesa como a única chave da tão desejada prosperidade económica. O que me parece que não é tido em conta é a considerável ameaça que o inglês pode representar para a integridade cultural de Timor-Leste.
Os linguístas referem-se frequentemente à língua inglesa como uma língua "assassina", uma língua imperialista, que na história mundial tem mais do que qualquer outra, a triste fama de levar outras línguas à extinção.Parece claro que o tétum seria um parceiro muito inferior e ameaçado num eventual binómio com o inglês. As perspectivas para a sobrevivência e o desenvolvimento do tétum são mais animadoras num contexto de relação contínua com o português, que é a sua fonte tradicional para a ampliação e a renovação do léxico.

19.7.06

Cimeira da CPLP chega ao fim em Bissau

Unidos pela cultura
Nando Coiaté, correpondente em Bissau (Expresso)

O primeiro-ministro Sócrates e o Presidente Cavaco foram a Bissau deixar clara a sua vontade de unir pela cultura os países da CPLP.

A ASSINATURA da «Declaração de Bissau», um documento síntese das decisões adoptada pelos representantes dos oito Estados membros, marcou o encerramento da VI Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou importantes medidas na vertente cultural, em particular no reforço da língua. Por sua vez, o Presidente, Aníbal Cavaco Silva, que representou Portugal na companhia do primeiro-ministro, propôs Lisboa como o local da próxima cimeira, em 2008, sendo que, acolherá entretanto uma conferência internacional para a harmonização do ensino universitário dos países de expressão portuguesa. No que toca ao apoio à Guiné-Bissau, Cavaco Silva destacou o reforço do ensino, com a duplicação do número de professores de língua portuguesa e de outras disciplinas já no próximo ano.
Por seu lado, Bissau cedeu um terreno na principal avenida da capital, para a construção das futuras instalações do Centro Cultural Português, uma velha aspiração local.
No plano das reformas do secretariado executivo, destaca-se a alteração das competências e a adopção de uma orientação estratégica e negocial. Todas estas alterações impuseram mexida nos estatutos, também para permitir a criação do Parlamento comunitário, que será o quinto pilar da organização.
O embaixador Luís Fonseca, o cabo-verdiano que dirige a CPLP, viu o seu mandato prolongado por mais dois anos, com poderes para mobilizar financiamentos.
É a falta de recursos que tem afectado, por exemplo, o funcionamento do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), com sede em Cabo Verde, o qual passará a ser dirigido pela linguista angolana Amélia Mingas.
A ex-colónia espanhola Guiné-Equatorial, que os navegadores portugueses descobriram e denominaram ilha de Fernando Pó, foi admitida como observador associado. O mesmo estatuto foi atribuído às ilhas Maurícias, vizinha de Moçambique, e a mais 17 instituições, o que contribuirá para a projecção internacional da lusofonia.
Para o chefe da diplomacia portuguesa, Luís Amado, esta cimeira foi um «voto de confiança num futuro mais promissor» para a Guiné-Bissau, cujo chefe de Estado, Nino Vieira, assume a presidência rotativa da CPLP nos próximos dois anos.
No seu discurso, ao encerrar o conclave o líder guineense prometeu promover o reforço dos sentimentos de pertença dos cidadãos à comunidade. Afirmou que vai também promover o reforço dos mecanismos de «consulta e concertação, da diplomacia preventiva, para a organização lidar melhor com as situações de crise».
A ausência do chefe de Estado são-tomense, Fradique de Meneses, foi muito comentada e causou alguma decepção na conferência, já que, na sua qualidade de presidente cessante da CPLP, a sua deslocação era dada como certa, mesmo estando o país em vésperas de eleições.
O presidente timorense Xanana Gusmão interveio por vídeo-conferência. Timor foi também evocada na sessão solene do X aniversário da organização, numa mensagem de Durão Barroso, lida pelo representante da União Europeia em Bissau. Durão garantiu o apoio da Comissão Europeia se as autoridades de Díli prosseguirem os esforços de normalização da situação política num «quadro constitucional».
Uma mensagem do diplomata brasileiro José Aparecido de Oliveira, que muitos consideram um dos pais fundadores da CPLP, foi lida no início da sessão de encerramento, que assinalou o décimo aniversário da organização lusófona, fundada em Lisboa.

25.6.06

Francisco José Viegas

PRÉMIO DE ROMANCE E NOVELA
ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ESCRITORES
Discurso
Gostaria de agradecer este prémio ao júri que mo concedeu, à Associação Portuguesa de Escritores, que o organiza anualmente, e, claro, às entidades que colaboraram com a APE e o tornam possível.Já referi antes que nunca pensei recebê-lo e que foi uma surpresa a sua atribuição. Estas palavras podem confundir-se com pura imodéstia disfarçada de desprendimento, mas quem me conhece sabe que são verdadeiras e que a surpresa também o foi. Por isso, a alegria em estar aqui é maior e até mais profunda. As minhas palavras nesta circunstância apenas podem ser de gratidão e de um certo enlevo – e de vaidade, naturalmente, porque somos humanos e devemos viver, ainda que com intensidades diferentes, cada distinção e cada desaire. Distinções e desaires compõem a vida de todos – se bem que, no caso de quem escreve, o desaire deva ser entendido como um livro que não resultou e uma distinção deva ser vista como o reconhecimento pelo trabalho realizado.
Estas designações são sempre subjectivas. Cada um sabe e conhece os caminhos do seu trabalho. Cada um conhece as penumbras e as ilusões que o guiam. Cada um, cada autor, conhece o seu próprio caminho melhor do que ninguém e, por mais que tentemos escrever ou falar sobre o método, as alegrias e as dificuldades do nosso trabalho, há sempre aspectos que não conseguimos traduzir ou descrever. Podemos falar deles, claro, e falar deles com absoluta sinceridade – mas, com alguma probabilidade, não acreditariam inteiramente.
Eu escrevo histórias. De alguma maneira, imagino histórias que me comovem e que gostaria que comovessem os meus leitores. Se há alguma definição, em teoria da literatura, para o género de romance que eu gosto de escrever, acredito que seria essa. E que a frase decisiva seria essa também: “Eu escrevo histórias.” Acho que escrevo histórias porque gosto de ler as histórias dos livros dos autores que aprendi a amar desde a infância e a adolescência. Algumas delas duram mais na memória e, também aí, os factores que levam uma história a permanecer na nossa memória são também subjectivos. Podemos tentar explicá-los, mas há sempre qualquer coisa que sobrevive numa leitura – e que não conseguimos descrever. Por isso, uma das palavras de que mais gosto é “poeira”. A poeira das estradas no meio da floresta. A poeira dos caminhos. A poeira do deserto. A poeira do céu, aquela nuvem que atravessa a geografia de todos os lugares onde estivemos. A poeira, enfim.
Eu escrevo histórias, portanto, e gosto da palavra “poeira”. Tal como gosto da palavra “perturbação”. Da palavra “paisagem”, da palavra “lugar”.Talvez por isso, por eu gostar de escrever histórias que algum dia me comoveram, não posso falar em nome dos outros nem acho que o trabalho do escritor, seja ele contador de histórias ou não, deva ser realizado em nome de outra coisa senão da alegria de escrever e, por interpostas pessoas, da alegria de ler.Escrevo histórias porque não acredito num mundo sem história, sem memória e sem perturbação. A história e a memória mostram-nos que vivemos com os outros e que são os outros que justificam todas as narrativas; sem os outros não teríamos ninguém para contar histórias, não teríamos ninguém para ouvir as nossas histórias, ou seja, não teríamos com quem viver. A perturbação, por seu lado, ensina-nos que a pequena verdade de cada um, a pequena verdade dos outros, pode pôr em causa a nossa verdade absoluta, aquela em que acreditamos.
No meu caso, os outros, além dos meus leitores, dos meus filhos, dos meus pais, dos meus amigos mais chegados, os outros são os meus personagens. Comecei este breve discurso agradecendo o prémio. Terei de agradecer também aos meus personagens, aos personagens dos meus livros. Sem eles eu não teria conseguido escrever nem contar histórias, nem ter vivido os momentos dessa estranha e no entanto intensa felicidade que é a de ver que, subitamente, esses personagens já não dependem de mim mas da vida inteira, da vida que vem nos livros. Conheço o inspector Jaime Ramos, o detective de “Longe de Manaus”, há algum tempo. Há cerca de quinze anos que ele vive comigo e que eu conto as suas aventuras. De alguma maneira, como vêem, nem as histórias me pertencem, mas sim aos meus personagens. É verdade que o detective Jaime Ramos só existe porque eu o inventei, ou o criei, ou o escrevi. Mas isso acontece porque ele vive, melhor do que eu, esse mundo de perturbação e de poeira onde situo as minhas histórias. Ele é um homem vulgar e céptico. Talvez um pessimista, até. Tem hábitos vulgares. A sua excepcionalidade, o que para mim se revelou excepcional no seu carácter, foi a sua capacidade de permanecer vulgar, céptico, dedicado, tranquilo, apesar da vida inteira, a sua e a dos outros. Agradeço-lhe ter aceite este papel de personagem dos meus livros. Agradeço aos outros personagens que os habitam: ao inspector açoriano Filipe Castanheira, por exemplo, que não entra neste livro, mas que começou a minha série de histórias policiais. A Daniela e a Helena, de “Longe de Manaus”, por quem me apaixonei. Ao brasileiro de Manaus, Osmar Santos, que me proporcionou muitos momentos de riso. Ao detective Isaltino, a quem admiro a sua modéstia tremenda, de homem humilde. Agradeço à namorada de Jaime Ramos, Rosa, que não me importaria de ter conhecido antes de escrever os seus diálogos. E estou grato, evidentemente, aos lugares que aparecem no livro – o Porto, Trás-os-Montes, o Douro, a Guiné, Cabo Verde, Angola e, naturalmente, o Brasil. Se não existissem esses lugares, não teria podido escrever. Graças a eles viajei bastante.
Mas sobre muitas outras coisas, estou grato à língua que usam os nossos escritores – os nossos, os escritores de língua portuguesa. Este livro tem duas ortografias, a portuguesa e a brasileira, mas serve-se de uma única língua, divertida, dramática, pueril, fantástica, sitiada, brincalhona, empertigada, humilde, e dividida por vários continentes onde já não depende de nós, portugueses, mas de todos os que a falam independentemente de nós – e essa é a sua melhor promessa, a nossa melhor herança. É por ela que falam os nossos mestres, de Luís de Camões e Fernão Mendes Pinto a Machado de Assis, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Cesário Verde ou Fernando Pessoa. Eu acho que devemos venerar os mestres e as suas lições, as que atravessam o tempo e sobrevivem às inclinações do mundo, as que vêm de Fernão Lopes a Rubem Fonseca, de Sá de Miranda a Vergílio Ferreira e José Cardoso Pires. Eles são os mestres da nossa língua e a garantia de que ela existe para lá e para além dos dicionários do presente. Se algum dia a escola tiver dúvidas sobre a nossa língua, eles estão aí. Sem eles não poderíamos falar da nossa língua.
Há também um nome que gostaria de referir aqui, o de Miguel Real, autor de “Em Nome da Terra”, um livro notável que foi finalista, comigo, nesta escolha do júri do Prémio APE. Miguel Real é um autor muito raro e de altíssima qualidade, e o seu livro é uma fantástica narrativa sobre uma parte da História de Portugal. Foi das primeiras pessoas a felicitar-me porque ambos sabemos que eu seria também uma das primeiras pessoas, senão a primeira, a felicitá-lo, como já aconteceu de outras vezes.
Não quero terminar a lista de agradecimentos sem mencionar uma pessoa a quem estou ligado por laços muito mais fortes do que a simples relação, digamos, literária. Falo do meu editor Manuel Alberto Valente. Em vários momentos em que o meu pessimismo ultrapassava o do próprio detective Jaime Ramos, o meu editor ensinou-me que vale a pena insistir, persistir, não dormir às vezes, e sobretudo não ceder ao que não devemos ceder. A sua companhia, ao longo destes últimos quinze anos, foi também preciosa e não podia esquecê-lo agora.
Um prémio agradece-se. Ele honra-nos e provavelmente traz-nos alguma responsabilidade acrescida. Agradeço-o, portanto, e sinto-me honrado. A minha única responsabilidade, no entanto, é apenas para com o meu próximo livro, para com a minha próxima história.
[Francisco José Viegas]

16.6.06

Timor-Leste: textos importantes

Parlamento Europeu quer força da ONU em Timor
Civis devem ser desarmados in Expresso

O Parlamento Europeu (PE) defendeu hoje que «o processo de gradual redução da missão das Nações Unidas em Timor-Leste ao longo dos últimos quatro anos tem de ser invertido», e solicita o envio urgente de uma força policial sob os auspícios das Nações Unidas. A iniciativa tem por objectivo ajudar a restaurar a estabilidade do país.
A resolução, adoptada hoje em Estrasburgo, foi aprovada numa votação de braço no ar, apontando também para o envio de uma delegação do Parlamento Europeu a Timor-Leste no próximo Outono, para avaliar a situação política e examinar a adequação dos programas de assistência da União Europeia (UE).
O PE solicita ao Conselho da União Europeia e à Comissão Europeia que instem as autoridades timorenses a «proibir, dissolver e desarmar» todos os grupos paramilitares, gangs e civis armados, e a dar conta das preocupação da UE relativamente à violência policial em todos os encontros oficiais ao mais alto nível que mantenham com o governo de Timor-Leste. Pede, ainda, à UE e à comunidade internacional que «mantenham e aumentem o apoio necessário para consolidar a democracia e a cultura democrática em Timor-Leste», concentrando-se designadamente no fomento
da cultura multipartidária, na edificação das instituições e no
reforço das redes de educação e de saúde.
De acordo com a resolução, o papel desempenhado pela comunidade internacional, e em particular a ONU e o seu Conselho de Segurança, é de «importância vital» para o processo de consolidação da democracia na «jovem nação» de Timor-Leste.
A proposta de resolução teve como co-signatários a deputada
socialista Ana Gomes, pelo Grupo Socialista, e o líder democrata- cristão José Ribeiro e Castro, pelo Partido Popular Europeu.
O documento sublinha a necessidade de, no respeito pela
soberania das autoridades de Timor-Leste, se estabelecerem canais eficazes de comunicação e colaboração entre as forças internacionais presentes no território, com vista à restauração da ordem pública e rápida reposição da normalidade institucional.
Além de apontar a urgência de estender a cobertura por parte dos órgãos de comunicação social a todo o território, a assembleia solicita ainda à comunidade internacional que
aumente «substancialmente» apoio com vista à monitorização efectiva a questão dos direitos humanos em Timor-Leste e que providencie ssistência para o desenvolvimento de grupos locais de direitos umanos, bem como serviços locais para vítimas de abusos.
Dirigindo-se aos timorenses, o Parlamento Europeu insta o
governo e o presidente a tomarem «todos os passos necessários» para pôr fim à violência e restaurar um ambiente estável em total respeito pela Constituição.
Pede também às partes em conflito para se envolverem num
diálogo que inclua todos para discutir as diferenças políticas.
Recorde-se que na passada terça-feira, por ocasião de uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o secretário-geral Kofi Annan admitiu que a ONU reduziu a sua presença em Timor-Leste demasiado rapidamente, e
que «tendo em conta o que aconteceu» é preciso reavaliar a presença no terreno.
Segundo este responsável, a ONU não tenciona enviar forças de paz para Timor-leste nos próximos seis meses, tendo Kofi Annan afirmado que esperava que os países que têm actualmente forças no território, como Portugal, continuem a «ajudar a manter a lei e a ordem até que o Conselho de Segurança tome novas decisões».
Na próxima semana, o Conselho de Segurança reúne-se, novamente para prolongar o actual mandato da missão da ONU em Timor-Leste (UNOTIL), que termina dia 20, uma decisão saudada hoje pelo Parlamento Europeu.
A onda de violência em Timor-Leste já provocou mais de duas dezenas de mortos e cerca de 130 mil deslocados.


19:03 15 Junho 2006

9.6.06

Timor-Leste: textos importantes

By IAN McPHEDRAN, 03jun06
AUSTRALIA will play hardball with the United Nations over any fresh resolution for East Timor and will insist on controlling the military and policing aspects of the mission.It is understood the Government wants virtually no UN interference over security functions in the trouble-plagued country. That means a long and costly military deployment for Australian taxpayers to fund.
The operation is already chalking up a bill of tens of millions of dollars a week, and any long-term commitment in the numbers required to keep a lid on the troubles would come at a huge cost.
Government sources yesterday confirmed Australia would draw a line in the sand on security, but added there was still a "long way to go" in negotiations for a new UN Security Council resolution.
Foreign Affairs Minister Alexander Downer is due to fly into Dili this morning for urgent talks on the crisis.
He will meet President Xanano Gusmao and other senior officials. Mr Downer will be briefed on the military situation by Brigadier Michael Slater and on the political situation by Ambassador Margaret Twoney.
Meanwhile, diplomatic sources have told The Advertiser Prime Minister John Howard will visit Dili "soon" to see the Australian-led mission for himself. "Howard is coming up next week," one source said.
The Prime Minister's office would not comment but it is understood that a visit won't proceed until things have settled down enough so that Mr Howard would not get in the military's way.
Military chief Brigadier Slater yesterday flew to Maubissi, south of Dili, for talks with one of the rebel military leaders, Major Alfredo Reinado. Brigadier Slater said his talks with Reinado had gone very well. "He is co-operating with us fully," he said. Brigadier Slater is meeting all the key factional players and he was confident that all would agree to disarm.
"They want to talk," he said.
Dili was much calmer yesterday with trouble confined to the looting of a few homes and offices and some localised gang clashes.
The resignations of Interior Minister Rogerio Lobato and Defence Minister Rocque Rodriguez had an immediate dampening effect on the level of violence.
The city was virtually free of smoke for the first time in more than a week and people began to trickle back to their homes.
Australian Federal Police forensic investigators continued to probe crime scenes, particularly the remains of a house in which two adults and four children were burned alive.
A major humanitarian operation is in full swing to feed more than 50,000 people living in camps around the capital and in the countryside.
The rumour mill is working overtime and many people are fearful of a major conflict between warring military and police factions now holed up in the hills above the city.
Australian, New Zealand and Malaysian patrols are starting to bite and security will be bolstered by the arrival today of 140 Portuguese GNR police.
Known as the "head kickers", they will not be under military command and will answer directly to the Portuguese Embassy - which might present a few challenges for Brigadier Slater and his police advisers.

Timor-Leste: textos importantes

European Commission and the Government of Timor-Leste sign strategic document on their cooperation for the period 2006-2007
The European Commission and the Government of Timor-Leste have signed today the Country Strategy Paper (CSP) for 2006-2007. Timor-Leste ratified the Cotonou Agreement in December 2005. The CSP foresees an envelope of € 18 million and is accompanied by a National Indicative Programme (NIP) that identifies sustainable rural development and institutional capacity building as the main areas for the EC cooperation in the next two years.
European Commission President José Manuel Durao Barroso said : “This is a strong manifestation of the full support and solidarity of the European Commission with the people and government of Timor Leste, which I expressed in a letter to President Xanana Gusmao last week.”
The European Commissioner for Development and Humanitarian Aid, Louis Michel stated: “The Commission stands ready to continue assisting and accompanying Timor-Leste in its continuing efforts to build a new independent and democratic state, respectful of the Rule of Law and pursuing social and economic development.”
The CSP was signed by Minister of Planning and Finance, Mrs Maria Magdalena Boavida in the presence of Prime Minister Mari Alkatiri and Foreign and Defence Minister, José Ramos Horta.
The Country Strategy Paper bridges the gap between the end of the cooperation under the Asia and Latin America Regulation (to which Timor-Leste was ascribed before the ratification of Cotonou) and the programming of the 10th European Development Fund (EDF), starting in 2008. The amount of € 18 million will be devoted to finance projects to reduce poverty in all sectors and regions of the nation and to promote equitable and sustainable economic growth, improving health, education and well being of the people of Timor-Leste. The second focal sector, institutional capacity building, aims at achieving sustainable national capacity for effective planning, finance management and improved service delivery by the public institutions.
Gender, environment and governance are cross-cutting issues present in all aspects of the Strategy. Involvement of Non-State Actors (NSA) aims at ensuring local ownership and sustainability.
Of the total € 18 million, € 12 million are earmarked for rural development, while € 6 million will be devoted to capacity building, including a Technical Cooperation Facility that is intended to help the local authorities in the implementation of the aid package.
Under the 10th EDF, the European Commission has foreseen an indicative financial allocation of € 63 million for the period 2008-2013. The focal areas of EC support will be identified together with the Government of Timor-Leste in the coming weeks.

Since Timor-Leste is confronted with immediate urgent needs,he EC’s Directorate General for Humanitarian Aid (ECHO) has fielded a mission to the country to assess the situation in coordination with other donors and agencies. This preliminary needs assessment mission is now completed and the Commission is confident that an appropriate response will follow swiftly.

5.6.06

Timor-Leste: textos importantes

Stand up, the real Mr. Alkatiri
Helen Hill
The Australian Government and media have demonised East Timor's PM without knowing all the facts,Ever since the August 2001 elections for the Constituent Assembly in East Timor - when the longest-standing party of resistance, Fretilin, won a convincing 57 per cent of the vote against 14 other parties - I have observed among Australian embassy employees in Dili, and most Australian journalists who write about Timor, a readiness to criticise Mari Alkatiri, East Timor's Prime Minister, on grounds that show they barely know anything about him.The Bulletin and The Australian regularly recommend his overthrow. The week before the Fretilin congress in Dili, the ABC joined them as regular Alkatiri critics. Jim Middleton on the ABC's evening news wondered "what would happen if Alkatiri decides to resist" calls for his resignation, and uncritically put to air claims from a sacked Fretilin central committee member alleging that 80 per cent of the central committee was against the Prime Minister. A week later, after further violent episodes in Dili, we saw Maxine McKew on Lateline trying to put words into the mouths of MPs Malcolm Turnbull and Peter Garrett: "Wouldn't you say there's not much support for Alkatiri?" How could they possibly know, if all they saw were the Australian media?Who is Mari Alkatiri and why does he arouse such hostility from Australian politicians and media presenters? While Alkatiri was being told by Australians he should resign, he was also taking phone calls from the Portuguese and other prime ministers, wishing him well and urging him not to.With Jose Ramos Horta, Alkatiri helped found Fretilin when, back in the early 1970s, it took the form of a clandestine group of young people meeting under the nose of the Portuguese colonialists in front of the building where he now has his office. On the eve of the full-scale Indonesian invasion, Alkatiri, who had already graduated as a surveyor in Angola, was sent with Ramos Horta and Rogerio Lobato to put Timor's case at the United Nations. His exile lasted 24 years, but it was productively used; he studied law and economics at Eduardo Mondlane University in Mozambique, with South African exiles and others struggling for freedom. Mozambique had offered scholarships to any Timorese students who could qualify for admission, and it was this group, who worked in many professions on graduating and gained a great deal of experience in economic development, who now form the backbone of the public service. In Mozambique, Alkatiri learnt a great deal about international organisations and how to avoid falling into some of the traps Mozambique had encountered. His negotiating skills that the Australian Government finds so fearsome were gained during this period.Every year he was with Ramos Horta at the UN General Assembly for the debate on East Timor. In 1998 it was Alkatiri who did most of the thinking that led the multi-party National Council for Timorese Resistance to adopt its "Magna Carta", linking Timor's future policies with the best standards in international practice coming from the UN's conferences on human rights, environment, population, women and social development during the 1990s.Detractors frequently allege that Alkatiri's presence in Mozambique for 24 years means he is some sort of unreconstructed Marxist. In reality, he is an economic nationalist with a strong awareness of environmental issues and woman's issues; he regularly speaks out on violence against women. He has spoken against privatisation of electricity and managed to get a "single desk" pharmaceutical store, despite initial opposition from the World Bank. He hopes a state-owned petroleum company assisted by China, Malaysia and Brazil will enable Timor to benefit more from its own oil and gas in addition to the revenue it will raise from the area shared with Australia. At the Fretilin congress, he announced initiatives for scrapping school fees in primary school and introducing state-funded meals in all schools.There is widespread support in Timor for Alkatiri's decision not to take loans from the World Bank, although it gave Timor a few years of extremely low salaries in the public service. The Cuban doctors invited by Alkatiri to serve in rural areas are also very popular, as is the new medical school they are establishing at the national university.The young intellectuals at the university and the leadership of many Timorese non-government organisations praise Alkatiri's economic knowledge and his ability to defend Timor's interests against the likes of the World Bank and the Australian Government (over the Timor Sea issue), while being disappointed with slow progress on educational reform and development of the co-operative sector.His major errors of judgement include a draconian defamation law, which has drawn the ire of much of Timor's media, and his tardiness in intervening on the sacking of the dissident soldiers, in which he has supported decisions made by army commander Taur Matan Ruak.Another frequent accusation is that Alkatiri is "arrogant", and, while this might be the case, he has increased massively the public consultations held over the last year. Under East Timor's semi-presidential constitution, the president is popularly elected while ministers are appointed by the party with the majority in the Parliament. Alkatiri has sacked some ministers for poor performance, and some of them provided support for his challenger at the Fretilin congress.In a rather bizarre twist, one of Alkatiri's unashamed supporters during this crisis has been the World Bank, whose director wrote last week that "Timor-Leste has achieved much thanks to the country's sensible leadership and sound decision-making which have helped put in place the building blocks for a stable peace and a growing economy".Helen Hill teaches sociology at Victoria University and is author of Stirrings of Nationalism in East Timor: Fretilin 1974-78, Oxford Press.

Timor-Leste: textos importantes

Timor (!)
by Maryann Keady
May 31, 2006
Three years ago, I wrote a piece talking about attempts to oust PrimeMinister Mari Alkatiri in East Timor, then a new strugglingindependent nation. I wrote that I believed the US and Australia weredetermined to oust the Timorese leader, due to his hardline stance onoil and gas, his determination not to take out international loans,and their desire to see Australia friendly President Xanana Gusmaotake power.Three years later, I am unhappy to say that the events I havepredicted are currently taking shape. The patriotic Australia media,that has unquestionably fallen into line over every part of JohnHoward's Pacific agenda - including the Solomon's excursion - is nowtrumpeting the ousting of Alkatiri, a man who has gamely defiedAustralia's claims over it's oil and gas, many of the paper's foreigneditors clearly more in tune with the exhortations of Australia'sDepartment of Foreign Affairs and Trade than the sentiments amongTimorese.I arrived in Dili just as the first riots broke out on April 28 thisyear- and as an eyewitness at the front of the unrest, the very youngsoldiers seemed to have outside help - believed to be localpoliticians and 'outsiders'. Most onlookers cited the ability of thedissident soldiers to go from an unarmed vocal group, to hundredsbrandishing sticks and weapons, as raising locals' suspicions thatthis was not an 'organic' protest. I interviewed many people - fromFretlin insiders, to opposition politicians and local journalists -and not one ruled out the fact that the riots had been hijacked for'other' purposes. The Prime Minister himself stated so. In a speech onthe 7th of May, he called it a coup - and said that 'foreigners andoutsiders' were trying once again to divide the nation. I reportedthis for ABC Radio - and was asked if I had the translation wrong. Ipatiently explained no - we had carefully gone through the speech wordfor word, and anyone with any knowledge of Timorese politics wouldunderstand that is precisely what the Prime Minister meant. No othermedia had bothered to go to the event - the Australian mediapreferring to hang out with the rebel soldiers or Australian diplomatsthat all wanted Alkatiri 'gone'.Since his election, Alkatiri had sidelined the most important figurein Timorese politics - President Xanana Gusmao - and the tensionbetween the two has been readily apparent. Alkatiri, has a differentview to Gusmao about how the country's development should take place -slowly, without 'rich men feasting behind doors' was the way hedescribed it to me, a steady structure of development the way todevelop a truly independent nation. His ability to defend Timor's oiland gas interests against an aggressive Australia and powerfulbusiness interests, and his development of a Petroleum Fund to protectTimor's oil money from future corruption never accorded with thecaricature created by his Australian and American detractors of a'corrupt dictator.'The campaign to oust Alkatiri began at least four years ago - Irecorded the date after an American official started leaking mestories of Alkatiri's corruption while I was freelancing for ABCRadio. I investigated the claims - and came up with nought - but wasmore concerned with the tenor of criticism by American and Australianofficials that clearly suggested that they were wanting to get rid ofthis 'troublesome' Prime Minister. Like Somare, he was not doingthings their way. After interviewing the major political leaders - itwas clear that many would stop at nothing to get rid of Timor's firstPrime Minister. President Xanana Gusmao, three years ago, did notrule out dissolving parliament and forming a 'national unitygovernment'.Gusmao and his supporters (including Jose Ramos-Horta) have privatelycalled Alkatiri an 'Angolan communist' with his idea of slow paceddevelopment not something Gusmao and his Australian supporters agreewith. Other than that, it is hard to work out why President Gusmaowould allow forces to unconstitutionally remove this Prime Minister.In Timor, many see Gusmao at fault here, for disagreeing with thePrime Minister over the sacking of the soldiers (it should have beenresolved in private) while others see him as the architect of thewhole fiasco, his frustration with his limited political role allowinghim to be convinced by his Australian advisors to embark on aneedlessly bloody coup.In the last few days we have heard from young Timorese writerscurrently at the Sydney Writer's Festival. They have a different takefrom the Australian media on what is happening in Timor. Take thisquote by one young writer:'. it is suspicious and questionable. It is difficult to analyse whyAustralia wants to go there. I think it is driven by concerns overAustralia's economic security, including the oil under the sea, ratherthan concern for the people of East Timor. 'I am scared it is lessabout East Timor's security than Australia's security and interests.'Gil Gutteres, the head of Timor's journalists association TILJAsimilarly last month said old style fears of communism, and economicinterests of Australia were driving the anti-Alkatiri campaign, andwere behind the violence. In fact, there is hardly a person in Timorthat doesn't understand that this is about big politics - helped byinternal figures wanting to control the oil and gas pie.And yet the Australian press is full of 'our boys' doing us proud.This does not equate with sentiment on the ground, or answer thequestion as to where the rebel forces could have received support forthis foolhardy campaign that has led to many Timorese beingfrightened, distressed and homeless.Just this evening, witnesses spoke of Australian army personnelstanding by while militia fired on a church in Belide. During theearly violence, not one UN soldier intervened to stop the small bandof rioters, and the recent actions of the Australian troops add fuelto speculation that they are letting Timor burn.Alkatiri, for his part is refusing to step aside, saying that onlyFretlin, his party, can ask him to resign. If he does go, the Timoresehave the Australian media to thank for their unquestioning support ofthis coup. Perhaps they can explain to the starving citizens (thatwere already ignored by Australia for 25 years) why Australia nowcontrols their oil and gas. More importantly, the politicians in Timorthat have been party to the violence will have to explain to thepeople their involvement in this latest chapter of its traumatichistory.Maryann Keady is an Australian radio producer and journalist who hasreported from Dili since 2002. She is currently a professionalassociate at Columbia University's Weatherhead Institute looking at USForeign Policy and China.

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Timor-Leste: Annan encoraja líderes a manterem a unidade e a assumirem erros
Lisboa, 01 Jun (Lusa) - O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, encorajou hoje os dirigentes de Timor-Leste a prosseguirem esforços para se manterem unidos e a assumirem responsabilidade pelos erros cometidos, numa mensagem ao povo timorense a difundir pela rádio e televisão nacionais. Na mensagem, em inglês e em tétum, Annan afirma também que a actual violência no país constitui uma "profunda desilusão" e que todos - dirigentes e comunidade internacional, incluindo a ONU - devem "reflectir muito seriamente" sobre as causas da actual crise e sobre o futuro do país. "Os dirigentes devem assumir responsabilidade pelos erros que cometeram. Falei com os vossos líderes políticos e pedi-lhes que trabalhem com as comunidades civil e religiosa para pôr fim à crise. Se assim não for, a vossa comunidade nacional, que impressionou o mundo inteiro pela sua coragem e capacidade de recuperação, corre o risco de ser consumida por militâncias mesquinhas e interesses pessoais", afirma Annan. O secretário-geral da ONU diz-se "animado" com "o esforço determinado" que os líderes timorenses estão a fazer "para se manterem unidos, para porem fim à crise e para adoptarem medidas que se enquadram na Constituição" e encoraja-os a "prosseguirem nesta via, pondo de lado as suas diferenças, no interesse do povo e do país". "Peço aos membros das forças de defesa e de segurança que cumpram a sua obrigação de defender a constituição e de manter a lei e a ordem. E peço a todos que apoiem as medidas de emergência anunciadas a 30 de Maio", afirma, referindo-se à assumpção pelo Presidente da República timorense, Xanana Gusmão, dos poderes em matéria de segurança e de defesa. O secretário-geral da ONU exorta também o povo timorense a "enfrentar aqueles que o tentam dividir" e a "não permitir que pequenas diferenças lhe roubem a paz, a democracia e a liberdade a que têm direito". "Também a comunidade internacional, incluindo as Nações Unidas, deve olhar criticamente para o seu papel no passado recente e estar ao lado de Timor-Leste nesta hora", diz Annan, assegurando depois que as Nações Unidas "estão ao lado do povo timorense" e "vão continuar a estar quando retomarem a nobre tarefa de construir uma nação timorense unida e próspera". Há dois dias, em declarações à imprensa em Nova Iorque, Kofi Annan admitiu que a retirada das forças de paz da ONU de Timor-Leste pode ter sido prematura e defendeu que, em situações de administração pós-conflito, a ONU "tem de lá estar a médio ou longo prazo". Na mensagem, Annan afiança ainda aos timorenses que o país "tem um lugar especial no coração das Nações Unidas", razão pela qual é com "ansiedade e tristeza" que a organização assiste à actual crise. "Não devemos desesperar. Pelo contrário, devemos agir juntos, urgentemente, para impedir que a situação se agrave ainda mais", exorta. MDR. Lusa/Fim

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Timor-Leste: Três agentes GOE fazem disparos para o ar para dispersar atacantes
Díli, 01 Jun (Lusa) - Três elementos do Grupo de Operações Especiais (G OE) da PSP foram hoje obrigados a efectuar disparos para o ar para dispersar um grupo de desconhecidos que os apedrejaram em Díli, disse fonte policial à Lusa. O ataque ocorreu cerca das 22:10 locais (14:10 em Lisboa) quando os trê s agentes do GOE, que não ficaram feridos, se deslocavam em resposta a um pedido de apoio de uma cidadã portuguesa e foram apedrejados por um grupo de desconhec idos no bairro de Caicoli. Os agentes fizeram vários disparos para o ar, logrando pôr em fuga os d esconhecidos. Efectivos militares australianos que se encontravam a uma certa distânc ia do local do incidente apenas intervieram depois dos disparos, segundo a mesma fonte. Esta foi a primeira vez que elementos dos GOE, que se encontram em Timo r-Leste para protecção dos cidadãos portugueses, foram obrigados a utilizar as s uas armas. Agentes dos GOE começaram hoje a garantir a segurança de Sukehiro Haseg awa, representante especial do secretário-geral da ONU em Timor-Leste, a pedido das Nações Unidas. EL. Lusa/Fim

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09:44 01/06
Cingapura, 01 - A indústria de café do Timor Leste sofreu um sério golpe com o aumento da violência, que paralisou as operações em meio à temporada da colheita. "A colheita (da nova safra) começou em maio, e seu pico deve ser atingido neste mês. Mas, com todas as estradas fechadas, não há meio de transportar os grãos do interior para as fábricas processadoras", disse o diretor de café e de outras safras do Ministério da Agricultura, Caetano Cristóvão. O Timor Leste colhe toda a safra de café nos quatro meses a partir de maio. Os grãos são comercializados de junho até dezembro. Os participantes do mercado estimam que a produção atingirá entre 15.000 e 18.000 toneladas, ou em torno de 250.000 sacas de 60 quilos, em comparação com a safra de 2005, apontada em 10.000 a 11.000 toneladas.Apenas os pequenos fazendeiros estão colhendo e processando os grãos em máquinas pequenas ou secando-os ao sol, disse Cristóvão. Em termos globais, O Timor Leste, com sua produção média anual de 7.000 a 10.000 toneladas, é um produtor pequeno entre gigantes, como Brasil e Vietnã, contribuindo com cerca de 1% da produção global.No entanto, o café não é pouca coisa para a economia dessa república de apenas quatro anos de idade, sendo sua principal fonte de divisas estrangeiras. Um quarto da população (de 947 mil habitantes, em 2005) depende do café para subsistir. As informações são da Dow Jones.

Timor-Leste: textos importantes

01/06/2006
O pequeno país que conquistou a simpatia do mundo balança com a disputa entre seus dirigentes, a Igreja e potências estrangeiras
Miguel Mora, enviado especial a Dili
Bandos de adolescentes violentos continuam aterrorizando com suas brigas étnicas todos os dias o bairro de Comoro; ontem houve um ferido grave e vários incêndios de barracos e pequenas casas. Enquanto isso, os tanques e helicópteros australianos patrulhavam a cidade. Ninguém foi detido.O exército está acantonado, a justiça não funciona -embora os países de língua portuguesa tentem implementá-la-, a polícia está desaparecida há um mês, a população faz filas durante horas para receber arroz e o pânico dos ataques já produziu 60 mil refugiados e deslocados que ontem não se moveram de seus esconderijos, apesar de já estarem em vigor as medidas especiais de segurança.Bem-vindos ao paraíso: Timor Leste, um dos países mais pobres, queridos e pequenos do mundo. Tem 857 mil habitantes e a mesma extensão que a província espanhola de Albacete. Um país muito bonito, amado por muita gente -o ex-presidente americano Bill Clinton e o secretário-geral da ONU, Kofi Annan-, mas talvez bem situado demais: desde o início dos tempos foi invadido por viajantes -chineses, portugueses-, muitas vezes foi espancado e assassinado por seus vizinhos -chineses, japoneses, indonésios, malaios.Que diabos aconteceu para que o mundo tenha deixado de festejar como vitória global a independência de Timor Oriental e de elogiar a coragem e a civilidade de seus heróicos governantes para pensar que é um Estado fracassado à beira do precipício? A resposta é complexa, porque, como diz um assessor do presidente Xanana Gusmão, "neste país nada nunca é linear". Mas há um conjunto de fatores que surgem pouco a pouco como motores da aguda crise atual.Timor tem a maior taxa de fertilidade do mundo -7,8 filhos por mulher-, um solo árido e muito pobre que mal chega para alimentar a população, uma idade média de 20 anos, nenhuma indústria digna desse nome e um desemprego galopante e sem subsídios que o compensem. Parece suficiente para deixar qualquer um em apuros. "O Estado está em transição e construção, a metade da ajuda externa é dedicada a pagar os assessores estrangeiros, ainda não há aposentadorias nem lei eleitoral, nem quadros técnicos bem formados, e (Mari) Alkatiri (o primeiro-ministro) prefere guardar as receitas do petróleo, cujo fundo de reserva já soma mais de US$ 600 milhões, a distribuí-lo demagogicamente entre as pessoas", diz um diplomata europeu.Mas é a deterioração da relação institucional entre as três figuras políticas máximas do país -o presidente Xanana Gusmão, o primeiro-ministro Mari Alkatiri e o ministro das Relações Exteriores, José Ramos-Horta- o que parece estar agora no centro do problema. "Os três são amigos desde a adolescência, por isso não se levam muito a sério", diz uma fonte próxima a Gusmão. "Alkatiri e Gusmão se respeitam e se temem igualmente, mas sempre acabam se entendendo", diz um assessor do presidente.A dupla Alkatiri-Ramos é a que rachou. A Igreja, a Austrália, os EUA, o petróleo e a ambição de poder surgem como as questões chaves de uma rixa que começou discreta e começa a se agravar diante da negativa de Alkatiri a se demitir e da necessidade imperiosa de colocar Ramos-Horta à frente da Defesa para recompor o exército e a polícia.Mas Ramos-Horta quer mais que o Ministério da Defesa. Sabe que tem todo o apoio e a influência internacional de uma Igreja Católica que presume contar com 98% de católicos no país e que não hesitou em catalogar o primeiro-ministro como muçulmano e comunista. Os padres criticaram ferozmente a aposta em separar a Igreja do Estado -há religião opcional nas escolas- e criticam suas políticas sociais como próprias "do Terceiro Mundo mais retrógrado". Alkatiri manda estudantes com bolsa a Cuba e em troca contratou 500 médicos cubanos para os hospitais públicos.Segundo indica uma fonte da cooperação européia, trata-se de uma luta sem quartel: "O partido de Alkatiri, o Fretilin, é a única organização, com a Igreja, que está implantada em todo o território. Para os padres locais, é um partido de Marx contra Deus". Há exatamente um ano, em abril de 2005, os bispos de Dili e Baucau, com a colaboração do embaixador americano, John Rees, homem de confiança de Bush e que ajudou a distribuir comida entre os manifestantes, lançaram o primeiro desafio de rua ao governo "infiel" de Alkatiri."Ofereceram ônibus e sanduíches e organizaram um acampamento no centro de Dili. Foi muita gente e gritava: 'Viva Cristo, morte a Alkatiri'", lembra um funcionário da ONU.

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Mais 10 casas são incendiadas na capital do Timor Leste
Díli, 01 Jun (Lusa) - Mais quatro casas foram incendiadas hoje no bairro de Aitarak-Laran, no centro da capital timorense, Díli. Com isso, já são dez casas queimadas na região em um período de 12 horas, todas pertencentes a timorenses da região leste do Timor Leste, da etnia lorosae.Celestino Baptista, que teve sua casa totalmente destruída, disse à Agência Lusa que vivia no bairro desde 2001 e que nunca teve problemas com a vizinhança. "Agora não sei o que vou fazer. A família está em Lospalos (cidade no leste do país) e eu fiquei com a roupa que tenho no corpo. Perdi tudo", disse. Resignado, não sabe o que fará: "Agora não tenho cabeça para pensar nisso".A área atacada fica a pouco mais de 20 metros dos muros que cercam um empreendimento turístico português a 100 metros da sucursal da Agência Lusa. Além disso, fica a poucas quadras de um conjunto residencial de militares australianos. Os bombeiros timorenses tentaram, mas não conseguiram controlar o fogo.Um morador que não quis se identificar disse à Lusa ter visto três ou quatro crianças rondando a região e acredita que foram os autores do incêndio. "Vi três ou quatro miúdos, que vieram e queimaram. Já ontem queimaram seis casas, agora foram quatro. Aproveitaram a ausência dos moradores", contou.Para ele, a estabilidade só chegará com os 120 policiais da GNR (Guarda Nacional Republicada, a polícia militarizada de Portugal), que devem partir amanhã ao Timor Leste. "Os australianos e os malaios não fazem nada. Estão à espera da GNR para segurar isto, porque o trabalho que eles fizeram quando estiveram aqui pela primeira vez foi muito bom", completou.A pior crise na ex-colônia portuguesa desde 1999 - quando se tornou independente da Indonésia - começou com o protesto de 600 militares que denunciaram discriminação étnica contra os loromonus (etnia do oeste do país) nas Forças Armadas, após serem exonerados. Depois, outros oficiais abandonaram seus postos, assim como policiais. Os confrontos entre ex-militares e ataques de grupos de civis armados deixaram cerca de 20 mortos na capital.Por não conseguir controlar a situação, as autoridades timorenses solicitaram ajuda militar à Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal. Mais de 2 mil militares e policiais australianos, neozelandeses e malaios já estão no país.Situação estabilizada, mas frágilO responsável pela missão das Nações Unidas no Timor Leste, Sukehiro Hasegawa, afirmou hoje a jornalistas que a situação no país está "estabilizada" mas continua "frágil". "Devemos reforçar nossas patrulhas de segurança e ajudar as forças policiais (internacionais) a espalhar-se pelo terreno o mais rapidamente possível", acrescentou.Hasegawa informou que há 65 mil pessoas refugiadas em vários locais de Díli. "Penso que a situação está controlada, alguns campos de refugiados precisam de alimentos, mas, pelo que sei, o Programa Alimentar Mundial (da ONU) começou a distribuir alimentos", disse.

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Milhares de pessoas fazem fila para receber arroz em Dili
Agência EFE (via Crocodilo Voador)
03:05 01/06, atualizada às 03:33 01/06Milhares de pessoas voltaram a se concentrar hoje nos armazéns governamentais de Dili para receber os sacos de arroz distribuídos para cobrir as necessidades básicas na capital do Timor Leste, onde cerca de 70 mil pessoas permanecem em acampamentos de refugiados devido à onda de violência. Uma longa fila esperava em frente ao armazém de arroz do Governo, no centro da cidade, onde cada família recebe um saco de 50 quilos. A distribuição terminou sem incidentes e sob a supervisão das tropas australianas. Vários tanques se posicionaram nos arredores para evitar saques. João Suarez, um pai de família com cinco filhos, era um dos timorenses que aguardavam pacientemente sua vez sob o sol que castiga a cidade. "Com 50 quilos, fico tranqüilo por 15 dias. Depois eu volto", disse à Efe Suarez, que há poucos dias voltou das montanhas, onde estava refugiado há duas semanas para escapar da violência. Suarez acrescentou que voltou a Dili esperando que a situação melhore. Ontem houve incidentes na área do mercado, onde grupos rivais promoveram incêndios. Mas hoje Dili respira uma situação de esperança, como disse o presidente, Xanana Gusmão, durante sua visita a um campo de refugiados. Na missão católica de Dom Bosco, na área do aeroporto, simpatizantes dos militares rebeldes queimaram hoje uma casa. Dom Bosco é o maior centro de refugiados de Dili, com 13 mil pessoas, em sua maioria da capital, que não se atrevem a voltar para suas casas. O padre salesiano Antonio Pinto disse à Efe que a situação está ficando crítica, com o fim das reservas de arroz e a paralisia do mercado local. As principais estradas que ligam Dili às províncias estão cortadas, e os comerciantes indonésios e chineses deixaram o país. "Se daqui a dois dias não chegarem mais mantimentos, entraremos numa crise total", disse.

Timor-Leste: textos importantes

Agência EFE00:25 01/06
Um grupo de saqueadores atacou hoje um armazém de arroz na capital do Timor, depois de quadrilhas rivais do leste e oeste do país se enfrentarem durante a tarde e noite de ontem em vários pontos da cidade. A violência em Dili recomeçou depois de uma relativa calma, após dez dias de caos e ataques pelas ruas. O presidente, Xanana Gusmão, chegou a anunciar que havia assumido o controle das forças de segurança timorenses. A estrada do aeroporto à cidade foi um dos pontos mais violentos, com brigas a machadadas e pedras entre grupos de jovens rivais. As tropas australianas, que lideram o contingente internacional de mais de 2 mil homens enviado a Dili para pacificar a situação, tiveram que usar gases lacrimogêneos para dispersar os revoltosos, segundo jornalistas do país. À noite, um mercado foi incendiado no centro de Dili assim como várias casas, antes de as forças australianas chegarem. Dezenas de milhares de civis continuam refugiados em igrejas e outros lugares apesar de os comandantes australianos insistirem que eles podem voltar para suas casas. Na memória de todos ainda está viva a violência de 1999, após o plebiscito que decidiu pela independência. Na ocasião, milícias pró-indonésias, com a cumplicidade do Exército, atacaram civis nas ruas.

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East Timor reported by the Lusophone Blogosphere
East Asia, East Timor, Portugal, Weblog, Governance, War & Conflict, Politics
As I was writing this report about unrest and possible civil war in East Timor, I found myself in a war with the spell-checker in my word processor which insists that the word LUSOPHONE does not exist. Read on to see what might be embedded in a single word.
(continue a ler)

Timor-Leste: textos importantes

Timor-Leste: Mais quatro casas queimadas hoje de manhã em Díli
Díli, 01 Jun (Lusa) - Mais quatro casas arderam hoje no bairro de Aitar ak-Laran, centro de Díli, elevando para 10 as que foram incendiadas no espaço de 12 horas na zona, todas pertencentes a timorenses da parte leste do país. Celestino Baptista, morador numa das casas que hoje ficou completamente destruída, disse à Lusa que vivia no local desde 2001 e que nunca teve problema s com a vizinhança. "Agora não sei o que vou fazer. A família está em Lospalos e eu fiquei com a roupa que tenho no corpo. Perdi tudo", disse. Resignado, não sabe o que vai fazer agora. "Agora não tenho cabeça para pensar nisso", comentou. A área atingida situa-se a pouco mais de 20 metros dos muros que cercam um empreendimento turístico de capitais portugueses, e dista ainda cerca de 100 metros, nas traseiras, da Delegação da Agência Lusa, e também a cerca de 100 me tros de um complexo residencial de militares australianos. Os bombeiros timorenses acorreram ao local, mas pouco puderam fazer, po is o fogo rapidamente alastrou às quatro casas. Um popular, que recusou identificar-se, disse à Lusa ter visto três ou quatro miúdos a rondar a zona, e acredita que foram eles os autores do incêndio. "Vi três ou quatro miúdos, que vieram e queimaram. Já ontem (quarta-fei ra) queimaram seis casas, agora foram quatro. Aproveitaram a ausência dos morado res", salientou. Para este popular, a situação de instabilidade só vai acabar com a cheg ada da GNR. "Os australianos e os malaios não fazem nada. Estão todos à espera da G NR para segurar isto, porque o trabalho que eles fizeram quando estiveram aqui p ela primeira vez foi muito bom", frisou. EL. Lusa/Fim

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Australian troops deployed to occupy East Timor
Canberra has used its economic and military clout since East Timor’s “independence” to bully the tiny state into giving up its claims over significant oil and gas fields in the Timor Sea. Successive Australian governments supported Indonesia’s brutal military rule over the half-island from 1975 to 1999, during which an estimated 200,000 Timorese were murdered. In exchange, Jakarta granted Australia a lucrative stake in Timor’s energy resources. Alkatiri’s government has also declined to accept any loans from the World Bank which would have required a series of economic reforms and, in 2004, it contracted CNPC, the major Chinese oil company, to explore for oil and gas fields in those areas of the Timor Sea under Dili’s control. All of these moves have raised major concerns in both Washington and Canberra. - James Cogan - Once again, like the US before it, Australia is engaging in a war of aggression and illegal occupaton of another country, for one reason alone - to get its hands on the oil and gas resources of East Timor. No other reason.
By James Cogan25 May 2006
In a blatant act of neo-colonialism, the Howard government is sending up to 1,300 Australian troops to re-occupy East Timor. Special Air Service commandos are already in the capital Dili and advance units of infantry are expected to deploy by air and join them this evening. The main force, consisting of more infantry and armoured vehicles, is aboard warships which have been hovering in Australia’s northern waters for the past two weeks, awaiting orders. They will arrive within 48 to 72 hours.
The reasons given by the Australian government—the well-being of the Timorese people, the preservation of stability and democracy and the protection of foreign nationals—are cynical lies. Nearly seven years after their so-called liberation by an Australian-led UN force, the vast mass of the Timorese people are just as impoverished as they were under the previous Indonesian dictatorship, while the Fretilin (Revolutionary Front for an Independent East Timor) government has ruled, in an increasingly authoritarian manner, on behalf of a tiny privileged ruling clique.
Canberra has used its economic and military clout since East Timor’s “independence” to bully the tiny state into giving up its claims over significant oil and gas fields in the Timor Sea. Successive Australian governments supported Indonesia’s brutal military rule over the half-island from 1975 to 1999, during which an estimated 200,000 Timorese were murdered. In exchange, Jakarta granted Australia a lucrative stake in Timor’s energy resources.
The ostensible pretext for the new deployment is a request by President Xanana Gusmao and Prime Minister Mari Alkatiri for assistance in ending a rebellion by a faction of the army and police against the government. On Tuesday, at least one government and one rebel soldier were killed during clashes on the outskirts of Dili. Further fighting took place yesterday, with rebel troops attempting to storm an army barracks. With thousands of people fleeing the city and rival armed mobs of youth allegedly forming, Gusmao and Alkatiri signed a letter last night asking for Australia, New Zealand, Malaysia, and Portugal to send troops and police. The Australian force, positioned in advance off the coast, responded immediately.
Tensions have been building in East Timor since 591 soldiers of the 1,400-strong army were sacked by Alkatiri for going on strike over poor pay and conditions and alleged nepotism within the military. The rebellion has the character of a communalist conflict between soldiers from the west of the state, the loromonu, against those from the east, the lorosae. The rebels are predominantly from the west, while the troops and police who have remained loyal to the Fretilin leadership are mainly from the east.
On April 28, a demonstration by the rebel troops in Dili was fired on by pro-government police. At least six people were killed and dozens more wounded. Unemployed loromonu youth, who had joined the rebel demonstrations to express their own resentments towards the government, looted and burned markets and homes belonging to easterners. Fear of further attacks led as many as 20,000 residents to flee the capital.
The events that have followed give strong grounds to suspect direct Australian complicity in the escalating instability. As in 1999, sectarian violence and a refugee crisis are being used to justify military action.
In early May, a small squad of about 20 Australian-trained military police and paramilitary police, led by Major Alfredo Alves Reinado, joined with the rebels and issued a demand that President Xanana Gusmao dismiss Alkatiri or they would wage a guerilla war against the government.
Alkatiri responded on May 9 by requesting that Portugal—the colonial ruler over East Timor until the 1975 Indonesian invasion— sponsor an extension of the UN presence on the island and send 100 or more paramilitary police to assist his government maintain stability. The request dovetailed with a series of steps by Alkatiri over the past several years to try and lessen the dependency of East Timor on Australia and its US backer and to strengthen ties with Portugal and the European Union.
Alkatiri’s government has also declined to accept any loans from the World Bank which would have required a series of economic reforms and, in 2004, it contracted CNPC, the major Chinese oil company, to explore for oil and gas fields in those areas of the Timor Sea under Dili’s control. All of these moves have raised major concerns in both Washington and Canberra.
The Howard government’s decision to dispatch two warships to the area has unfolded in this context. On May 12, after talks with the Bush administration, Howard announced the two warships would be sent to northern Australia for a possible deployment, without so much as notifying the East Timorese government. The following week, from May 17 to 19, a Fretilin congress was held where a faction of the leadership, including the ambassador to the UN and the US, Jose Luis Guterres, and the former ambassador to Australia, Jorge Teme, initiated a campaign to unseat Alkatiri as party leader and prime minister. The campaign received open backing from the Australian media.
But on May 19, Guterres’ attempt to unseat the prime minister collapsed when the overwhelming majority of Fretilin delegates re-endorsed him in a vote on the floor of the congress. Later that day, the European Union announced a $US30 million grant to East Timor. Three days later, on Monday May 22, five of the first six exploration contracts for Timorese fields were granted to Italian energy company ENI.
On Tuesday, the rebel soldiers ignored offers of talks from Gusmao and Alkatiri and provoked the violent clashes. Their openly stated aim has been to create a crisis, and force the hand of the government to allow the Australian troops in. SBS journalist David O’Shea reported on Tuesday, after interviewing rebel leader Major Reinado, that the rebel troops were “calling out for Australian peace-keepers”.
Yesterday, Australian Prime Minister John Howard told a press conference in Ireland that there would be no Australian military intervention until his government received a written invitation, signed by both the president and prime minister of East Timor. The Australian reported this morning that Gusmao and Alkatiri had been involved in a “shouting match” over the decision to invite foreign troops, which only came after lengthy phone calls between Australian Foreign Minister Alexander Downer and his Timorese counterpart Jose Ramos Horta.
As the troops flood into Dili, the Australian political establishment is making no secret of its general sympathy for the rebel soldiers, its animosity toward Alkatiri and its desire for “regime change”.
While Alkatiri was denouncing the rebels for making threats of “bringing down the state”, acting Australian prime minister and treasurer Peter Costello told the Australian Broadcasting Corporation that the rebels had “political grievances” and “industrial grievances” that an independent commission should investigate.
Today’s Sydney Morning Herald editorial declared that responsibility for the split in the armed forces “lies with the Prime Minister Mari Alkatiri” and that “Alkatiri should consider stepping aside”. The Australian denounced Alkatiri for having a “political tin ear” and that it was essential the Australian troops were seen “as the ally of the Timorese people, rather than the protector of politicians”. The editorial referred to the rebels as “alienated former soldiers” who “suspect their leaders of mercenary motives”.
It appears that moves are already afoot to launch another challenge to Alkatiri’s leadership. Replying to a question about whether the invitation of troops amounted to an admission by Alkatiri that he had lost control, East Timor’s foreign minister Horta declared it was an “acknowledgement of our inability to lead our people in a wise and effective manner”.
Horta is regarded more favourably by the Howard government. Like Gusmao, he is being lined up to play a key role in replacing Alkatiri and ensuring East Timor remains a pliant Australian client state.
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Source: wsws.org

Timor: blogs

Talvez o primeiro blog feiuto em Tétum por um timorense e a partir de Díli. Bem vindo.
Lia Haroman

Timor-Leste: textos importantes

Timor (via Crocodilo Voador)
by Maryann Keady
May 31, 2006
Three years ago, I wrote a piece talking about attempts to oust PrimeMinister Mari Alkatiri in East Timor, then a new strugglingindependent nation. I wrote that I believed the US and Australia weredetermined to oust the Timorese leader, due to his hardline stance onoil and gas, his determination not to take out international loans,and their desire to see Australia friendly President Xanana Gusmaotake power.Three years later, I am unhappy to say that the events I havepredicted are currently taking shape. The patriotic Australia media,that has unquestionably fallen into line over every part of JohnHoward's Pacific agenda - including the Solomon's excursion - is nowtrumpeting the ousting of Alkatiri, a man who has gamely defiedAustralia's claims over it's oil and gas, many of the paper's foreigneditors clearly more in tune with the exhortations of Australia'sDepartment of Foreign Affairs and Trade than the sentiments amongTimorese.I arrived in Dili just as the first riots broke out on April 28 thisyear- and as an eyewitness at the front of the unrest, the very youngsoldiers seemed to have outside help - believed to be localpoliticians and 'outsiders'. Most onlookers cited the ability of thedissident soldiers to go from an unarmed vocal group, to hundredsbrandishing sticks and weapons, as raising locals' suspicions thatthis was not an 'organic' protest. I interviewed many people - fromFretlin insiders, to opposition politicians and local journalists -and not one ruled out the fact that the riots had been hijacked for'other' purposes. The Prime Minister himself stated so. In a speech onthe 7th of May, he called it a coup - and said that 'foreigners andoutsiders' were trying once again to divide the nation. I reportedthis for ABC Radio - and was asked if I had the translation wrong. Ipatiently explained no - we had carefully gone through the speech wordfor word, and anyone with any knowledge of Timorese politics wouldunderstand that is precisely what the Prime Minister meant. No othermedia had bothered to go to the event - the Australian mediapreferring to hang out with the rebel soldiers or Australian diplomatsthat all wanted Alkatiri 'gone'.Since his election, Alkatiri had sidelined the most important figurein Timorese politics - President Xanana Gusmao - and the tensionbetween the two has been readily apparent. Alkatiri, has a differentview to Gusmao about how the country's development should take place -slowly, without 'rich men feasting behind doors' was the way hedescribed it to me, a steady structure of development the way todevelop a truly independent nation. His ability to defend Timor's oiland gas interests against an aggressive Australia and powerfulbusiness interests, and his development of a Petroleum Fund to protectTimor's oil money from future corruption never accorded with thecaricature created by his Australian and American detractors of a'corrupt dictator.'The campaign to oust Alkatiri began at least four years ago - Irecorded the date after an American official started leaking mestories of Alkatiri's corruption while I was freelancing for ABCRadio. I investigated the claims - and came up with nought - but wasmore concerned with the tenor of criticism by American and Australianofficials that clearly suggested that they were wanting to get rid ofthis 'troublesome' Prime Minister. Like Somare, he was not doingthings their way. After interviewing the major political leaders - itwas clear that many would stop at nothing to get rid of Timor's firstPrime Minister. President Xanana Gusmao, three years ago, did notrule out dissolving parliament and forming a 'national unitygovernment'.Gusmao and his supporters (including Jose Ramos-Horta) have privatelycalled Alkatiri an 'Angolan communist' with his idea of slow paceddevelopment not something Gusmao and his Australian supporters agreewith. Other than that, it is hard to work out why President Gusmaowould allow forces to unconstitutionally remove this Prime Minister.In Timor, many see Gusmao at fault here, for disagreeing with thePrime Minister over the sacking of the soldiers (it should have beenresolved in private) while others see him as the architect of thewhole fiasco, his frustration with his limited political role allowinghim to be convinced by his Australian advisors to embark on aneedlessly bloody coup.In the last few days we have heard from young Timorese writerscurrently at the Sydney Writer's Festival. They have a different takefrom the Australian media on what is happening in Timor. Take thisquote by one young writer:'… it is suspicious and questionable. It is difficult to analyse whyAustralia wants to go there. I think it is driven by concerns overAustralia's economic security, including the oil under the sea, ratherthan concern for the people of East Timor. 'I am scared it is lessabout East Timor's security than Australia's security and interests.'Gil Gutteres, the head of Timor's journalists association TILJAsimilarly last month said old style fears of communism, and economicinterests of Australia were driving the anti-Alkatiri campaign, andwere behind the violence. In fact, there is hardly a person in Timorthat doesn't understand that this is about big politics - helped byinternal figures wanting to control the oil and gas pie.And yet the Australian press is full of 'our boys' doing us proud.This does not equate with sentiment on the ground, or answer thequestion as to where the rebel forces could have received support forthis foolhardy campaign that has led to many Timorese beingfrightened, distressed and homeless.Just this evening, witnesses spoke of Australian army personnelstanding by while militia fired on a church in Belide. During theearly violence, not one UN soldier intervened to stop the small bandof rioters, and the recent actions of the Australian troops add fuelto speculation that they are letting Timor burn.Alkatiri, for his part is refusing to step aside, saying that onlyFretlin, his party, can ask him to resign. If he does go, the Timoresehave the Australian media to thank for their unquestioning support ofthis coup. Perhaps they can explain to the starving citizens (thatwere already ignored by Australia for 25 years) why Australia nowcontrols their oil and gas. More importantly, the politicians in Timorthat have been party to the violence will have to explain to thepeople their involvement in this latest chapter of its traumatichistory.Maryann Keady is an Australian radio producer and journalist who hasreported from Dili since 2002. She is currently a professionalassociate at Columbia University's Weatherhead Institute looking at USForeign Policy and China.

Timor-Leste: textos importantes

Timor-Leste: Xanana Gusmão pede cooperação da polícia e dos jovens
Díli, 01 Jun (Lusa) - O presidente da República de Timor-Leste, Xanana Gusmão pediu hoje a cooperação da polícia, dos jovens e dos chefes de aldeia para restabelecer a paz em Díli e para prestar auxílio aos refugiados. "Todos temos de cooperar. Vocês, os polícias que aqui estão, os jovens de Díli e os chefes de aldeia. Todos temos de cooperar para parar com tudo o que tem acontecido na cidade. Para restabelecer a paz", afirmou Xanana Gusmão. "Hoje temos de trabalhar em conjunto para ajudar as crianças, as famílias nos campos de refugiados, sem água e sem comida", sublinhou o presidente da República timorense, perante cerca de 70 efectivos da polícia nacional de Timor-Leste. O chefe de Estado efectuou hoje uma visita ao quartel-general da Polícia Nacional, atacado a 24 de Maio por elementos das Forças Armadas de Timor-Leste. RBV. Lusa/fim

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Agência Estado20:49 31/05
O líder dos soldados que se rebelaram no Timor Leste, Alfredo Reinaldo, disse hoje que a decisão do presidente Xanana Gusmão de assumir o controle do Exército e da polícia para conter a onda de violência no país que já deixou 27 mortos "é um erro e não uma solução".Reinaldo exigiu a renúncia do primeiro-ministro Mari Alkatiri, dizendo que ele é um criminoso que não deveria estar no poder. Alkatiri, por sua vez, disse hoje que não renunciará apesar das pressões. Timor, o país mais jovem e pobre da Ásia, vive a sua maior crise desde 2002. Em 1999, a ex-colônia portuguesa que era ocupada pela Indonésia votou pela sua independência. Professores brasileirosA Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) mudou sua posição sobre a situação dos 23 professores brasileiros que estavam em Timor. Ontem, uma nota da instituição dizia que, por decisão dos ministros da Educação, Fernando Haddad, e das Relações Exteriores, Celso Amorim, os professores voltariam ao Brasil. Hoje, a Capes comunicou que os professores permanecerão 15 dias em Darwin, na Austrália, até a situação se acalmar em Timor. Dos 23 bolsistas, porém, três ficaram em Díli. Oficialmente, a Capes aguarda a ida desses professores para Darwin. Dos 20 professores já na Austrália, dois decidiram voltar ao Brasil. Os professores brasileiros integram o Programa de Qualificação de Qualificação e Formação de Docentes em Língua Portuguesa. Inicialmente, deveriam ficar em Timor até novembro.

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This story is from our news.com.au network Source: AAP
Mothers demonstrate for Dili peace By Rob Taylor in Dili
June 01, 2006 SOME of East Timor's mothers and children have demonstrated for peace outside the Government Palace in central Dili. In baking sun and watched over by Australian soldiers, around 100 people wearing head bands and chanted "We want peace" and "We love Timor". They demanded the country's leaders stop days of politically-motivated gang violence. They vowed to stay there for three days or until there was a breakthrough in talks aimed at ending a power struggle over who was leading the country's security forces. A few kilometres away from the group at a market on the city's western outskirts, troops threw teargas to break up warring groups of east and west Timorese. "The children are sick of it and they need to be free of this fear," protest organiser Filomena Reis said. "They cannot sleep under the dust and rain in the open any longer. "In the day they are so hot and at night now it is very cold." The group unfurled banners in the palace forecourt calling onPresident Xanana Gusmao and rival Prime Minister Mari Alkatiri to stop squabbling and solve the country's problems. "It is their responsibility," said Reis, from East Timor's Peace and Democracy Foundation. "The burning of the houses, the killing of the people, it has to stop," she said. No one was on hand to greet the protesters. Mr Gusmao was several blocks away at police headquarters urging serving officers to holster guns and unite behind him. Aid agencies estimate between 50,000 and 100,000 people have been driven from their homes by East Timor's communal unrest, packing into United Nations emergency camps, into churches, parks and fields near international peacekeeping troops. The World Food Program says 65,000 people are sheltering in camps around the capital, Dili, where at least 21 people have been killed in violence, which first flared after almost 600 disgruntled soldiers quit the army claiming ethnic discrimination.

Timor-Leste: textos importantes


Embora ainda não tenha recebido nenhum pedido de ajuda para conter a violência em Díli, capital do Timor Leste, o governo brasileiro já estuda meios de colaborar. O Comando de Operações Terrestres do Exército avalia quantos homens e quais equipamentos teria para colocar à disposição. Cerca de 150 soldados da Polícia do Exército integraram a Força de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU) que ficou no Timor até as eleições presidenciais.
Leia abaixo o texto
A avaliação das autoridades brasileiras é que as tropas da ONU deixaram o país antes da hora. Com o reinício dos conflitos, tropas da Austrália retornaram ao Timor, e as da Nova Zelândia e de Portugal estão sendo esperadas. Por isso os militares brasileiros estão verificando se, caso sejam convocados, precisarão de nova autorização do Congresso para partir para Díli, ou se a autorização concedida anteriormente continua valendo.
A Polícia do Exército tem batalhões em Brasília, no Rio, em São Paulo e no Recife. O Exército brasileiro mantém um oficial de observação em Díli.

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31/05/2006 - 04h45
Austrália quer restabelecer força de paz da ONU no Timor
Sydney, 31 mai (EFE).
- O ministro da Defesa da Austrália, Brendan Nelson, defendeu hoje a criação de uma força de paz das Nações Unidas para manter a ordem no Timor Leste.O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que, na sua opinião, a organização, que administrou o país entre 1999 e 2002, se retirou cedo demais.O Governo do Timor tem que avaliar se precisa de um Exército maior e como quer administrar a sua Polícia, afirmou Nelson. Ele acrescentou que a Austrália acredita no futuro do Timor e por isso dedica tanto apoio político, militar, econômico e diplomático ao país.Em Dili, o comandante das tropas australianas no Timor, Mick Slater, disse em entrevista coletiva que as forças internacionais estão trabalhando tanto com o presidente, Xanana Gusmão, quanto com o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, para restaurar e manter a ordem.O comandante negou a informação publicada hoje pelo jornal australiano "Sydney Morning Herald" de que as tropas australianas tinham atirado para o alto ontem à noite, para dispersar grupos rebeldes.Slater garante que as tropas internacionais não deram um tiro sequer desde sua chegada ao país. Mas confirmou que os militares australianos usaram ontem gás lacrimogêneo para controlar os bandos, e pode voltar a lançar mão do recurso.

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Forças estrangeiras contribuem para melhorar situação - Ramos Horta
Díli, 31 Mai (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste reconheceu hoje que ainda existe medo e há muito por fazer para restaurar a paz no país, mas a acção das forças estrangeiras está a contribuir para uma melhoria da situação."Naturalmente que ainda existe medo e muito falta ainda fazer para que a paz de espírito seja restaurada e as pessoas se sintam confiantes em regressar às suas casas e retomarem as suas actividades", afirma José Ramos Horta em comunicado.Segundo o ministro, regista-se, no entanto, uma melhoria da situação decorrente da intensificação e reforço, em cada vez mais áreas da capital timorense, da acção dos militares e polícias enviados pela Austrália, Malásia e Nova Zelândia.Lembrando que a última madrugada foi a primeira em que foi possível dormir sem sobressaltos ou receios, Ramos Horta acrescenta que no resto do país não há registo de incidentes.Com o objectivo de avaliar pessoalmente o que se passa nos distritos do interior, o ministro dos Negócios Estrangeiros está a efectuar contactos e visitas a vários distritos.Hoje deslocou-se ao Suai, distrito de Covalima, onde contactou a população e estabeleceu contactos com efectivos da Unidade de Patrulha de Fronteira, da Polícia Nacional de Timor-Leste, e com os oficiais de ligação das Nações Unidas."Salientei aos funcionários da administração pública a importância de continuarem a servir as populações e em não se afastarem das suas obrigações", frisou.Ramos Horta aproveitou para informar a população dos últimos desenvolvimentos visando a resolução da crise em Díli, designadamente a comunicação ao país do Presidente Xanana Gusmão

4.6.06

Timor-Leste: textos importantes

31/05/2006 - 09h15
Capital do Timor ainda tem saques, mas tensão já é menor
Díli, 31 Mai (Lusa) - Um dia depois de o presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, ter assumido a responsabilidade pelas áreas de defesa e segurança, a capital Díli estava mais calma hoje, embora alguns incidentes tenham sido registrados.Pelo menos três pequenas mercearias no terminal rodoviário foram saqueadas e incendiadas pela manhã (noite de ontem no Brasil) no bairro de Bécora. Após a intervenção de militares australianos, o local ficou deserto. Também em Bécora, pelo menos cinco casas incendiadas na terça-feira ainda estavam queimando.Já no bairro de Comoro, no leste de Díli, um ataque de cerca de 50 civis armados ao mercado local deixou pelo menos uma pessoa ferida, que foi socorrida por soldados australianos. Segundo testemunhas, o grupo também incendiou seis casas e cerca de dez barracas do mercado.Apesar disso, a tensão em Díli estava menor e, embora a maior parte das lojas continuasse fechada, crianças vendiam hortaliças nas ruas, já havia mais trânsito e postos de gasolina começaram a funcionar. Com tropas australianas em toda parte, os moradores começaram a se deslocar, dirigindo-se para casa ou aos centros de distribuição de arroz - mas voltando ao local onde estão refugiados. Segundo as Nações Unidas, 70 mil pessoas estão desalojadas.A capital timorense vive uma crise desde o final de abril, depois de cerca de 600 soldados terem sido exonerados das F-FDTL (Falintil-Forças de Defesa do Timor Leste) por causa de protestos contra discriminação étnica. A crise se agravou com a deserção de efetivos das F-FDTL e da Polícia Nacional e após confrontos, que também envolveram grupos de civis armados. As autoridades pediram ajuda militar à Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal para combater a violência, que já matou cerca de 20 pessoas.Mais tropasUm grupo de 123 militares da Nova Zelândia chegou hoje a Díli para integrar a força internacional. "A partir de hoje, temos 180 efetivos no Timor Leste", disse a tenente Barbara Cassin, porta-voz das forças neozelandesas no TimorPortugal vai contribuir com 120 agentes da GNR (Guarda Nacional Republicana, a polícia militarizada), cuja partida ao Timor Leste está prevista para amanhã. A Austrália já enviou cerca de 1.800 militares e 50 agentes da polícia federal, enquanto a Malásia tem entre 200 e 250 homens.

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Timor-Leste: Falhou acompanhamento das jovens forças de segurança - Especialista
Lisboa, 31 Mai (Lusa) - A desarticulação das forças de segurança de Timor-Leste deveu-se à falta de um acompanhamento internacional indispensável a uma força criada "do nada", defendeu hoje o subintendente Luís Elias, responsável pela formação da polícia timorense em 2002-2003. Luís Manuel André Elias apresentou hoje ao fim da tarde, em Lisboa, o livro "A Formação das Polícias nos Estados Pós-Conflito: o caso de Timor-Leste", editado pelo Instituto Diplomático e que resulta da tese de mestrado em Ciência Política do subintendente da PSP, elaborada com base na sua experiência enquanto responsável directo pela formação da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL). "O livro aborda o processo de formação da Polícia Nacional de Timor-Leste e a construção do primeiro Estado do século XXI a partir do nada", explicou o subintendente Elias à Agência Lusa. "A principal lição apreendida é a de que o processo de construção de um Estado não se compadece com projectos de curta duração. A consolidação tem de ser feita a longo prazo, quer através da cooperação bilateral, quer através das Nações Unidas", afirmou. Questionado sobre se discorda da saída das Nações Unidas de Timor-Leste - com o mandato da actual missão prolongado em Maio por um mês -, Luís Elias não hesita: "Foi prematura (Ó) sobretudo a pressa em transferir responsabilidades para as autoridades locais", disse, frisando contudo que não inclui nestas responsabilidades as de Governo, que considera acertado estarem completamente nas mãos dos timorenses. "A missão está lá, mas reduziu muito os seus efectivos e o seu empenho no acompanhamento das instituições (Ó) A consolidação da cadeia de comando e controlo ficou entregue a meia dúzia de conselheiros", disse, explicando que esse número é muito insuficiente para assegurar "a complexidade da formação de uma polícia e da sua relação com as outras instituições". Essa falta de acompanhamento fez com que "haja processos muito complexos que não correram bem", de que é exemplo "a integração dos ex- combatentes", "muitos dos quais não foram reintegrados com sucesso na sociedade". Depois de afirmar que esse longo processo de consolidação deve ser assumido tanto pela ONU como pelos principais países doadores, o subintendente Elias sublinhou também a importância da "coordenação entre os diferentes países" para que haja uma "interligação entre os projectos em áreas conexas", coordenação que considerou não ter existido. Neste contexto, a actual crise "não (o) surpreende", embora faça questão de sublinhar que "a desarticulação começou nas Forças de Defesa", com o abandono dos quartéis por mais de 500 militares, em Fevereiro, a que se seguiram, em Maio, dezenas de outros, que desertaram em protesto pela intervenção das Falintil - Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) nas manifestações do fim de Abril. "Isto não é uma crítica aos timorenses. Agora, são obviamente instituições frágeis que requerem maior acompanhamento. Quando se tem as forças de defesa a disparar contra a polícia, algo está mal", disse, referindo-se aos incidentes de quinta-feira passada, em que dez polícias morreram e cerca de 30 ficaram feridos quando militares das F- FDTL dispararam sobre polícias desarmados. Para o subintendente, uma situação com a que se vive "tem de ter consequências" junto da ONU e dos principais doadores. Luís Elias defende a ida para Timor-Leste de uma nova missão da ONU que acompanhe a consolidação das jovens instituições do país, "numa actuação integrada" com os principais doadores "e em conjugação com as autoridades timorenses". Essa missão, considerou, deve ser "reforçada em diversas áreas", desde logo na da segurança interna e de defesa.
MDR. Lusa/fim

Timor-Leste: textos importantes

DILI, East Timor -- East Timor was supposed to be a showcase for U.N. nation-building, a rousing symbol of how a downtrodden land could stand on its own with help from the world.Instead, one of Asia's poorest countries became an emblem of upheaval as the army battled former soldiers in the capital and gangs burned homes and assaulted each other with machetes.Australian-led forces, who came to East Timor in the midst of a bloody transition from Indonesian rule in 1999, are back to keep the peace in the capital. Virtually all government offices are closed, and many lawmakers have fled.It's a sad departure from 2002, when East Timor declared independence in a joyous display of fireworks, traditional dance and drum music after a period of U.N. oversight and an infusion of international aid. U.N. chief Kofi Annan and former President Bill Clinton were among the celebrants.So why did the former Portuguese colony descend so abruptly into brutality and political paralysis?"These sorts of problems are absolutely common to newly independent, postcolonial states. They always have a lot of things to sort out," said Damien Kingsbury, an Australian academic and an expert on East Timor."The belief is always that independence is the end of the struggle, whereas in reality independence is the beginning of the struggle," he said.East Timor is an extreme case, a neglected territory where violence and deprivation became routine for many people during 24 years of harsh Indonesian occupation. Their hopes that conditions would suddenly improve after independence were all but impossible to fulfill.advertising"They don't see the benefits in economic terms," said Zhu Xian, who directs World Bank operations in East Timor. "That probably generated a lot of frustration."He said many new nations lapse into violence five years after independence as an early surge of optimism fades and deeply rooted tensions overwhelm weak, untested institutions.East Timor is no exception, despite the efforts of a transitional U.N. administration that drew nearly 10,000 civilian and military personnel to the country of fewer than 1 million people.The territory was a key focus for the United Nations because militias linked to the Indonesian military killed, burned and pillaged after East Timor voted for an end to Indonesian rule.Indonesian civil servants fled, leaving empty posts that could not be filled by untrained local residents. East Timor was left with only 20 percent of its secondary school teachers, only 23 medical doctors, and no pharmacists, according to a World Bank report.Many buildings were quickly rebuilt under U.N. supervision, and advisers from across the world helped train lawyers, judges and the armed forces. East Timor held elections and adopted a constitution.But some observers believe the United Nations left East Timor too soon - U.N. peacekeepers pulled out a year ago - and retained too much authority for too long.Mario Viegas Carrascalao, an opposition leader and former governor of East Timor under Indonesian rule, said he had told U.N. officials that they should keep a robust presence in the region for at least a decade so democratic institutions could mature."We have to change minds, improve human resources, create an economic base," Carrascalao said. The large international presence scaled back in 2002, exacerbating already high unemployment rates.After protracted negotiations with Australia over territorial rights, East Timor has yet to fully reap the benefits of oil and gas reserves under the Timor Sea. Its non-oil economy of coffee harvests and subsistence agriculture is stagnant and only a trickle of tourists visit.Also, the tensions between old independence fighters and those perceived to be sympathetic to Indonesia were never resolved, and they have flared up in the recent violence.East Timor has sought to reconcile with Indonesia. But the lack of will to pursue prosecutions for occupation-era killings, or a reconciliation commission similar to that of post-apartheid South Africa, means there is no outlet for resentments.Amid the euphoria of independence celebrations in 2002, President Xanana Gusmao delivered a warning that seemed to presage the recent violence in Dili."Our independence will have no value if all the people in East Timor continue to live in poverty and continue to suffer all kinds of difficulties," Gusmao, a former guerrilla leader, said. "We gained our independence to improve our lives."

Timor-Leste: textos importantes

31/05/2006 - 12h42
Timor Leste vive dias de anarquia sectária
SÃO PAULO - Timor Leste vive uma situação de anarquia nos últimos dias, com uma onda de violência entre gangues rivais e enfrentamentos entre membros da polícia e do Exército, leais respectivamente ao presidente Xanana Gusmão e ao premiê Mari Alkatiri, que disputam o poder no país. Ao menos 20 pessoas foram mortas desde o início dos choques, na semana passada, e cerca de 60 mil tiveram de fugir de suas casas.Grande parte da população está recebendo ajuda humanitária da ONU. Mais de 2 mil soldados australianos foram enviados para tentar proteger os civis pegos em meio ao fogo cruzado. Grupos de civis armados com armas brancas estão atacando e incendiando residências e edifícios públicos em Díli.Ontem, foram saqueados os gabinetes do Ministério da Justiça e da Procuradoria-Geral. O presidente Xanana Gusmão assumiu poderes de emergência para lidar com a crise.

Timor-Leste: textos importantes

31/05/2006 - 12h13
Brasil, Portugal e FMI pedem diálogo no Timor Leste
Díli, 31 Mai (Lusa) - Brasil, Portugal e outros 12 países e instituições financeiras que dão ajuda ao Timor Leste lançaram hoje um apelo aos grupos em conflito para que ponham fim à violência no país, que já matou cerca de 20 pessoas e deixou 70 mil desabrigados.Em comunicado, a Comunidade Internacional de Doadores afirma que o Timor Leste precisa proteger as conquistas que obteve desde o início do processo de independência da Indonésia, há sete anos. "A nação mais nova do mundo se recuperou da devastação causada pela crise de 1999 com grandes passos, ao construir sua economia e criar um serviço público a partir do zero", diz o comunicado."Estes ganhos, que foram obtidos graças a esforços significativos do povo timorense, não podem ser destruídos pela violência e o conflito", diz a Comunidade, que afirma esperar que as forças internacionais no país ajudem restaurar a segurança na capital Díli."Todos os envolvidos devem aproveitar a oportunidade de diálogo entre si e com a população para encontrarem uma solução pacífica", diz o documento, que destaca a chegada, esta semana, do enviado especial das Nações Unidas ao país, Ian Martin.Além de Brasil e Portugal, assinam o comunicado Austrália, Estados Unidos, Finlândia, Irlanda, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Suécia e Reino Unido, e ainda Comissão Européia, Banco Asiático de Desenvolvimento, Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial.Antiga colônia portuguesa, o Timor Leste foi ocupado pela vizinha Indonésia em 1975. Em 1999, a população a independência em um referendo, mas milícias pró-Indonésia realizaram um massacre no país. A ONU então enviou uma missão, a UNOTIL, e em 2002 o país completou o processo de independência.A capital timorense vive uma crise desde o final de abril, depois de protestos violentos de cerca de 600 soldados exonerados das F-FDTL (Falintil-Forças de Defesa do Timor Leste). A crise se agravou com a deserção de efetivos das F-FDTL e da Polícia Nacional e após confrontos, aparentemente de natureza étnica, que também envolveram grupos de civis armados. As autoridades pediram ajuda militar à Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal para combater a violência, que já matou cerca de 20 pessoas

Timor-Leste: textos importantes

31/05/2006 - 11h43
Líder rebelde de Timor Leste rejeita as medidas do presidente Xanana Gusmão
DILI, 31 mai (AFP) - O líder dos soldados rebeldes do Timor Leste, Alfredo Reinado, rejeitou nesta quarta-feira as medidas anunciadas pelo presidente Xanana Gusmão para restabelecer a calma no país, tornando pouco provável uma solução rápida para a crise que já dura várias semanas."Não é uma solução", afirmou à AFP o comandante Reinado, entrevistado por telefone em sua base situada na periferia da capital Dili. "O presidente cometeu um erro", assegurou.O líder rebelde disse que qualquer solução para o conflito no Timor Leste deve incluir a demissão do primeiro-ministro Mari Alkatiri, que expulsou Reinaldo e outros 600 soldados do Exército no mês passado, desatando a atual onda de violência no país.O presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, anunciou nesta terça-feira que em virtude dos poderes de emergência assumiu o controle total do Exército, depois de vários dias de violência neste pequeno país asiático.O Exército estava até o momento sob o controle do primeiro-ministro, alvo de várias críticas por não ter conseguido, segundo os detratores, impedir a explosão do conflito entre militares desertores e tropas regulares.Os poderes de emergência serão assumidos pelo presidente durante um período de 30 dias, eventualmente prorrogáveis, acrescentou o presidente.Gusmão estimou que estas medidas são necessárias para deter a violência e restabelecer a ordem pública, mas descartou ceder às pessoas, em particular ao apelo das ruas, que reclamam a saída de Alkatiri, acusado de não ter impedido a violência.O líder rebelde pede a cabeça de Alkatiri por considerá-lo um "criminoso que não deveria ser autorizado a continuar como primeiro-ministro".Alkatiri afastou o comandante Reinado no final de abril e os 600 soldados, quase 40% das forças timorenses, desertaram ao se sentirem vítimas de discriminações.Quase 20 pessoas morreram nos distúrbios da semana passada, mas não houve mais mortes desde que uma missão internacional de tropas estrangeiras, comandada pela Austrália e integrada por 2.250 homens, chegou para controlar a situação e desarmar os bandos armados e facções rivais que semeiam o terror em Dili.
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Timor Leste
Xanana Gusmão

Timor-Leste: textos importantes

31-05-2006 19:32:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-8041084
Na mesma cerimónia, realizada junto à Torre de Belém, o primeiro-ministro manifestou a sua "confiança" no "empenhamento, profissionalismo ecompetência " da GNR."Quero que saibam, que o país tem orgulho na GNR, que é uma força prestigiada internacionalmente, que tem sabido estar à altura dascircunstâncias mais difíceis em nome de Portugal e da comunidadeinternacional", disse José Sócrate s.O comandante-geral da GNR, Mourato Nunes, realçou que a presença doprimeiro-ministro na cerimónia "espelha a relevância política daparticipação da GN R nesta missão de paz em Timor e confere dignidade aeste acto público".Antes da sua intervenção, o comandante-geral entregou o estandartenacional ao subagrupamento Bravo, o que simboliza a entrega do comandomilitar.Mourato Nunes enalteceu o apoio do ministro da Administração Interna,António Costa, para "superar a multiplicidade dos problemas destamissão", e realçou que a partida dos militares representa um gesto desolidariedade para com um povo amigo a quem Portugal está ligado porséculos de história.Referiu estar ciente dos "perigos e ameaças" que os militaresenfrentarão, mas sublinhou que nada disso os afastará do cumprimento damissão."Não há ameaças ou perigos que nos possam afastar do dever de servirPortugal", enfatizou.Classificou ainda a GNR como uma força de segurança moderna e ecléticacapaz de responder "aos grandes desafios do nosso tempo".Agradeceu o apoio incondicional do governo nesta missão e manifestou atodos os militares que vão partir para Timor que, apesar da distância "aGNR est á próxima deles".FC.Lusa/Fim

Timor-Leste: textos importantes

31-05-2006 19:31:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-8041063
Lisboa, 31 Mai (Lusa) - Um grupo de jovens universitários portuguesesorganiza quinta-feira em frente da Torre de Belém, em Lisboa, umaconcentração para apelar à união dos jovens timorenses contra aviolência registada no último mês em Timor-Leste."Os jovens universitários portugueses sensibilizados e preocupadosjuntaram-se e decidiram fazer um apelo aos jovens timorenses para seunirem contra a violência", disse hoje à Agência Lusa Bernardo Pereira,um dos dinamizadores da iniciativa.Durante a concentração, que terá início às 18:00, será realizada umacerimónia que começa com a leitura de uma Declaração Pública aos jovensem tétum, por um estudante timorense, e em português, pela jornalistaFátima Campos Ferreira.A Declaração Pública será depois entregue à embaixadora de Timor-Lesteem Portugal, Pascoela Barreto, ao som do hino timorense."Vai ser uma cerimónia simples, a única mensagem é a causa de Timor",frisou Bernardo Pereira.Aos jovens interessados em participar na concentração é sugerido quelevem uma flor branca, símbolo da paz.A Declaração Pública apela a "todos os jovens timorenses, que se unamcontra a violência", porque a "Paz, a Democracia e a Liberdade sãovalores inalienáveis e inadiáveis".No documento, é também pedido aos jovens timorenses que "acreditem nofuturo", sublinhando que só o "diálogo, o respeito, a união e o trabalhoserão resposta para a resolução das dificuldades".A Declaração Pública a ser entregue à embaixadora timorense pode serconsultada e subscrita num blogue disponível em timor.blogs.sapo.pt.Timor-Leste, em particular Díli, vive uma situação de violência desde ofinal de Abril, depois de cerca de 600 soldados terem sidodesmobilizados das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL),após protestos contra alegados actos de discriminação étnica por partedos superiores hierárquicos.MSE.Lusa/fim

Timor-Leste: textos importantes

ACNUR ENVIA EQUIPE DE EMERGÊNCIA E MANTIMENTOS PARA O TIMOR LESTE
Operação de emergência vai custar US$ 3,7 milhões e ajudará cerca de 30.00 pessoasBrasília, 31 de maio de 2006 - O ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados) anunciou nesta quarta-feira, em Genebra, o envio de mantimentos e equipes de ajuda humantiária ao Timor Leste para ajudar as dezenas de milhares de pessoas deslocadas internamente pela recente onda de violência naquele país asiático. Com um custo estimado de US$ 3,7 milhões, essa operação de emergência da agência da ONU para refugiados fará o transporte aéreo de tendas e outros equipamentos de abrigo, além de itens básicos de necessidades domésticas para cerca de 30 mil pessoas. Os equipamentos a serem transportados se encontram atualmente nos estoques do ACNUR no Oriente Médio.Uma equipe do ACNUR, que está desde ontem em Dili, a capital timorense, informou que as necessidades mais críticas para os cerca de 65.000 deslocados na cidade - além da segurança física - são comida, água limpa e abrigo. Estima-se que outros 35.000 timorenses tenham deixado a capital em busca de segurança."O apoio da comunidade internacional e das Nações Unidas que permitiu ao Timor Leste se tornar uma nação independente foi extremamente importante. Assim, quando vemos esse momento difícil em que os timorenses sofrem com a insegurança e o deslocamento forçado, a ajuda da comunidade internacional torna-se novamente importante", afirmou o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, o português António Guterres.O presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, e o representante especial da ONU para o país solicitaram ao ACNUR auxílio para reduzir a triste situação dos deslocados internos na região. Detalhes da operação de transporte aéreo, que inicialmente entregará tendas de emergência tamanho família, abrigos emergenciais, reservatórios de água, cobertores e materiais de cozinha, ainda estão sendo detalhados. Durante essa semana, chegará ao Timor uma equipe de emergência do ACNUR, com especialistas em planejamento e logística, proteção e coordenação em ações humanitárias para situações de crise.Os US$ 3,7 milhões gastos na operação virão das próprias reservas financeiras do ACNUR, mas terão que ser repostos rapidamente uma vez que o financiamento dessa ação deverá aumentar, dependendo da evolução da crise no Timor Leste. As autoridades timoreneses estão considerando a possibilidade de criar áreas para o abrigo dos deslocados internos, que atualmente estão concentrados em locais escolhidos aleatoriamente.O ACNUR tem um envolvimento histórico na região do Timor Leste, tendo repatriado para o país mais de 220 mil timorenses que fugiram da violência e dos distúrbios ocorridos em agosto de 1999, quando as Nações Unidas organizaram um referendo sobre a independência do país em relação à Indonésia. A agência da ONU para refugiados também deu assistência humanitária às cerca de 28 mil pessoas que optaram por ficar na Indonésia e confirmar sua nacionalidade naquele país. Em dezembro de 2005, o ACNUR encerrou suas operações humanitárias no Timor depois de seis anos de trabalho e atualmente tem uma presença limitada no país.Quando foi o primeiro ministro de Portugual, o Alto Comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, envolveu-se diretamente nas negociações com o governo indonésio que levaram à independência do Timor Leste.Para mais informações, visite www.unhcr.org e www.acnur.org

Timor-Leste: textos importantes

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) anunciou hoje que enviará uma missão com pessoal e material de emergência ao Timor Leste, para socorrer milhares de deslocados após a onda de violência nesse país, que conseguiu sua independência há apenas quatro anos.
Leia abaixo o texto
Os graves distúrbios que provocaram nos últimos dez dias o deslocamento de dezenas de milhares pessoas em Dili, a capital timorense, têm relação com a decisão do primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, de afastar 600 soldados dos 1.400 que tinha o Exército. Assim, os confrontos protagonizados na semana passada pelos soldados afastados e pelas forças governamentais geraram a violência andarilha que mergulhou Dili no caos. "Agora que vemos os difíceis momentos pelo qual passam os timorenses, com problemas de insegurança e deslocamento forçado, é importante que a comunidade internacional venha em sua ajuda", disse o responsável do Acnur, António Guterres. Em comunicado distribuído em Genebra, onde fica a sede central do Acnur, Guterres explicou que o presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, e o representante especial da ONU para esse país pediram a ajuda do órgão da ONU "para aliviar o sofrimento dos deslocados". De forma imediata, essa agência humanitária enviará material de abrigo e outros artigos básicos para atender 30.000 deslocados, cujo número - segundo a informação recebida do país asiático - já subiu para 65.000, dos quais 35.000 fugiram para o interior do país. Guterres disse que o Acnur utilizará recursos de sua reserva para financiar a operação aérea, e assim permitir o transporte e a compra dessa ajuda, além do deslocamento de sua equipe de emergência, que no total custará US$ 3,7 milhões. No entanto, advertiu que "esses recursos precisam ser cobertos rapidamente, e serão necessários mais recursos, dependendo da evolução da situação". Além disso, disse que as autoridades timorenses estão avaliando os lugares onde serão construídos os acampamentos de deslocados, para onde irão as pessoas que agora estão aglomeradas no aeroporto e no porto da cidade, em escolas e em centros religiosos.
in Último Segundo (via Crocodilo Voador)

Timor-Leste: textos importantes

31-05-2006 17:58:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-8040063
Díli, 31 Mai (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros deTimor-Leste reconheceu hoje que ainda existe medo e há muito por fazerpara restaurar a paz no país, mas a acção das forças estrangeiras está acontribuir para uma melhoria da situação."Naturalmente que ainda existe medo e muito falta ainda fazer para que apaz de espírito seja restaurada e as pessoas se sintam confiantes emregressar às suas casas e retomarem as suas actividades", afirma JoséRamos Horta em comunicado.Segundo o ministro, regista-se, no entanto, uma melhoria da situaçãodecorrente da intensificação e reforço, em cada vez mais áreas dacapital timorense, da acção dos militares e polícias enviados pelaAustrália, Malásia e Nova Zelândia.Lembrando que a última madrugada foi a primeira em que foi possíveldormir sem sobressaltos ou receios, Ramos Horta acrescenta que no restodo país não há registo de incidentes.Com o objectivo de avaliar pessoalmente o que se passa nos distritos dointerior, o ministro dos Negócios Estrangeiros está a efectuar contactose visitas a vários distritos.Hoje deslocou-se ao Suai, distrito de Covalima, onde contactou apopulação e estabeleceu contactos com efectivos da Unidade de Patrulhade Fronteira, da Polícia Nacional de Timor-Leste, e com os oficiais deligação das Nações Unidas."Salientei aos funcionários da administração pública a importância decontinuarem a servir as populações e em não se afastarem das suasobrigações", frisou.Ramos Horta aproveitou para informar a população dos últimosdesenvolvimentos visando a resolução da crise em Díli, designadamente acomunicação ao país do Presidente Xanana Gusmão.Na comunicação, feita terça-feira à noite (hora local), o presidentetimorense anunciou a adopção de várias medidas de emergência tendentes afazer face à crise, que vigorarão durante 30 dias, prorrogáveis senecessário e sem prejuízo da instauração do estado de sítio, caso talvenha a revelar-se necessário.Entretanto, no quadro da avaliação pelas Nações Unidas da actualsituação na capital, Ian Martin, enviado especial do secretário- geralKofi Annan, voltou hoje a ser recebido pelo presidente Xanana Gusmão.Ian Martin, que chefiou a missão da ONU que supervisionou o referendo de30 de Agosto de 1999, em que a maioria dos timorenses votou a favor daindependência, pondo termo a 24 anos de ocupação indonésia, chegousegunda-feira a Díli, tendo nesse mesmo dia sido recebido pelo chefe deEstado timorense.Fonte da Presidência da República disse à Lusa que "os dois encontros seenquadram no mandato conferido pelo secretário-geral da ONU, deavaliação directa da situação no país".Além de Ian Martin, que não fez declarações à saída, no encontro de hojeesteve também Tamrat Samuel do Departamento de Assuntos Políticos daONU, um dos elementos da organização que mais acompanhou a questão deTimor-Leste no período entre 1999 e 2002.EL.Lusa/fim

Timor: poesia

As janelas de Timor
Diz-me estimado e atento amigo
se não é tudo tão obvio e evidente
pega-se nas armas e cá vai disto
os argumentos escasseam e nem se explica
mas catanas impressionam-nos
lembram-nos
há pessoas em perigo
assustadas as crianças os olhares
os olhosas mãos e o colo
um português inocentemente falado
não são as bananas ou abóboras
não
não é o café
não é o preparado picante
nem o sangue a correr por isso
é sempre a mesma merda
abre-se a janela de Timor
e lá vem o aroma inebriante
cheira a petróleo que tresanda

João Gil in Joao Gil (Desabafo)

Timor-Leste: textos importantes

Tropas de paz devem ficar mais 6 meses no Timor

Muitas casas e veículos foram incendiados na capital do Timor, Díli
Os cerca de 1,3 mil soldados australianos enviados na semana passada para controlar a situação no Timor Leste devem permanecer no país por até seis meses, e um grupo menor até as eleições do ano que vem, de acordo com funcionários do governo da Austrália.
Apesar da presença de tropas de paz estrangeiras, a violência no país continua.
O ministro do Exterior da Austrália, Alexander Downer, afirmou que a situação não pode ser resolvida por meio de conciliação política – uma opinião que é compartilhada por todo o grupo de 15 nações que financiam o país e que divulgaram um comunicado conjunto nesta quarta-feira.
O presidente timorense, Xanana Gusmão, assumiu os poderes em caráter emergencial na terça-feira em mais uma tentativa de acalmar os ânimos.
Ele também assumiu pessoalmente o controle das Forças Armadas para tentar restaurar a estabilidade.
Líder da resistência
Durante os 24 anos de ocupação da Indonésia no Timor Leste, Xanana foi um dos principais líderes da resistência armada timorense.
Nas últimas semanas, confrontos entre ex-soldados, gangues de jovens e as forças de segurança timorenses provocaram uma onda de violência e forçaram o envio de tropas de paz estrangeiras ao país na última quinta-feira.
Depois de fracassar nas tentativas de restaurar a estabilidade, o primeiro-ministro do Timor Leste, Mari Alkatiri, recebeu vários apelos para se demitir, mas se recusa a entregar o cargo.
Ele alega que essas decisões devem ser tomadas pelo povo durante as eleições.
No início dessa semana, a capital do Timor Leste começou a registrar saques, cinco dias após a chegada das tropas de paz da Austrália para patrulhar a cidade.
Saques
Muitos prédios e veículos foram queimados e lojas vêm sendo saqueadas pela população que aos poucos está ficando sem mantimentos.
Dezenas de milhares de pessoas já abandonaram suas casas e agências assistenciais estão alertando para uma crise.
Junto com os saques, gangues de jovens armados com facões estão apavorando os moradores.
O estopim para a onda de violência que começou na semana passada teria sido a demissão de 600 soldados de um contingente de 1,4 mil no mês de março.

Timor-Leste: textos importantes

Timor-Leste: Bispo de Díli lamenta violência, decisão do PR é passo para solução Díli, 31 Mai (Lusa) - O bispo de Díli lamentou hoje a violência registada nos últimos dias, considerando que a decisão do Presidente de assumir a responsabilidade da defesa e segurança em Timor-Leste constitui o primeiro passo para a solução global da crise. Num comunicado divulgado hoje, D. Alberto Ricardo da Silva lamenta "profundamente" os acontecimentos dos últimos dias no país, marcados pela violência protagonizada por grupos de civis com armas de fogo e armamento tradicional, convidando a uma "profunda reflexão" sobre os motivos dessa violência. "A Diocese de Díli convida todos os cristãos a fazerem uma profunda reflexão sobre os últimos acontecimentos para, com coragem, saber arrepender e perdoar, iniciando uma nova vida num Timor novo que todos queremos construir", diz D. Alberto Ricardo da Silva. No mesmo documento o bispo considera que a decisão do presidente Xanana Gusmão de chamar a si o controlo das áreas de defesa e segurança constitui o "primeiro passo da solução global" da crise em Timor-Leste. É a segunda vez que o bispo de Díli toma posição sobre os violentos acontecimentos registados desde 28 de Abril no país. A 02 de Maio, as Dioceses de Díli e Baucau rejeitaram "peremptoriamente toda a violência ocorrida" e instaram o Estado a encontrar uma "solução justa" para os problemas suscitados pelos ex- militares e a "criação urgente de mecanismos de assistência humanitária" pelo Governo. Timor-Leste, em particular Díli, vive uma situação de violência desde o final de Abril, depois de cerca de 600 soldados terem sido desmobilizados das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), após protestos contra alegados actos de discriminação étnica por parte dos superiores hierárquicos. A crise agravou-se com a deserção de efectivos das F-FDTL e da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) e após confrontos entre elementos das duas forças e grupos de civis armados, que provocaram vários mortos, as autoridades timorenses solicitaram a ajuda militar e policial à Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal para repor a ordem. A Austrália foi o primeiro país a responder ao pedido, tendo já enviado 1.800 soldados para Timor-Leste. Portugal enviará quinta-feira para Díli uma força de 120 militares da GNR. EL. Lusa/fim

1.6.06

Timor-Leste: MNE australiano apela para reconciliação política em Díli
Camberra, 31 Mai (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros australi ano, Alexander Downer, apelou hoje para a "reconciliação política" dos líderes t imorenses, sublinhando que só assim será possível resolver a actual crise no paí s. "A reconciliação política vai ser obviamente a chave para a resolução d a actual crise e para garantir um futuro estável para Timor-Leste", disse Alexan der Downer, cujo executivo criticou na semana passada a governação timorense. "Apelamos a todas as partes para que, apesar das suas divergências, act uem no melhor interesse do país esforçando-se por reconciliar esses interesses", acrescentou Downer, citado pela agência australiana AAP. O ministro australiano falava no Parlamento, em Camberra. A Austrália mobilizou cerca de 2.000 militares, incluindo pessoal de ap oio em meios aéreos e navais, e uma companhia da polícia federal para ajudar a p acificar a vida em Díli, que nos últimos dias se tem caracterizado por violentos incidentes entre grupos rivais, de que já resultaram cerca de duas dezenas de m ortos e 70.000 deslocados. O comandante das forças australianas, o brigadeiro Mick Slater, está a coordenar a acção no terreno com o presidente timorense, Xanana Gusmão, e com o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, entre os quais se tem registado alguma tensão em relação à competência em matéria de defesa e de segurança. Segundo um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros australian o, a competência, em última análise, é do presidente timorense. "Na nossa perspectiva, Gusmão é quem tem a máxima autoridade. É ele o c omandante supremo das forças de defesa e de segurança. Mas temos um acordo para a nossa acção no terreno ser coordenada tanto com o presidente como com o primei ro-ministro", disse o porta-voz. "Se houver interpretações diferentes sobre questões políticas decorrent es desse acordo, é uma questão que deve ser resolvida pelos dirigentes timorense s", acrescentou. Xanana Gusmão anunciou terça-feira, numa comunicação ao país, que assum iu o controlo das áreas da defesa e da segurança e que sugeriu a Mari Alkatiri a demissão dos ministros da Defesa, Roque Rodrigues, e do Interior, Rogério Lobat o. Mari Alkatiri convocou para quinta-feira uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros. No Parlamento de Camberra, Alexander Downer disse também aos deputados que o brigadeiro Slater se reuniu em Díli com Mari Alkatiri para lhe transmitir que a Austrália defende uma solução política para a actual crise. "Essa mensagem foi reforçada no encontro com o primeiro-ministro Alkati ri", disse Downer. O comandante do exército australiano, marechal Angus Houston, disse tam bém hoje prever que as forças australianas permaneçam em Timor-Leste por um perí odo de pelo menos seis meses. "A nossa base de planeamento é a de um destacamento de seis meses. A mi nha esperança é que, à medida que a situação for estabilizando, possamos reduzir a força em algum momento no futuro. Mas não estou centrado nisso, neste momento ", disse Angus Houston numa audição no Parlamento. O ministro da Defesa australiano, Brendan Nelson, afirmou hoje consider ar desejável, a médio prazo, que a ONU assuma um papel mais importante em Timor- Leste. "Para a reconstrução política, financeira, legal e social de Timor-Lest e, a médio e longo prazo, pensamos que (...) as medidas de segurança devem passa r pelo governo timorense e envolver uma coligação de países, talvez liderados pe la Austrália", disse Nelson. MDR/PNG. Lusa/Fim

31.5.06

Timor-Leste: textos importantes

31/05/2006 - 09h15 (Lusa Brasil/UOL)
Capital do Timor ainda tem saques, mas tensão já é menor
Díli, 31 Mai (Lusa) - Um dia depois de o presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, ter assumido a responsabilidade pelas áreas de defesa e segurança, a capital Díli estava mais calma hoje, embora alguns incidentes tenham sido registrados.Pelo menos três pequenas mercearias no terminal rodoviário foram saqueadas e incendiadas pela manhã (noite de ontem no Brasil) no bairro de Bécora. Após a intervenção de militares australianos, o local ficou deserto. Também em Bécora, pelo menos cinco casas incendiadas na terça-feira ainda estavam queimando.Já no bairro de Comoro, no leste de Díli, um ataque de cerca de 50 civis armados ao mercado local deixou pelo menos uma pessoa ferida, que foi socorrida por soldados australianos. Segundo testemunhas, o grupo também incendiou seis casas e cerca de dez barracas do mercado.Apesar disso, a tensão em Díli estava menor e, embora a maior parte das lojas continuasse fechada, crianças vendiam hortaliças nas ruas, já havia mais trânsito e postos de gasolina começaram a funcionar. Com tropas australianas em toda parte, os moradores começaram a se deslocar, dirigindo-se para casa ou aos centros de distribuição de arroz - mas voltando ao local onde estão refugiados. Segundo as Nações Unidas, 70 mil pessoas estão desalojadas.A capital timorense vive uma crise desde o final de abril, depois de cerca de 600 soldados terem sido exonerados das F-FDTL (Falintil-Forças de Defesa do Timor Leste) por causa de protestos contra discriminação étnica. A crise se agravou com a deserção de efetivos das F-FDTL e da Polícia Nacional e após confrontos, que também envolveram grupos de civis armados. As autoridades pediram ajuda militar à Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal para combater a violência, que já matou cerca de 20 pessoas.Mais tropasUm grupo de 123 militares da Nova Zelândia chegou hoje a Díli para integrar a força internacional. "A partir de hoje, temos 180 efetivos no Timor Leste", disse a tenente Barbara Cassin, porta-voz das forças neozelandesas no TimorPortugal vai contribuir com 120 agentes da GNR (Guarda Nacional Republicana, a polícia militarizada), cuja partida ao Timor Leste está prevista para amanhã. A Austrália já enviou cerca de 1.800 militares e 50 agentes da polícia federal, enquanto a Malásia tem entre 200 e 250 homens.

Timor-Leste: textos importantes

Bento 16 pede paz e volta à normalidade no Timor Leste
da Efe, na Cidade do Vaticano
O papa Bento 16 fez hoje uma chamada à pacificação e volta à normalidade no Timor Leste, e pediu que a Igreja Católica ajude os desalojados.O pontífice fez o apelo no final da audiência pública das quartas-feiras, que celebrou na praça de São Pedro e que teve a presença de cerca de 35 mil pessoas.O papa disse que seu pensamento está com o Timor Leste, "que nestas dias sofre tensões e violências que causaram vítimas e destruição".Após pedir que a igreja local e as organizações católicas a continuem com a ajuda aos evacuados, junto com outras organizações internacionais, o papa pediu à Virgem Maria que proteja "os esforços de todos que estão contribuindo para a pacificação dos ânimos e para a volta da normalidade" no Timor Leste. Bento 16 pediu ainda a homens e mulheres que "não se esqueçam de Auschwitz" e das "outras fábricas da morte" em que o regime nazista "tentou eliminar Deus para ficar no seu lugar".O papa lembrou sua recente viagem à Polônia, onde seguiu o exemplo de João Paulo 2º e visitou os campos de extermínio nazistas de Auschwitz e Birkenau, perto de Cracóvia.NazismoBento 16 condenou duramente o nazismo e disse que os cristãos devem testemunhar o Evangelho "para evitar" que o terceiro milênio venha a conhecer horrores como os de Auschwitz e Birkenau."Naqueles lugares tristemente conhecidos no mundo todo, como em outros campos semelhantes, Hitler mandou exterminar milhões de judeus. Em Auschwitz e Birkenau, morreram cerca de 150 mil poloneses e dezenas de milhares de homens de outras nações. Diante do horror desses campos, não há outra resposta a não ser a Cruz de Cristo", disse."Que a humanidade não esqueça Auschwitz e as outras fábricas da morte nas quais o regime nazista tentou eliminar Deus e tomar seu lugar. Que não ceda à tentação do ódio racial, que é a origem das piores formas de anti-semitismo", clamou o papa.Bento 16 pediu também que os homens reconheçam Deus como o Pai "que chama todos nós para construirmos juntos um mundo de justiça, de verdade e de paz".

Timor-Leste: textos importantes

31/05/2006 - 08h32 UOL/LUSA
Presidente e premiê do Timor discordam e reunião é adiada
Díli, 31 Mai (Lusa) - A reunião do CSDS - Conselho Superior de Defesa e Segurança doTimor Leste -, que estava marcada para hoje, foi adiada devido a um"braço-de-ferro" entre o presidente Xanana Gusmão e o primeiro-ministro Mari Alkatiri, disse à Agência Lusa uma fonte do governo. Em entrevista à Lusa, o premiê afirmou que não pretende uma disputa com o presidente, mas confirmou oadiamento do CSDS.
Ontem, após uma reunião de dois dias do Conselho de Estado, Gusmão anunciou teraconselhado Alkatiri a demitir os ministros da Defesa, Roque Rodrigues, e doInterior, Rogério Lobato, e que assumia temporariamente a responsabilidade pelasáreas da defesa e segurança. "Há um braço-de-ferro entre o presidente e oprimeiro-ministro porque Xanana Gusmão quer que os ministros sejam exonerados antese não participem na reunião (do CSDS)", disse a fonte, que não quis ser identificada.
Segundo a fonte, o premiê "rejeita" a posição de Gusmão e "insisteque os dois ministros devem participar da reunião" do CSDS. "Alkatirireafirma que esse assunto (demissão dos ministros) é da competência exclusiva dogoverno".Em entrevista à Lusa, Alkatiri não quis adiantar se demitirá os ministros da Defesae do Interior. "Prefiro falar disso amanhã. Ouvi o conselho de Xanana, registrei e vou partilhar isso com os meus colegas do Conselho de Ministros",afirmou Alkatiri.
Questionado sobre o "braço-de-ferro" com Gusmão, Mari Alkatiri afirmou que não pretende "criar quaisquer obstáculos ou dificuldades", mas disse"nunca houve esta exigência de demissões antes da reunião do CSDS" duranteo Conselho de Estado. "Não quero criar dificuldades, mas simplesmente nãoestava informado destas condições novas para que a reunião do CSDS pudesse ocorrer", disse.
Negando que queira uma queda-de-braço com o presidente, o premiê acrescentou que, sesoubesse que o afastamento dos ministros seria uma condição para o CSDS, "teriadito que era impossível". "Isso envolveria um processo, procedimentos. Não tenho por hábito impor condições ou exigências a outros órgãos de soberania",afirmou.Mari Alkatiri informou que convocou uma reunião do Conselho de Ministros para amanhã. Ele reiterou que continua à frente do governo e não pretende renunciar, anão ser que seu partido, FRETILIN, exija. "Sou primeiro-ministro indigitado pelo meu partido. Face a toda esta pressão, se eu me acovardasse estaria a trair meupartido", afirmou.A capital timorense, Díli, vive uma situação de violência desde o final de abril,depois de cerca de 600 soldados terem sido exonerados das F-FDTL (Falintil-Forças deDefesa do Timor Leste) por causa de protestos contra discriminação étnica. A crisese agravou com a deserção de efetivos das F-FDTL e da Polícia Nacional e apósconfrontos entre eles e grupos de civis armados. As autoridades timorenses pediramajuda militar à Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal para combater aviolência, que já matou cerca de 20 pessoas e deixou 70 mil desalojados.
(via Crocodilo Voador)

Timor-Leste: textos importantes

Timor-Leste: Base de dados de violência de 1999 desapareceu - Procurador-Geral
Lisboa, 30 Mai (Lusa) - As bases de dados da violência de 1999, guardad as na Procuradoria-Geral de Timor-Leste, e dezenas de processos desse período e mais recentes desapareceram ou foram destruídos no saque à sede daquele órgão, d isse hoje o procurador-geral timorense. Contactado telefonicamente pela Lusa em Díli, Longuinhos Monteiro expli cou que os autores dos ataques ocorridos nos últimos dois dias roubaram centenas de computadores que estavam no edifício da Procuradoria-Geral, incluindo os que tinham as bases de dados dos crimes de 1999. "Destruíram muitos processos e o mais importante é a base de dados que tínhamos, que desapareceu", disse à Lusa, referindo-se quer aos gabinetes princi pais da procuradoria quer aos da secção de Crimes Graves, que investigou os proc essos dos massacres de 1999, em que morreram cerca de 1.500 timorenses. "Alguns documentos dos arquivos nacionais e processos que estão em inve stigação e outros de pessoas na cadeia também desapareceram", afirmou. Os processos de 1999 referem-se à onda de violência levada a cabo por m ilícias pró-Indonésia, apoiadas por militares indonésios, antes e depois do refe rendo de 30 de Agosto, em que a maioria dos timorenses votou a favor da independ ência de Timor-Leste. Longuinhos Monteiro disse que dezenas de jovens com armas brancas ataca ram os edifícios da Procuradoria-Geral, destruindo equipamento e entrando igualm ente no complexo da Medicina Legal. "Até entraram nos gabinetes dos médicos forenses, onde ainda estavam re stos mortais de vítimas ainda não identificadas dos crimes de 1999. Viraram tudo do avesso e destruíram muitas coisas", afirmou. O procurador-geral timorense manifestou a sua preocupação de que poderá ser "impossível" recuperar uma grande parte dos registos roubados ou desapareci dos, criticando o corpo diplomático e as Nações Unidas por não garantirem a segu rança no local. "Há vários dias que ando a apelar à missão da ONU aqui e às embaixadas da Austrália e dos Estados Unidos - dois dos países que mais dinheiro gastaram n os processos dos Crimes Graves - e ninguém mandou qualquer segurança", afirmou. "Eu bem tentei travar mais roubos, mas sozinho não consigo fazer nada. Os funcionários internacionais que estavam aqui foram retirados do país e nós, o s poucos que aqui ficámos, não conseguimos proteger nada", sublinhou. Longuinhos Monteiro disse que, para já, é impossível precisar se os ind ivíduos envolvidos no saque e na destruição pretendiam apenas roubar equipamento ou outro material ou se pretendiam destruir os processos. "Não posso precisar. Eles roubaram muito equipamento, todos os computad ores e outro material. Arrebentaram as gavetas e os armários que estavam fechado s para roubar coisas do interior", afirmou. "Os danos são elevados e vai ser muito complicado voltar a reconstruir isto. São anos e anos de muito e muito trabalho que desaparecem assim", sublinho u. Longuinhos Monteiro disse que os ataques à Procuradoria-Geral, ao Minis tério da Justiça e a outros edifícios públicos, bem como a onde de saques e dest ruição de propriedade privada em Díli, se assemelham ao comportamento das milíci as pró-Indonésia em 1999. "O comportamento é igual. Agora não há milícias, mas estes indivíduos c omportam-se de mesma maneira. Já não via nada assim desde 1999", comentou. "Saqueiam os sítios e depois queimam-nos. A lei e a ordem não existem, não há polícia e locais como este estão totalmente à mão dos atacantes", disse. "É muito triste. Não tenho mais palavras. É muito, muito triste", acres centou. Nos últimos dias, várias pessoas foram mortas e grupos de civis têm saq ueado e incendiado residências e edifícios públicos em Díli, naquela que é consi derada a pior crise no país desde que Timor-Leste se tornou independente a 20 de Maio de 2002. Face à deterioração da segurança na capital, as autoridades timorenses solicitaram ajuda militar e policial à Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portu gal. Uma força de 1.800 militares australianos encontra-se já no terreno, be m como entre 200 e 250 efectivos da Malásia. Uma companhia de 120 militares da GNR deverá seguir para Díli ainda est a semana. A ONU estima em 60.000 o número de pessoas desalojadas devido ao clima de violência em Díli. ASP. Lusa/Fim

Timor-Leste: textos importantes

The Australian
By Tracy Ong and Mark DoddMay 31, 2006

" EAST TIMORESE Prime Minister Mari Alkatiri should "step down" to avoid being sacked by President Xanana Gusmao as a catalyst for peace, East Timor's first lady said yesterday.

Mr Gusmao's wife Kirsty Sword-Gusmao said the strife-torn nation's Government needed to show "it is prepared to put the interests of ordinary citizens above the needs of the (ruling Fretilin) party, and I think that is part of the problem".

"We support calls for his (Dr Alkatiri's) resignation. There's certainly a push in that direction," Ms Sword-Gusmao said.

Her provocative comments came as a political standoff continued with talks overnight aimed at putting pressure on an increasingly isolated Dr Alkatiri.

A meeting of the country's Council of State was believed to be edging towards a compromise that would see two senior ministers - Interior Minister Rodrigo Lobato and Defence Minister Roque Rodrigues - resign but keep Dr Alkatiri in power.

Dr Alkatiri was last night resisting attempts to force him to hand power for law and order from his Cabinet to the office of the President as Australian-led peacekeepers tried to put a lid on a resurgence of gang violence and hooliganism across the country.

With her husband "laid low" since the violence erupted last week with three herniated discs in his back, Ms Sword-Gusmao has been more outspoken than the President, who limited his comments to calls for calm to the warring parties in his first public appearance on Monday.

But would Mr Gusmao move to sack Dr Alkatiri and remove what they saw as the obstacle to peace in Timor?
"I would hope that it does not come to that, (but) I don't think anything is impossible at the present time," she said.

Last Tuesday, Ms Sword-Gusmao personally told 40 families who had taken shelter in her son's preschool that it was safe to go back to their homes.

"We were strongly of the view the violence had abated," she said.

"They were saying there's more ahead, and within the next 24 hours all hell broke loose."

"Neither Xanana or myself could have predicted that, but when you have lived with political violence for most of your life you can smell it coming a mile away," she said.

Ms Sword-Gusmao, an aid worker who moved from Melbourne to Dili in 1999, denied that her husband was suffering from a debilitating illness, saying he was sufficiently mobile to chair crisis talks.

"It has been two years now without any problem ... He's fine actually, apart from his back."

The couple's three children Alex, 6, Kay-Olok, 4, and Daniel, 18 months, have been house-bound since the violence erupted last week.

Timor-Leste: textos importantes

Não se pode deixar de ler:
Dig in to save Timor
This crisis reveals underlying problems in East Timor that cannot be solved quickly, writes Foreign editor Greg Sheridan
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May 27, 2006

THE tragedy of East Timor would make the angels weep. Just as it was the Timorese civil war that in 1975 precipitated Indonesian military intervention, with all of its dolorous consequences, so it is civil conflict today that has precipitated Australian military intervention.
The two interventions cannot be compared, of course. Hopefully, Australia's will be short and relatively non-violent. And no one in Australia wants to incorporate East Timor.

But it is time to speak bluntly. The situation in East Timor is much worse than even most analysts and commentators realise. The savage killings and lawlessness of the past few days, the fighting between soldiers and police, and between soldiers and soldiers, and police and police, represent a catastrophic failure of the East Timorese Government.

It could have been much worse. The sophistication of Foreign Minister Jose Ramos Horta and the continuing moral authority of President Xanana Gusmao are among the only positive features in a bleak, bleak picture. But Australians should know that Canberra is embarked on a giant and immensely complex project of nation building in East Timor. It is much more complex than it looks and involves most of the elements of national power and international diplomacy that Australia commands.

Two days ago UN Secretary-General Kofi Annan told Prime Minister John Howard "you're a good people" and praised the courage of Australians for their willingness to get involved immediately in East Timor's latest crisis.

Annan's comments reflect his own judgment, but also the emerging consensus on the UN Security Council. Those absurd analysts who continue to insist that there is a choice between Australia's Asian diplomacy and its US alliance should look at the UN politics of East Timor.

In a telephone conversation, US Secretary of State Condoleezza Rice asked her Australian counterpart, Alexander Downer, a simple question: "What do you want us to do?"

When you are confronting a regional crisis, having the world's biggest power as your best friend is an immense advantage.

US assistance is evident in logistics support, but much more importantly in the politics of the UN Security Council. But there is also a critical Southeast Asian dimension to this. Australia must manage its East Timor actions with the ever-present consciousness of Indonesian opinion and reaction. East Timor is an intimate part of a triangular relationship between Canberra, Jakarta and Dili.

Here Ramos Horta's sophistication plays a critical part. Downer briefed his Indonesian counterpart, Foreign Minister Hassan Wirajuda, in detail on Australia's proposed operations in East Timor and won his general approval for the mission. Ramos Horta shrewdly asked for Malaysia to be part of the international assistance.

This was an astute move. The East Timorese have good memories of the Malaysian involvement with Interfet in 1999.

Malaysia readily agreed and may send as many as 500 soldiers to help. They will be of great use in themselves, but the presence of Malaysian soldiers - of the other big Muslim nation in Southeast Asia - is also a huge benefit in managing Indonesian public opinion.

It virtually guarantees support for Australia's actions from ASEAN more generally, too. And of course the Malaysian military has long experience of working with its Australian counterparts through the Five Power Defence Arrangements.

So the East Timor venture brings together every element of Australian diplomatic engagement: local, regional, multilateral and UN focused, and of course the critical relationship with Washington.

The Howard Government is prepared for a deployment in East Timor that will last months, if not years, though of course not at the level of the 1300 or more troops that should be reached by the end of the weekend.

The Australian operation will run along three main lines during the next few weeks.

First, and most important, will be the stabilisation phase produced by the Australian soldiers. This all depends on the credibility of our soldiers. This credibility in turn depends on the Australian army's firepower which, because it is so formidable, may not have to be used at all; the professionalism of the army; and the connections many Australian soldiers already have with East Timor.

Second, Downer is likely to lead an effort to substantially enhance the UN presence in East Timor. The UN's representative, Japanese diplomat Sukehiro Hasegawa, is ineffective. If the UN sends back its former representative, Ian Martin, this will give the UN a greater weight in East Timor and assist in the political management of Timorese affairs.

Moreover, while Australia will provide the bulk of any external resources to help East Timor, the UN badge has credibility with the East Timorese and offers a halo of sanctity for the operation in the region, especially within Indonesia. Although this is essentially an Australian show, the deep involvement of the UN can be useful, provided it is well led and works hand in glove with Canberra.

Third, Canberra will send in some police to work with the remnants of the East Timorese police force, to try to resurrect them into some kind of effective policing body. However, there is a body of opinion in Canberra that the expeditionary police model has not been wholly successful.

Australian police are good, and they are certainly brave and selfless. But there is no getting away from the fact they are not trained to the same level as our soldiers. Further, there are very few Australian policemen who speak Tetun.

This crisis reveals dreadful underlying problems in East Timor that cannot be solved quickly but that must be addressed.

Mari Alkatiri has been a disastrous Prime Minister. He leads the so-called Mozambique clique of Fretilin ideologues. The catastrophic decision to make Portuguese the national language of East Timor perfectly illustrates the dogmatism and unreality of Alkatiri's approach.

This decision disfranchised young East Timorese who speak Tetun, Indonesian or English. It entrenched the clique of ageing, dogmatic Marxist-Leninists within Fretilin and exacerbated every division within East Timorese society. And it does nothing to help East Timor earn a living in the international economy.

East Timor's security forces are far too big. It is crazy for the country to have an army of 1500 and a police force with paramilitary pretensions that acts as a counter to the army, with both institutions internally riven. Instead of providing for the nation's security, the East Timorese armed forces became the security problem.

Although Australian forces have entered Timor at the behest of the legitimate Government, Downer and Defence Minister Brendan Nelson, were at pains to talk of Australian neutrality, that Australia was on no one's side. This is because it is completely unrealistic to imagine that the 600 sacked soldiers at the heart of this dispute - and their sacking is conclusive evidence of Alkatiri's incompetence - could all be prosecuted and put in jail.

The armed forces will need to be drastically downsized and it is hard to imagine how forces that have been shooting at each other can now serve in the ranks beside each other.

But the disaffected soldiers must be reconciled and given some financial compensation and jobs. Otherwise they will constitute a well-trained force ready to revolt in perpetuity.

Finally, this huge and necessary operation must produce the deepest strategic considerations from Australia. Perhaps it would be better to station Australian soldiers permanently in some of the most troubled micro-nations of our region, rather than going in after death and destruction have inevitably set things back decades.

Timor-Leste: textos importantes

Why Australia wants “regime change” in East Timor
By Nick Beams 30 May 2006 in World Socialist Web Site
If one were to believe the official version, the intervention of Australian troops into East Timor is driven by the purest motives. They are there simply to restore peace and stability after the collapse of government authority. But this political fiction has been increasingly exposed by events of the past few days as the power struggle which sparked the crisis comes to the surface.
The Howard government’s intervention has nothing to do with protecting the interests of the East Timorese people. It is aimed at bringing about a “regime change”—the replacement of the government of Prime Minister Mari Alkatiri with an administration more in tune with Australian interests.
It has long been a dictum of foreign policy that there are no permanent allies or alliances, only permanent interests. This is certainly the case in East Timor where one of the chief concerns of the Australian government, supported by the opposition Labor Party, has been to ensure that other powers are not able to exert influence in what is explicitly referred to as “Australia’s own backyard”.
In 1999, the Howard government sent in troops to spearhead the UN military intervention in order to ensure that Australia, rather than the former colonial power, Portugal, exercised the greatest authority in post-independence East Timor and was in the best position to exploit its valuable oil and gas reserves. Nearly seven years on, the essential motivations remain the same.
The underlying conflict with Portugal came into the open last Friday when Prime Minister John Howard asserted during an interview that the crisis in East Timor was due to “poor governance”. This was a clear shot at Alkatiri’s government. It brought an immediate response from Portuguese Foreign Minister Diogo Freitas do Amaral, who criticised Howard’s remarks as “interference in the internal affairs” of East Timor. “We disagree with this kind of declaration by foreign countries,” he said.
But Howard was not deterred. In fact, he decided to say more at the next available opportunity.
In an appearance on the ABC television “Insiders” program on Sunday morning, Howard was asked “how bad” the government of East Timor had been and whether the responsibility rested with Alkatiri.
Howard said he did not want to get into “detailed commentary about the politics of the country” but proceeded to do just that. It was obvious, he said, that the country had not been well governed over the past few years. He said he was not going to retreat from his comments of two days before.
Pressed on longer-term Australian plans—whether there should be an East Timorese equivalent of the situation in the Solomon Islands where Australian officials have taken charge of the finance ministries, as well as the police and prisons —Howard went further.
“Well I don’t rule anything out, but I don’t want to presumptuously declare that that’s going to happen or ought to happen without the matter being discussed with the East Timorese,” he said. “I mean, we have a delicate path to tread here. On the one hand, we want to help; we are the regional power that’s in a position to do so. It’s our responsibility to help, but I want to respect the independence of the East Timorese. But then on the other hand, again, they have to discharge that independence or the responsibilities of that independence more effectively than has been the case over the last few years.”
The “delicate treading” concerns the activities of Australia’s rivals in the region, as indicated by the remarks of the Portuguese foreign minister. So far, the Howard government has been able to counter these pressures because of the backing it has enjoyed from the United States. Just as the Clinton administration backed the 1999 intervention, Secretary of State Condoleezza Rice has made it obvious that the US is fully backing the latest troop deployment. In a telephone conversation with Australian Foreign Minister Alexander Downer she is reported to have asked: “What do you want us to do?”
The immediate focus of regime change is the consultative Council of State meeting presently being held in Dili. This body, convened under President Xanana Gusmao, has the power to sack the Alkatiri government and appoint a so-called “national unity” government until elections due to be held next May.
After a nine-hour meeting yesterday, the council failed to make a decision and further negotiations are being held today. While there was no official announcement, East Timorese foreign minister Jose Ramos-Horta made it plain that, as far as he and Gusmao are concerned, Alkatiri should step down.
Speaking on ABC television, Ramos-Horta said: “What is necessary now is a political resolution of the current political crisis that involves, obviously, primarily the prime minister in a sense that so many people are wanting the prime minister to step down.”
When asked to put his own position, Ramos Horta, declined to comment, saying he was involved in negotiations with both sides.
Within East Timor the campaign to oust Alkatiri, the leader of the ruling party, Fretilin, has been underway for some time. It burst into the open a year ago, following Alkatiri’s decision to make religious education in schools optional rather than compulsory.
This elementary move to separate church and state brought furious denunciations from the Catholic Church. Demonstrations were held calling for the ousting of Alkatiri and for an end to his “extremist government”. In a pastoral note issued in April 2005 the church hierarchy in Dili said the cabinet contained secret “Marxists” who endangered democracy. The government was following policies based on the “Chinese model” and the “retrograde Third World”.
According to a report in Asia Times, the US ambassador to East Timor openly supported the church in its street protests against the government last year, even attending one of the demonstrations in person.
Last January, a leading Fretilin member of the national parliament, Francisco Branco, denounced a prominent priest for waging a campaign to bring down the government. According to Branco, the priest had told churchgoers that a decision to send students to study in Cuba would turn East Timor into a communist country and Fretilin had a plan to kill nuns and priests if it won the next election.
Once the military intervention was launched, the Australian media, taking its cue from the Howard government, stepped up the denunciations of Alkatiri.
In a comment published last Saturday, the Australian foreign editor Greg Sheridan denounced Alkatiri as a “disastrous prime minister” leading the “so-called Mozambique clique of Fretilin ideologues”—a reference to Alkatiri’s long period of exile in another former Portuguese colony during the Indonesian occupation of East Timor.
“The catastrophic decision to make Portuguese the national language of East Timor perfectly illustrates the dogmatism and unreality of Alkatiri’s approach. This decision disenfranchised young East Timorese who speak Tetun, Indonesia or English. It entrenched the clique of ageing, dogmatic Marxist-Leninists within Fretilin and exacerbated every division within East Timorese society. And it does nothing to help East Timor earn a living in the international community.”
Alkatiri and his supporters are neither “Marxists” nor “communists”. Nor are the Howard government and its mouthpieces in the media concerned about the government’s policies toward the people of East Timor. Their opposition to Alkatiri centres on the fact that his faction has sought to win support from other major powers, principally Portugal, and increasingly in the recent period, China, as a counter-weight to the pressure of Australian imperialism.
Alkatiri, in particular, raised the ire of Canberra during the protracted negotiations over the exploitation of the oil and gas reserves when he denounced the Australian government for its bullying tactics.
After four years of intransigence from Howard and Downer, the Dili government was last year forced to agree to delay the final settlement of the maritime border between the two countries for 50 to 60 years. Under international boundary law—which Australia has refused to recognise—East Timor is entitled to most of the oil and gas revenues. But Canberra finally succeeded in having Dili drop its claim of sovereignty over key resource-rich areas of the Timor Sea for two generations; by which time the main oil and gas fields will be commercially exhausted.
If Alkatiri were regarded as an Australian ally in East Timor, rather than as an obstacle, then the attitude of the Howard government, and, correspondingly, commentary in the mass media, would have been quite different.
For a start, the so-called dissident soldiers, whose rebellion sparked the crisis, would not have been portrayed as having legitimate grievances. Instead, the government’s decision to sack them after they went on strike would have been supported. Rather than Australian military commanders holding discussions with the “rebels,” they would have been denounced for organising a mutiny, taking the law into their own hands, and creating the conditions for “terrorism”. Their campaign for the ousting of the Alkatiri government, however, dovetails with Australian interests.
Those interests centre on securing Australia’s position in a region where great power conflicts are increasing. As a comment in yesterday’s Australian Financial Review noted, the emerging rivalry between Japan and China is extending into the Pacific, posing a “real challenge for a government that is always claiming to be on such good terms with Tokyo and Beijing”.
Pointing to the long-standing economic issues that have always motivated Australian foreign policy in this region, the comment continued: “It’s worth remembering that in 1920, Australian strategic planners were worried about Japan trying to get its hands on the rumoured oil resources of Portuguese Timor, but in 1975 there were fears that China would manipulate a leftish independent Timor for territorial advantage.”
Now that the existence of oil and gas resources had been clearly established, the rivalry between Japan and China for energy would pose increasing challenges for Australia, the comment noted.
One of the ways of meeting these challenges is to ensure that a “reliable” regime is in place in Dili. This is a major factor underlying the power struggle now being played out in the East Timorese capital.

See Also:

Timor-Leste: textos importantes

Apesar de ser do passado dia 25, convém ler:

Fractured democracyAustralian troops heading to East Timor to restore law and order face a number of warring factions, writes Mark Dodd
May 25, 2006

Nation divided: East Timorese soldiers patrol the outskirts of Dili
ON Tuesday he was in the hills above East Timor's capital Dili putting his Australian military training to good use, trying to kill his former army comrades. Alfredo Alves Reinado, the highest ranking East Timorese army officer to join 595 other military rebels, has shown he is prepared to back his threats with action.
At least two soldiers, one rebel and one loyalist, have died in gun battles on the capital's western outskirts as violence in East Timor once again spirals out of control.
Reinado is emerging as a central player in the crisis that was triggered earlier this year with a protest by 595 soldiers over poor pay and conditions and ethnic discrimination over promotion.
The ethnic fault line runs deep in East Timorese society but in the case of the army, known by its Portugese acronym F-FDTL, it pits eastern-born Timorese (Lorosae) against their western kinsfolk, the Loromonu. On April 27-28 it exploded into deadly violence on the streets of Dili.
The uprising caused a change of career path for Reinado, whose CV makes interesting reading.
Captured by Indonesian troops in 1975, he served as a porter in the Indonesian army in Sulawesi and Kalimantan before escaping to Australia. He found work in Western Australia's shipyards for nine years before returning to his homeland after the historic 1999 referendum for independence.
His nautical skills were quickly put to use by the commanders of the country's new F-FDTL defence force and he was appointed commander of East Timor's two patrol boat navy. But his career soured quickly, perhaps due to what one of his former trainers describes as his "direct manner", typical of the straight-talking style of Australian waterside workers. East Timor's armed forces commander, Brigadier-General Taur Matan Ruak, ordered he be transferred to army headquarters in Dili. It was a slight he would not forget.
He stayed in the defence force and was appointed commander of a new 33-strong military police platoon after a training stint at the Australian Defence Force college in Canberra late last year.
He also wangled an operational cruise on one of the RAN's patrol boats, probably with a view to taking charge again one day at the Hera naval station outside Dili.
But the violence in April changed his career plans. On May 4 he gathered together 20 loyal MPs and four members of East Timor's elite paramilitary riot police, loaded weapons and ammunition on to two lorries and took to the hills of Aileu in sympathy with his Loromonu clan. At first the East Timor Government played down the significance of the desertion. Foreign Minister Jose Ramos Horta said after meeting Reinado that the officer had simply returned to his home town to protect civilians living there. But what Ramos Horta did not reveal was Reinado's past grievances with his eastern-born army superiors and his open sympathy for the plight of the other army rebels garrisoned nearby in the coffee-growing hill town of Ermera; rebels such as Lieutenant Gasto Salsinha, who leads one-third of the army deserters.
As with generations before him, Salsinha and his rebel band are in hiding in East Timor's remote mountain fastness. Ramos Horta says negotiations have started with the rebel soldiers to bring about a peaceful resolution to the protest responsible for the worst violence seen in the impoverished country since the militia carnage in 1999.
East Timorese defence sources say that while bias by eastern-born army commanders against western recruits exists in the country's small army, unheeded complaints of poor pay and conditions are equally to blame for the army protest and subsequent riots on April 28-29.
The violence has left at least six dead and dozens injured. Fighting erupted again in the streets yesterday, resulting in official request for Australian help from the East Timorese Government to restore law and order.
Bigger questions are also being asked about links between Salsinha and Interior Minister Rogerio Lobato over the crisis that has gutted the F-FDTL and threatens its future. In addition to a shared interest in sandalwood futures, reliable East Timorese sources claim Lobato is a pal of Salsinha.
East Timor's army is the only organ of government that is truly independent. It lies outside the control of the ruling Fretilin Party and the politically ambitious Interior Minister. It is an open secret that there are many in power in Dili who would like the army brought under political control and that is the ultimate driving force of this conflict.
The origins of the April 28 riots can be traced back to January 11. That was the date President Xanana Gusmao received a petition from a group of disgruntled 1st Battalion soldiers complaining of poor pay and conditions and discrimination by eastern-born officers against western-born recruits.
Matters worsened on February 7 when 400 soldiers from the 1st and 2nd battalions left their barracks and arrived at Gusmao's Palacio Das Cinzas residence to press their complaints. Gusmao, commander-in-chief of East Timor's security forces, requested the attendance of Defence Minister Roque Rodrigues and Army Commander Brigadier-General Taur Matan Ruak. Both men refused and Ruak's chief-of-staff, Colonel Lere Annan Timor, was sent along instead.
At the meeting Gusmao made several vague promises that the soldiers' grievances would be investigated and ordered them back to barracks. But under the leadership of 32-year-old Salsinha they refused to return. Citing fear of recrimination, they maintained their rage in Dili.
By the end of February the 400 were joined by another 200 battalion malcontents and together they became known as the 591 Group. Tensions continued to rise and in mid-March Ruak discharged all 591 rebel soldiers for failing to return to duty.
In response, late last month Salsinha announced five days of protests in Dili to draw attention to military injustice. The scene was set for a showdown, but the violence of April 28 was almost certainly triggered by the actions of other anti-government groups taking advantage of the ensuing chaos.
Complaints of ethnic prejudice and poor service conditions within the F-FDTL are not without foundation.
Although eastern commanders (all Gusmao loyalists) dominate at battalion and headquarters level, their seniority is not exclusive. Lieutenant-Colonel Filomeno Paixo, head of army logistics; presidential military adviser Lieutenant-Colonel Pedro Gomes; and head of army training Lieutenant-Colonel Sabika are all from the west.
But it is Defence Minister Rodrigues who has much to answer for when it comes to apportioning blame for the crisis. Western diplomats and security analysts blame him for failing to see a crucial draft defence policy tabled before parliament.
"The minister is absolutely incompetent," says one unnamed defence analyst with long-time experience in East Timor.
Plans to establish a military base in the country's west, in Bobonaro district, have stalled. For Loromonu soldiers based in Baucau and Los Palos in the east, it means much of their meagre $120 monthly salary is spent travelling during leave periods to return to their families in the west. In contrast, soldiers based in the army's Dili headquarters get a $7 per day living allowance, which remains a source of great resentment.
Although Salsinha, born in Ermera, represents the interests of the Loromonu rebels, the young officer has a shady past. East Timor defence sources say he was arrested last year for sandalwood smuggling and removed from a captain's training course.
"He has a dark cloud hanging over his head," one Western defence analyst told The Australian.
He also keeps interesting company. Other reliable East Timorese security sources say Salsinha is a friend of Lobato, who is also linked to a mysterious sandalwood seizure in 2002 that has never been satisfactorily explained. The Lobato name is synonymous with East Timor's long and bloody independence struggle. His resistance leader brother Nicolau was killed in a gun battle with pursuing Indonesian special forces troops in 1978. Nicolau's wife was machine-gunned off Dili wharf following her capture in the first days of the Indonesian invasion in 1975.
One of five Central Committee members sent abroad in 1975 (along with Prime Minister Mari Alkatiri, Ramos Horta and Rodrigues), Lobato was instructed to seek support for East Timor's independence struggle. In 1978 he was briefly tutored by the Khmer Rouge before moving to Angola, where he was arrested and jailed in 1983 for abusing diplomatic privileges, diamond smuggling and procuring prostitutes.
After involvement with an Indonesian-sponsored group of "conciliators" in the early 1990s, Lobato, a westerner, returned to East Timor in November 2000 with no significant power base. But not for long.
Excluded from the UN transitional government, he was quickly attracted to the cause of the Falintil veterans, the armed wing of the pro-independence movement that waged a guerilla war against Indonesian occupiers, and helped them organise aggressive public protests that would challenge the legitimacy of the newly formed F-FDTL.
The provocation and threats against the Government paid off and in 2002 Lobato was appointed Minister of Internal Administration. He wasted no time in building up the East Timor National Police Force to rival the F-FDTL.
Lobato remains the man to watch, the one who controls the various factions and effectively controls a 30,000-strong police force with three paramilitary arms.
The grievances of the army, personal ambitions aside, are genuine and procrastinating by the Government has fuelled discontent. This vacuum of decision-making has allowed other groups with a grudge to use the soldiers' dispute to put pressure on the Government.
A meeting of the Fretilin conference last week, when Alkatiri was reaffirmed as leader, was not the circuit-breaker outsiders had hoped for. Following an official request yesterday for help, up to 1300 members of the Australian defence taskforce, including special forces troops, and up to 50 Australian police were preparing last night to go to East Timor to stabilise the country.

Mark Dodd is The Australian's foreign affairs and defence writer.

Timor-Leste: textos importantes

Statement by the East Timor and Indonesia Action Network (ETAN) on the Current Violence in Timor-Leste
May 27, 2006 - We have watched the unfolding situation in Timor-Leste this past week with deep concern. We do not believe that events had to escalate to this point. Like others, we do not have complete information about the current situation and its causes. Below are our initial reflections:The intervention by foreign military and police forces is a sad event for Timor-Leste, whose hard-won political independence has had to be laid aside - we hope for only a short time - because leaders and state institutions have been unable to manage certain violent elements of the population and security forces.Now that foreign forces are being deployed -- at the request of Timor-Leste's government, with the stated support of rebel leaders, and the welcome by most of a terrified population -- we hope that they serve their intended purpose in quelling the violence and allowing negotiations and a peaceful resolution, as well as the identification and arrest of those who have committed crimes.Outside intervention is a temporary solution at best. Timor-Leste must find ways, with respectful support from the international community, to deal with problems in a manner that will not require troops.Statements by Australian government leaders that providing security assistance entitles them to influence over Timor-Leste's government are undemocratic, paternalistic, and unhelpful. Who governs Timor-Leste is a decision to be made by its people within its constitution.Key countries -- including those now sending troops and police -- must examine their roles in relation to the new nation, including the training provided to Timor-Leste's security forces. Australia bears special responsibility for Timor's underdevelopment by refusing to return revenues, totaling billions of dollars, from the disputed petroleum fields in the Timor Sea, including Laminaria-Corallina, and by bullying Timor-Leste into forsaking revenues that should rightfully belong to it under current international law and practice. As in 1999, we must not forget that the Australian government's actions have contributed to the situations their peacekeepers have now been sent to correct. Australia should not view its current assistance to Timor-Leste as a favor, to be repaid, but instead as a partial repayment for the debt Australia owes the Timorese people for its help during WW II and for Australia's deep complicity in Indonesia's invasion and occupation.Independent Timor-Leste had a violent birth. The legacy of Indonesian occupation left the people of the new nation deeply traumatized and impoverished, without governmental institutions and experience. Those who orchestrated, implemented and aided the illegal occupation have never been held accountable.We wonder if international and Timorese failures to ensure justice have led some in Timor-Leste to believe that their own use of violence would be met with similar impunity. As described in the recent report of Timor-Leste's Commission for Reception, Truth and Reconciliation (CAVR), several countries - among them U.S., U.K., and Australia - bear a special responsibility to ensure justice and accountability due to their action and inaction from 1975 on. Reparations, as called for by the CAVR, would help alleviate the poverty and joblessness that have fueled some of the unrest.It must not be forgotten that despite its many problems, the transition from occupation to UN administration to independence has been relatively peaceful, especially when compared to the experiences of many other post-colonial countries. We hope that the recent violence -- which appears to have complex causes -- proves to be an exception.We urge the key political, security force and other actors in the current crisis to evaluate their own actions and recommit themselves to the spirit of national unity and public service, which so ably provided the foundation for the independence movement. Timor-Leste needs to examine whether or not it wants a military and, if so, what is its purpose. In addition to addressing the past, the CAVR report provides useful recommendations for implementing rule of law and improving justice and accountability in independent Timor-Leste.We urge the international community and the UN, especially the Security Council, to work with Timor-Leste to complete the nation-building and development tasks to which they have already committed. If Timor-Leste is to become the success story it has already been portrayed as, further international support is necessary. However, this support must be given in an honest spirit that supports real self-determination and empowers the Timorese people to take full charge of their own destiny.

Timor-Leste: textos importantes

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
DECLARAÇÃO PRESIDENCIAL
MEDIDAS DE EMERGÊNCIA PARA ULTRAPASSAR A CRISE
Ouvido o Conselho de Estado, como órgão consultivo, reunido nos dias 29 e 30 de Maio de2006, no Palácio Presidencial, nos termos dos artigos 90 e 91 da Constituição da República emconformidade com o disposto na Lei n.º 2 de 2005, e considerando:
• A perda de vidas, a perturbação generalizada da ordem pública que perversamente estáa afectar a segurança, os bens e a tranquilidade dos cidadãos, torna urgente promovermedidas adequadas à reposição da autoridade pública em todo o território;
• A necessidade de criar condições para o rápido regresso à normalidade a fim desalvaguardar a ordem constitucional democrática;
• A necessidade de providenciar urgente apoio humanitário às populações carenciadas;
• A grave deterioração da operacionalidade das forças armadas e das forças de segurançanacionais;
• A necessidade de assegurar que a actuação, no território nacional, das forçasinternacionais de defesa e segurança, solicitada pelos Órgãos de Soberania aos Paísesamigos, cumpra os seus objectivos sem prejuízo do respeito pela ordem jurídica vigentee das atribuições constitucionais das autoridades soberanas do País;
• As funções e competências Constitucionais do Presidente da República como garanteda unidade do Estado, da independência nacional e do regular funcionamento dasinstituições democráticas, nos termos do número 1 do artigo 74º da Constituição daRepública;
• A urgência de garantir o exercício efectivo das competências inerentes às funções deComandante Supremo das Forças Armadas do Presidente da República, nos termos donúmero 2 do artigo 74º e da alínea b) do artigo 85º da Constituição:O Presidente da República, em colaboração estreita e articulação permanente com o Primeiro-Ministro e o Presidente do Parlamento Nacional, anuncia que está a providenciar as medidasnecessárias para prevenir a violência e evitar mais mortos, para o rápido restabelecimento daordem pública e do normal funcionamento das instituições democráticas, assumindo aresponsabilidade principal nas áreas da defesa e segurança nacionais, na qualidade deComandante Supremo das Forças Armadas.
Este quadro de colaboração e articulação reforçada envolve as seguintes entidades:
• Os Ministérios da Defesa e do Interior com as entidades e serviços deles dependentes;
• Os Comandos das Falintil-FDTL e da PNTL, nos termos dos Decretos-Lei n.º 7 e n.º 8 de 2004;
• Os serviços de informação e segurança do Estado e o Gabinete de Crise, nadependência do Primeiro-Ministro, nos termos da Lei n.º 8 de 2003 e do Decreto Lein.º 7 de 2004.
• As Forças Internacionais de Defesa e Segurança presentes no Território Nacional porsolicitação dos Órgãos de Soberania;Além disso, aguarda-se que o Parlamento Nacional, no mais curto prazo possível, reuna parase debruçar e acompanhar a situação de crise actual.
Neste sentido, apela para que as pessoas que detenham ilegalmente, armas de fogo, munições, explosivos, armas brancas ou qualquer equipamento militar as entreguem, voluntária eprontamente, às autoridades, designadamente às forças internacionais.
Todos devem colaborar prontamente com a aplicação das medidas de segurança em curso, designadamente:
a) Agrupamentos de pessoas que por seu número e natureza possam representar ameaça àordem pública;
b) Exigência da identificação de qualquer pessoa que se encontre ou circule em lugar públicoou sujeito à vigilância policial;
c) Vigilância de pessoas, edifícios e estabelecimentos por período de tempo determinado; e
d) Apreensão de armas, munições e explosivos.
As medidas de emergência anunciadas não prejudicam que o Presidente da República venha a declarar o Estado de Sítio em conformidade com os preceitos constitucionais devidos, designadamente, a necessária autorização prévia do Parlamento Nacional.
As medidas anunciadas entram imediatamente em vigor e são válidas por um prazo de trinta dias, prorrogável se necessário.
Dili, 30 de Maio de 2006 via Timor Online

Timor-Leste: textos importantes

Xanana assume defesa e segurança e anuncia medidas emergênciaDíli, 30 Mai (Lusa) - O presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, anunc iou hoje ter assumido a "responsabilidade principal" pelas áreas da defesa e seg urança e anunciou um conjunto de "medidas de emergência" para pôr termo à violên cia no país.Numa declaração sem direito a perguntas após dois dias de reunião do Co nselho de Estado, Xanana Gusmão admitiu ainda a possibilidade de vir a decretar o estado de sítio em Timor-Leste, "em conformidade com os preceitos constitucion ais devidos, designadamente a necessária autorização prévia do Parlamento Nacional".As medidas de emergência anunciadas por Xanana Gusmão incluem a "entreg a voluntária e imediata de armas de fogo, munições, explosivos, armas brancas ou qualquer equipamento militar às autoridades, designadamente às forças internacionais".EL.

Timor-Leste: textos importantes

PR vai ser principal responsável pela segurança e defesaDíli, 30 Mai (Lusa) - O presidente da República de Timor- Leste, Xanana Gusmão, vai ser o principal responsável pela segurança e defesa do país por um período de 30 dias, prorrogável, disse à Lusa uma fonte que participou na reunião do Conselho de Estado.A decisão foi aprovada hoje pelo Conselho de Estado, reunido desde segunda-feira, e prevê "mecanismos de coordenação entre o Presidente da República e o primeiro-ministro nas áreas de defesa e segurança", precisou a fonte que pediu anonimato."A decisão tem uma validade de 30 dias, é de cariz excepcional e pode ser prorrogada se necessário. O Presidente será o responsável principal, mas não único pela segurança e defesa de Timor-Leste", afirmou a fonte no final da reunião."O PR, em colaboração e coordenação com o primeiro-ministro e presidente do Parlamento Nacional vai tomar medidas para pacificar a situação. Mas tudo o que é da competência do governo, é o governo que vai executar", afirmou.A fonte referiu que a decisão de hoje não refere especificamente mudanças no executivo do primeiro-ministro Mari Alkatiri, que podem ocorrer, mas serão tomadas no Conselho de Ministros.A questão do afastamento de alguns ministros, nomeadamente Roque Rodrigues, da Defesa Nacional, e Rogério Lobato, da Administração Interna, "foi discutida na reunião", confirmou a fonte.ASP.Lusa/Fim

Timor-Leste: textos importantes

Díli, 30 Mai (Lusa) - A GNR é a única força policial que pode impedir que o caos continue em Timor-Leste, disse hoje à Lusa o tenente-coronel Filomeno Paixão, oficial de ligação entre as Forças Armadas timorenses e os militares australianos."É urgente e necessário que a GNR venha depressa. Ouvi dizer que vinham sexta-feira, mas receio que então já não haja casas para queimar e pessoas para matar", afirmou Filomeno Paixão.Defensor de uma actuação "firme e decidida" para enfrentar "este tipo de vandalismo", o tenente-coronel Filomeno Paixão reconheceu que a polícia timorense "ficou destruída" na sequência da crise político-institucional que afecta o país."Nada podemos esperar da nossa polícia, que foi destruída a 75 por cento", acrescentou.As autoridades timorenses solicitaram a Portugal o envio de uma companhia (120 militares) da GNR para Timor-Leste para manter a ordem pública, após confrontos em Díli nas últimas semanas que provocaram vários mortos e de uma onda de pilhagem e destruição de habitações e edifícios públicos.O ministro de Estado e da Administração Interna português, António Costa, garantiu segunda-feira que os 120 elementos da GNR que vão para Timor-Leste já estão "em estado de prontidão" e partirão ainda esta semana se existir transporte aéreo disponível.

Timor-Leste: textos importantes

Ministros da Defesa e Interior saem, Xanana assume segurançaDíli, 30 Mai (Lusa) - Os ministros da Defesa e do Interior do Governo timorense vão ser exonerados dos cargos e o Presidente da República assumirá o controlo completo nas áreas da defesa e segurança, disseram à Lusa fontes do Conselho de Estado.Segundo as mesmas fontes, que pediram o anonimato, esta decisão é o resultado dos dois dias de reunião do Conselho de Estado, órgão consultivo do Presidente da República, convocado para debater a crise político-militar no país.Roque Rodrigues e Rogério Lobato, os actuais ministros da Defesa e da Administração Interna, têm sido duramente criticados nas últimas semanas pela sua actuação na crise com as forças de segurança de Timor-Leste, que se agudizou com o desmembramento da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) e divisões nas Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).O anúncio formal do que ficou acordado na reunião do Conselho de Estado vai ser feito ainda hoje em conferência de imprensa a realizar no Palácio das Cinzas, sede da Presidência.EL.Lusa/Fim

Timor-Leste: textos importantes

Sobre as declarações do Bispo D. Basílio, Manuel Leiria de Almeida:Sr. Bispo de Baucau, minhas Senhoras e meus Senhores!... Todos sabemos, desde há muito tempo, que é esta a opinião de VEXA e da Igreja Católica de Timor Leste. O problema é que para além de dizer isto VEXA não diz qual a alternativa. Se a tem, porque não diz? Ou acha que a sua função é apenas de dizer que o caminho está errado e que o pastor não sabe onde estão as melhores pastagens?O Sr. Bispo, que através da Diocese é o principal empresário de Baucau, já resolveu o problema do desemprego lá? Ou, sequer, encontrou o início do caminho para o resolver?Mais: acha que é fazendo manifestações como a organizada pela Igreja em Dili há um ano atrás que se dá confiança aos investidores para investirem e melhorarem a situação quanto ao emprego?Qual a sua solução em relação ao desemprego? É a "solução indonésia", de "inchar" o aparelho de Estado para dar emprego a toda a gente mesmo que seja para fazer coisa nenhuma?O problema, meu caro Bispo, é que Timor É pobre e não tem a capacidade para, no curto-médio prazo, dar trabalho a toda a gente.O problema é que, nomeadamente devido à posição da Igreja, a população cresce a uma taxa exorbitante e dificilmente haverá crescimento que consiga melhorar, realmente, a situação económica e social da generalidade da população.Eu sei que havia alguns caminhos alternativos para a política económica prosseguida mas não consigo garantir que eles fossem capazes de, só por si, melhorar significativamente a situação económica e social do país. Aliás, acha que o apoio que os doadores têm dado a Timor Leste seria possível se não vissem alguma qualidade nas opções tomadas? Mesmo que elas não sejam as melhores do mundo?Atirar pedras é fácil quando não se tem de tomar decisões. Mas se sabe criticar e dizer que não é este o caminho, então tem também a obrigação de dar sugestões exequíveis sobre o que fazer.E já agora: quando o próximo governo começar a sentir as mesmas dificuldades que este tem sentido para melhorar a situação --- porque não tenha dúvida que as vai sentir... --- o que é que o Sr Bispo vai fazer? "Botar abaixo" o novo governo porque isto e porque aquilo?Convença-se de uma coisa (e convença o seu "rebanho"): é um erro crasso pensar que a independência ía trazer a prosperidade para todos num ápice". Ou quer que, como foi indirectamente proposto no Congresso do CNRT em 2000, o problema se resolva distribuindo, porta sim, porta sim, o dinheiro do petróleo?Resumindo e concluindo: venham de lá essas propostas concretas. Ou então faça como na velha frase dita nos casamentos: quem tiver alguma coisa contra diga agora ou cale-se para sempre! Seria de uma grande ajuda!

Timor-Leste: textos importantes

"Incha, rebenta, desincha e depois passa!..."O meu melhor amigo timorense ensinou-me muitas vezes que aquilo que aos nossos olhos "malais" parece nem sempre (quase nunca...) é.De facto, diz ele, a dramaticidade própria que colocam nas coisas faz com que quando parece que o mundo vai explodir, acabam por encontrar, com muita conversa pelo meio --- táctica característica de sociedades sem escrita própria e em que a palavra é tudo ---, um ponto de encontro em que todos ficam satisfeitos por, nomeadamente, lhes permitir salvar a face e não dar a ideia de que há um perdedor e um ganhador. Todos terão de encontrar uma solução em que todos ganhem qualquer coisa. Essa coisa do "the winner takes it all" não é com eles. (Esta terá sido a regra fundamental de que Mari e a FRETILIN se esqueceram desde o início e cujo 'esquecimento' é provavelmente, como dizia o Duarte Pacheco Pereira, "a madre de todalas cousas"!... O resultado está à vista).Tudo se passa como num abcesso: face a uma agressão ele incha mas depois desincha e depois passa... A situação nunca voltará a ser como dantes mas todos ficam satisfeitos.Será isto que vai resultar do Conselho de Estado? Com tanta conversa entre os conselheiros, parece que o método tradicional do "a conversar é que a gente se entende" vai, mais uma vez, produzir os seus frutos.Se for, haja Deus!...Até porque, na realidade, Xanana parece ser a única pessoa em condições de "apanhar os cacos" que restam das forças de segurança. Mas mesmo ele vai precisar de muita cola. E da boa! Daquela que prega cientistas ao tecto!PS - aposto que se esqueceram de distribuir pastéis de nata na reunião!... Se os tivessem distribuído já tinham acabado o "conversé"...Manuel Leiria de Almeida in Do Alto do Tatamailau, 26 de Maio de 2006

Timor-Leste: textos importantes

Ainda quanto à proposta abaixo...... estive a ler a Constituição da RDTL e ela afirma (Artº 105º) que é o Primeiro-Ministro que preside às reuniões do Conselho de Ministros. O que significa que o PR pode ser convidado a participar mas não poderá presidir. And so what?!...A participação permitir-lhe-á fazer passar melhor as suas ideias e debatê-las com o Governo mas ao não presidir fica claro que ele não será responsável pelas medidas efectivamente adoptadas, que serão da exclusiva responsabilidade do Governo. É justo... Cada macaco no seu galho! :-)Manuel Leiria de Almeida in Do Alto do Tatamailau, 28 de Maio de 2006

Timor-Leste: textos importantes

Uma proposta...
... para o futuro: a Constituição da República Portuguesa prevê que o Presidente da República possa, eventualmente, presidir a reuniões do Conselho de Ministros. Isso já aconteceu entre nós.Não sei se isto está previsto na Constituição da RDTL mas se não for "legal" ilegal também não há-de ser... E o que é "a-legal" pode-se fazer... Porque é que Mari Alkatiri não convida o Presidente Xanana para, regularmente --- uma vez por trimestre? -- presidir a reuniões do Conselho de Ministros? Talvez muitos dos "desencontros" entre ambos tivessem sido evitados... Não sei mesmo se não seria bom que isto fosse aplicado não só JÁ como também durante o próximo mês, até a situação estar mais normalizada.Ingenuidade minha? Não!
Manuel Leiria de Almeida in Do Alto do Tatamailau, 28 de Maio de 2006

Timor-Leste: textos importantes

«Acho piada ao que andas dizendo...
Os comentários do primeiro ministro australiano sobre a má governação de Timor, vindos por quem é directamente responsável pela morte de cerca de 200 australianos nos atentados de Bali por ter envolvido o país na guerra do Iraque, são uma piada...E provavelmente refere-se também ao facto de, nas negociações sobre o petróleo do Mar de Timor, Timor Leste não ter conseguido mais do que a "mera" passagem de 50% para 90% das receitas de Bayu-Undan e de 18% para 50% das receitas do Greater Sunrise. Boa governação teria sido deixar tudo como estava no tempo da Indonésia, não é Howard?!...»
Manuel Leiria de Almeida in Do Alto do Tatamailau
26 de Maio de 2006

Timor-Leste: textos importantes

Alexander Downer:
"Se não tivéssemos enviado as tropas para ajudar a controlar a situação, Timor-Leste corria o risco de se tornar num Estado falhado", disse Downer à rádio ABC. "Por isso temos que fazer o necessário - trabalhando com a comunidade internacional e com a ONU - para tentar que Timor-Leste consiga voltar a levantar-se", sublinhou.
in Público
~
Tão amigos que eles são! Fica-se emocionado.

Timor-Leste: textos importantes

What is Howard's Role in the Timor Leste Coup?
By Tim Anderson

The violence in Dili is hardly an industrial dispute, nor spontaneous ethnic violence. Timor Leste's Prime Minister, Mari Alkatiri, says the armed attacks are part of an attempted coup, and follow a history of destabilisation attempts. It is likely he knows better than the Australian pundits, who have been speaking simply of 'east west' rivalry, and an 'immature' nation, unready for independence.
Such caricatures of the country and the government are misleading and dangerous. There has been destabilisation of the legitimate Fretilin government, ever since independence, and the Howard government has played a part. An important question now is: how much of a part?
A fairly high level of organisation, and confidence, can be seen both in the mobilisation of weapons and the international appeals from thearmy defectors. Heavy weapons were taken, and renegade leader Alfredo Reinado (who joined Gastao Salsinha, leader of the sacked soldiers)says he welcomes the arrival Australian troops, and wants to 'have aVB' with the aussies.
Such familiarity from a person engaged in murder and mutiny is disturbing. And instead of calling Reinado and his followers 'criminals' or 'terrorists', John Howard has turned on the Alkatiri Government. As the troops roll in Howard says "The country has not been well governed .. the real challenge is to get a government that has the confidence of the local people".
Coup plotters rarely act without assurances of outside support, or at the least post-coup recognition. A US guarantee of regime recognition was central to the Chilean coup of 1973, and the abortive 2002 coup in Venezuela. More recently in Haiti, even though the US had no credible alternative candidate, they fomented violence to remove a popular leftist leader.
Media backing is essential for a coup. Paul Kelly from The Australian (which has waged a long campaign against the Fretilin government) questions whether the democratically elected PM of the country "has a long-term role here as part of the solution". Some diplomats are reported as saying that the resignation of Alkatiri "may convince the warring gangs to lay down their arms".
On this argument, PM Alkatiri only "survived" the recent Fretilin elections, where he faced a possible challenge from a Washington-based diplomat. In fact, Alkatiri won more than 90%support in the party vote, and Fretilin retains almost 60% support across the country.
While the internal rivalry between Prime Minister Alkatiri and President Xanana Gusmao has received a lot of attention, less has been said about international tensions and destabilisation, which has followed several disputes. The dispute over oil and gas is well known. Mari Alkatiri had the support of all parties in driving a hard line with the Howard government. Many believe the Timorese were still robbed by a deal Howard continues to call 'generous'. Less well known are the disputes over agriculture, where Australia and the World Bank refused to help rehabilitate and build the Timorese rice industry, and refused to support use of aid money for grain silos. Under Alkatiri, the Timorese have reduced their rice import-dependence from two-thirds to one-third of domestic consumption.
After independence an expensive phone service run by Telstra was replaced by a government joint venture with a Portuguese company. And following a popular campaign, Timor Leste remains one of the few 'debt free' poor countries. Alkatiri's consideration here, as economic manager, was to retain some control over the country's budget, and the building of public institutions.
In 2005 there was a Church led dispute over the apparent relegation of religious education to 'voluntary' status in schools. The dispute was resolved, but not before it had become the focus of an open campaign to remove Alkatiri, who was branded a 'communist'. During this dispute some East Timorese were alarmed to see that the USEmbassy (and possibly also the Australians) providing material support (such as portable toilets) to the demonstrators, effectively backing an opposition movement.
Over 2004-06 the Alkatiri government secured the services dozens of Cuban doctors, and several hundred young Timorese students are now in Cuba, studying medicine free of charge. No one criticises this valuable assistance, but the US does all it can to undermine Cuban policy.It is worth remembering that the suggested 'communist' politics of Fretilin in 1975 was a major reason for US support for the Indonesian invasion and occupation. Australia followed suit. Today the 'communist' tag is again used by Reinado to target the Fretilin government.
Reinado rejects government orders, but has allied himself to Xanana and Jose Ramos Horta, the two non-Fretilin members of the government. (Ramos Horta is known to be close to the Bush administration.) It is not clear yet to what extent Xanana and Ramos Horta have links to Reinado. Alkatiri has not, contrary to media reports, accused the President of complicity. Yet the coup attempt proceeds in Xanana's name.
The current situation is complicated by the arming of civilian groups on both sides of the coup plot, and the fact that troops from several countries have been invited. Of these, the Portuguese seem to maintain strongest support for the Timorese government, while the Australians seem to be apologising for the plotters.
A possible 'junta' to be installed by Australian intervention (already hinted at by Kirsty Sword Gusmao) could include nominees of the Catholic bishops, Ramos Horta and an ailing Xanana (ill with kidney disease). The forced removal of Mari Alkatiri, his ministers and army chief Taur Matan Ruak, and the presence of occupying troops till next year's election might seriously undermine Fretilin's dominant position. But then again, the coup might fail.
Occupying armies are bad news for democracy. The Australian government comes to its most recent intervention in Timor Leste literally 'blooded' from its spectacularly unsuccessful interventions in Afghanistan, Iraq and the Solomons.
The current intervention may be necessary, if it has been legitimately called for by the East Timorese government; but it is also a great danger for the country's democracy. Australian people, who strongly supported independence for the people of Timor Leste, should watch Howard's latest intervention very closely.
Tim Anderson is an academic who has visited Timor Leste severaltimes, both before and after independence.
--
Dr. Bob Boughton
Senior Lecturer Adult Education & Training
School of Professional Development and Leadership
University of New England
Armidale NSW 2351, Australia via Timor Online

28.5.06

Timor-Leste: textos importantes

Timor-Leste: Representante de Kofi Annan diz que são necessárias mais forças paz
Díli, 28 Mai (Lusa) - O representante especial do secretário- geral das Nações Unidas em Timor-Leste, Sukehiro Hasegawa, disse hoje que são necessárias mais forças de paz para conter a onda de violência na capital timorense.
As declarações surgem num dia em que grupos armados circulam pela capital timorense, queimando casas e escritórios. Segundo relatos da Associated Press também são audíveis armas de fogo.
Uma fonte governamental disse hoje à Lusa que há confrontos em pelo menos três bairros de Díli, Surik Mas, Bairro Pité e Becora, com casas incendiadas e ataques a civis.
"Estão a incendiar casas e a perseguir pessoas em Becora, em frente à cadeia de Becora", disse a fonte.
A fonte afirmou que as tropas australianas no terreno "estão a desiludir", afirmando que os militares "não actuam" limitando-se a "ver" o que está a ocorrer.
FP/ASP. Lusa/fim

Timor-Leste: textos importantes

Timor-Leste: Confrontos em três bairros de Díli, casas incendiadas - governo
Díli, 28 Mai (Lusa) - Confrontos eclodiram hoje de manhã em pelo menos três bairros de Díli, Surik Mas, Bairro Pité e Becora, com casas incendiadas e relatos de ataques a civis, informou à Lusa fonte do gabinete do primeiro-ministro de Timor-Leste.
"Estão a incendiar casas e a perseguir pessoas em Becora, em frente à cadeia de Becora", disse a fonte.
A fonte afirmou que as tropas australianas no terreno "estão a desiludir", afirmando que os militares "não actuam" limitando-se a "ver" o que está a ocorrer. "A situação piorou desde que os australianos entraram. Eles assistem, vêem o que se passa e não actuam. Os helicópteros sobrevoam as zonas onde há confrontos mas depois não actuam", afirmou.
"Isto é uma desilusão esperávamos mais dos australianos. Eles parecem estar só a assistir. As pessoas são perseguidas e atacadas mesmo à sua frente e os australianos não fazem nada", disse.
A mesma fonte referiu que há relatos de confrontos, durante a noite na zona de Cacaulidun, também nos arredores de Díli, com notícias de vítimas mortais, dados que, explicou, ainda estão a ser confirmados.
ASP. Lusa/Fim

Timor-Leste: textos importantes

Timor-Leste: Líderes timorenses, ONU, Camberra criticados na imprensa Austrália

Lisboa, 28 Mai (Lusa) - A actual crise que se vive em Timor-Leste é um resultado directo de "falhas espectaculares múltiplas" da liderança timorense, das Nações Unidas e da Austrália, de acordo com o editorial do jornal australiano Sunday Age.
O jornal refere um relatório de 2002 do Australian Strategic Policy Institute, que já antecipava, na altura, problemas nas forças de defesa e segurança de Timor-Leste que "podem desenvolver-se de formas indesejáveis".
É no entanto à liderança política e militar timorense que o Sunday Age atribui a "principal responsabilidade" pela actual crise, considerando que não souberam responder adequadamente à situação criada pelos soldados peticionários que foram, posteriormente, demitidos das F-FDTL, e por não terem "nem vontade nem capacidade para definir um papel para o seu exército".
Enumerando vários líderes timorenses, o jornal considera que perante o desenvolvimento da crise, o Presidente da República, Xanana Gusmão, "pareceu tímido e desligado, emocional e fisicamente imobilizado na sua residência nas montanhas frescas sobre o Díli quente".
Sobre Mari Alkatiri, o jornal considera que tem sido "provocador e inflexível, indiferente às queixas dos soldados e cego à crise de segurança criada pelas deserções", considerando que o ministro da Defesa, Roque Rodrigues, foi "fatalmente incompetente, ignorando conselhos que poderiam ter prevenido o desastre".
Relativamente ao ministro do Interior, Rogério Lobato, o jornal refere que se mostrou "empenhado na intriga, explorando a deslealdade e os protestos enquanto procurava moldar a polícia nacional como um feudo pessoal".
O Sunday Age critica ainda Ramos-Horta notando que o chefe da diplomacia timorense "falhou em avaliar a amplitude da crise", e recordando que há duas semanas o próprio rejeitou a necessidade de apoio militar ou policial internacional. No que toca à ONU, o jornal refere que a crise representa "o colapso da sua montra de sucesso na criação de uma nação", em particular pelos compromissos falhados com que criou o exército timorense.
ASP. Lusa/Fim

Timor-Leste: textos importantes

Antigo, mas que ganha relevância no actual contexto:
Timor-Leste: Governo "desconsidera" população, diz Bispo de Baucau
Díli, 15 Mai (Lusa) - O Bispo de Baucau, D. Basílio do Nascimento, disse hoje que o governo timorense "desconsidera" a população do país, e que essa é uma das causas do actual momento de tensão em Timor-Leste.
"O povo timorense requer ser tido em consideração, e é isso que tem faltado. As mensagens passam de um lado para o outro e diz-se às pessoas simplesmente que elas têm de obedecer" disse D. Basílio do Nascimento, referindo-se a "toda a actuação do governo timorense." "Mas o governo é apenas a ponta do iceberg, é o reflexo de uma mentalidade que perpassa a sociedade timorense, de tentar fazer mudanças muito depressa, sem explicações e sem ter em conta a vontade do povo," adiantou.
Contactado pela Agência Lusa em Baucau, no leste de Timor-Leste, D. Basílio do Nascimento apontou a "falta de consideração para com o povo" como uma das causas do actual momento de tensão em Timor-Leste.
A capital timorense foi, nos finais de Abril, palco de distúrbios e confrontos, no seguimento de manifestações protagonizadas por militares contestatários, entretanto demitidos, que alegam discriminação por parte da hierarquia das forças armadas.
Nos confrontos, a polícia e as forças armadas dispararam sobre manifestantes, tendo-se registado, segundo dados oficiais, cinco mortos.
Nos primeiros dias a seguir aos distúrbios, segundo as Nações Unidas, cerca de 70 por cento da população de Díli fugiu para localidades nas montanhas, estando ainda deslocadas, pelos mais recentes cálculos, 35 mil pessoas.
"O que eu me interrogo é como é que um problema institucional, militar, restrito, foi empolado até ser um problema nacional," afirmou o Bispo de Baucau que, com o Bispo de Díli, lidera a comunidade e a hierarquia católicas de Timor-Leste, país de esmagadora maioria católica. D. Basílio do Nascimento disse ainda que o mesmo empolamento está a verificar-se em Timor-Leste quanto ao congresso da Fretilin, que decorre nos dias 17, 18 e 19 de Maio, quando os delegados vão escolher a liderança que vai conduzir o partido no poder nas próximas eleições legislativas de 2007.
"Um congresso só diz respeito ao partido que o realiza. Porque é que uma questão interna da vida de um partido é de repente uma questão vital para a vida da nação, mesmo que se trate do partido no poder?" perguntou D. Basílio, que apelou à "frieza para equacionar as situações e distinguir o que é institucional e nível nacional." Muitos dos deslocados de Díli recusam-se regressar à capital até ao final do congresso da Fretilin, e diversos residentes timorenses da capital disseram à Agência Lusa que só depois de um final do congresso sem consequências nem distúrbios é que acreditam que a situação está totalmente normalizada. RBV/GCS. Lusa/Fim

Timor-Leste: textos importantes

"Para Ana Pessoa é vital que pessoas que se candidatam para cargos nas três estruturas de segurança, "tenham um perfil psicológico certo, umaformação e um conhecimento diferenciado e mais cimentado do que aquelesque pedem emprego nos serviços de saúde ou na função pública"."
Aqui está uma grande verdade. Pena é que só agora o governo se aperceba disto. É que o pistoleiro Reinado saiu de Timor poucos anos depois da invasão indonésia, para ir trabalhar... na Indonésia. Depois viveu e trabalhou vários anos na Austrália, onde recebeu treino militar, depois do referendo, com a finalidade de integrar as futuras FDTL. Isso veio a acontecer, mas estranhamente, um sujeito sem experiência militar prévia foi imediatamente graduado em Major e nomeado comandante da força naval do exército!!! O problema começou quando ele, certamente pela falta de capacidade demonstrada, foi transferido para o comando da Polícia Militar, em Dili. Como perdeu protagonismo, arranjou maneira de o recuperar, aparecendo agora na internet e em todos os telejornais. Mas todos sabemos a que preço.
Quanto ao Sr. Salsinha, que agora tem andado muito calado, frequentava um curso de capitães do exército, para ascender a este posto, quando foi surpreendido num negócio de contrabando de sândalo. Isso teve como consequência o seu afastamento do curso e então o senhor veio agora queixar-se que há discriminação nas FDTL e que os "loromonu" (ele é de Ermera) não conseguem ser promovidos...
É este o perfil psicológico dos dois indivíduos que desencadearam toda esta tragédia e que, cegos pela sua sede de poder e protagonismo frustrado, não se preocupam com o sofrimento que estão a causar e com as muitas vidas já perdidas. Em suma, estão-se lixando para o seu País e o seu povo.
É este o perfil psicológico de indivíduos que deviam, se necessário com sacrifício da sua própria vida, defender esse mesmo povo que estão matando lentamente. E defender também as instituições do Estado, os seus órgãos de soberania. Mas, para limpar a consciência, empurram a culpa para cima dos governantes, que com mais ou menos erros (qual é o governo que não erra?) têm a legitimidade da Constituição e do mandato popular, expresso em votos nas eleições. Quem quiser apresentar alternativas, que avance. Mas, infelizmente, vimos agora no congresso da Fretilin quais são essas alternativas... nenhumas. E iremos ver as mesmas alternativas nas eleições de 2007. Muita parra e pouca uva.
Esperemos que o governo tenha aprendido a lição e, doravante, os membros das FDTL sejam escolhidos com mais cuidado. Há tanta gente boa e honesta em Timor, caramba!
H. (via Crocodilo Voador)

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EAST TIMOR STUDIES MAILING LIST (via Crocodilo Voador, Rosely Forganes)
Andrew.Mcwilliam@anu.edu.au
Dear AllS
ome notes and comments on the elusive question of firaku and kaladi divisions that have come to prominence in the latest turmoil in Timor Leste and which provide a part response to Bob Boughton’s enquiry.A good source of information available on the subject of Firaku / Kaladi rivalries is Dionisio Babo Soares’ Phd thesis 2003. Dionisio is currently the co-chair of the Truth and Reconciliation Commission established with Indonesia. His thesis is entitled ‘Branching from the Trunk: East Timorese Perceptions of Nationalism in Transition (ANU), and he devotes a whole chapter to the question of Firaku / Kaladi.Drawing on his chapter some summary points include the following
• The distinction is one that purports to highlight a division between easterners (lorosae ­‘ sunrise’) [firaku], and westerners (loromunu ­‘ sunset’) [Kaladi] within East Timor. The origins of the terms are obscure but people make a popular distinction between ‘talkative and excitable firaku, and taciturn, closed kaladi. The distinction arises from Portuguese colonial times.
• Folk etymologies for the term firaku include the idea that the word comes from Portuguese vira o cu (to turn one’s backside to the speaker) implying the rebellious independent nature of ‘easterners’. This has been subsequently modified to its present form. Alternatively another common idea is that the term comes from the Macassae language of Baucau ­ Fi (we, us) raku (relatives, family) - often glossed as friend. Similarly Caladi may be derived from Portuguese calado (quiet, reserved) or Keladi (Malay for Taro) grown by Mambai, Kemak and Bunak communities in the central western highlands.
• The division is conventionally associated with the following districts ­ firaku Lautem, Baucau, Viqueque and Manatuto: while Kaladi are linked to Dili, Ailieu, Ainaro, Same, Ermera, Bobonaro, Suai, Likisa and OeCussi.
• While the origins of the rivalry between the two groups are obscure ­ and indeed there is no history of any former pattern of indigenous political division along these lines, Dionisio Babo Soares makes the significant point that that the source of conflict may have emerged after the Second World War when Macassae people from Baucau (easterners) and Bunak people from the western highlands settled in Dili and began trading in a local market. Over time commercial rivalries arose around this distinction which continued and evolved over the decades into a kind of default cultural division that is now being evoked in the current struggles.
• During the UNTAET period there were frequent brawls and conflicts between rival ethno-linguistic groups in Dili based around the firaku / kaladi division. Reprisals and periodic street fighting occurred between Mambai and Bunak youth gangs against similar Macassae (esp. Laga), Viqueque and Los Palos residents. As people moved into Dili following 1999 and took up residence, the firaku / kaladi distinction became associated with different areas of the city. So ­ Delta Comoro where many groups from the east settled was known as a firaku area, along with Quintal Boot in Central Dili. Bairo Pte and Bebonuk in the west of Dili were linked to Kaladi. Other areas had mixed populations and conflicts sometimes coalesced around this distinction (e.g Becora).
• A key contemporary source of conflict between the two groupings is the perceived role of the different groups during the resistance struggle against Indonesia. Firaku groups have antagonised the kaladi with their claims to have ‘won the war’ through their sustained armed resistance in the east ­ Lautem for example, retained an armed presence in the forests right up until September 1999. From this perspective the kaladi are seen to have folded in the face of Indonesian army control, and they are also charged with being more responsible for the rise of the army backed militia’s that terrorized the population in the lead up and subsequent to the 1999 ballot. The worst militia’s and the principal leadership were associated with Aitarak (Dili), Besi Merah Putih (Likisa), Laksaur (Suai) and Mahidi (Ainaro). Militia groups also operated in the east but caused much less damage. Kaladi, naturally reject this view but it serves as a point of antagonism and competing claims over relative sacrifice and suffering for independence
• The current crisis has been attributed to a sharpening of these differences within the defence forces, with some 500 soldiers abandoning their post in March and complaining of discrimination by higher ranking firaku leadership of the FDTL. However there is also a view that this distinction serves primarily as an excuse for expressing disaffection and frustration at the lack of economic benefits and opportunities flowing from Independence and the current political order. The involvement of angry unemployed youth in Dili and their rampaging is more likely to stem from their marginalisation in the economic and political process than any historical allegiance to geographical differences.
• While firaku and kaladi alliances may also have been utilized in the recent murderous confrontation between the army and the police there is also a view that the key distinction is one between older loyalists to the government and disaffected younger factions seeking a change of the guard with the possibility that murkier political manoeuvring may be involved.
• In summary the firaku and kaladi distinction is one that is widely recognized in Timor Leste and provides a potent source of factional or community rivalry around by all manner of grievances can be added and expressed.
Regards
Andrew

Timor-Leste: textos importantes

As East Timor burns
By Loro Horta in Asia Times
As Australian, Portuguese and Malaysian commandos land in East Timor to quell the island nation's spiraling violence, questions loom large about the actual motivation behind the military and police mutiny that led to the unrest and how best to salvage the country's tumultuous experiment with independence.

Timor-Leste: textos importantes

Ressentimento, Cultura e Poder em Timor-Leste: os catalizadores da crise.
Kelly Cristiane da Silva e Daniel Schroeter Simião
Timor-Leste passa, desde o último mês, pela maior crise política desde a restauração de sua independência, em maio de 2002. Polícia e Forças Armadas locais estão em conflito aberto. Civis armados tomam as ruas de Dili, atirando a queima-roupa e incendiando casas. Desesperada, a população pede abrigo em igrejas ou busca segurança em suas sagradas montanhas. Xanana Gusmão, Presidente da República, e Mari Alkatiri, Primeiro-Ministro, disputam autoridade de comando sobre as frágeis forças de defesa do país.
No sábado pela manhã as Nações Unidas decretaram estado de emergência 3, evacuando seus quadros para Austrália, como em 1999. Ao mesmo tempo, forças de segurança internacionais, disponibilizadas pela Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal chegam ao país.
O que de longe parece o caos, visto de perto apresenta uma lógica própria, construída em razão dos acontecimentos políticos dos últimos cinco anos que foram, aos poucos, consolidando tensões estruturais entre diferentes grupos da elite local. Para entender a explosão de violência das últimas semanas, precisamos entender as fontes daquelas tensões, algumas delas históricas, outras constituídas como consequência da ocupação indonésia e do modo como o processo de edificação do Estado-nação vem sendo conduzido pela ONU.
A explicação mais recente para o estopim desta crise - um conflito entre quadros das Forças Armadas que teriam desobedecido o comando geral - coloca o problema como um confronto étnico entre grupos do leste (Firaku) e do oeste (Kaladi). Diz-se que os primeiros, tendo desempenhado papel mais ativo na guerrilha de resistência à ocupação indonésia (1975-1999), teriam concentrando em suas mãos as posições de alta patente no recém-formado exército timorense. Os segundos, sentindo-se discriminados, protestaram, o que teria levado o comando das Forças Armadas a expulsar, por deserção, um grande contingente de militares de dita origem Kaladi. De aí para a frente, os protestos intensificaram-se, ganharam as ruas de Dili e aos poucos foram tomando proporções incontroláveis.
O problema entre Firaku e Kaladi, contudo, parece-nos ser apenas o idioma no qual se expressa, no caso das forças de defesa, uma crise de reconhecimento mais profunda e que perpassa muitas outras dimensões da sociedade timorense. O caso ocorrido nas Forças Armadas catalizou um conflito que já existia de forma latente - e é digno de nota que tenha sido escolhido o idioma étnico para a manifestação pública destas disputas.
O conflito atual deve ser compreendido em um contexto de longa duração. No ano passado, durante dezenove dias, timorenses de diversos distritos foram às ruas de Dili para protestar contra a decisão do executivo de retirar o ensino religioso do currículo obrigatórios das escolas públicas. Naquele caso, o grupo formado em torno do Primeiro-Ministro - chamado por muitos, pejorativamente, de "máfia de Moçambique", por ter permanecido boa parte do período de ocupação indonésia fora do país - defendia claramente um projeto laicizante do Estado, opondo-se a grupos que permaneceram no país durante a ocupação e que mantinham fortes vínculos com a Igreja Católica.
Podia-se ver, naquele caso, uma forte dose de ressentimento dos que haviam permanecido no país em relação aos que, voltando agora, assumiam o Poder Executivo e desconsideravam os valores caros à população local. Os protestos quase levaram à queda do governo, tendo sido fundamental a mediação da presidente Xanana Gusmão, atuando como autoridade tradicional na elaboração de um acordo entre Igreja e Executivo.
No início de 2005 outra crise já havia mexido com estes ressentimentos, desta vez em relação ao sistema de justiça. O presidente do Tribunal de Recurso (instância máxima do judiciário local), um retornado da diáspora timorense em Portugal, convenceu-se de que os juízes timorenses, em geral jovens formados em direito em universidades indonésias, não dominavam adequadamente as regras de interpretação da lei. Aplicando uma prova, reprovou a todos, destituindo-os da função. A crise contribuiu para opor grupos de retornados da diáspora em posições de poder a grupos da elite local que haviam permanecido no então Timor Timur , a 27ª província da Indonésia nos 24 anos de ocupação do território.
Se voltarmos ainda mais no tempo, lembraremos que a escolha da língua portuguesa com idioma oficial, durante a Assembleia Constituinte em 2001, foi uma decisão fortemente criticada pela geração mais nova, educada em indonésio no período de ocupação.
Este conjunto de pequenos conflitos entre diferentes setores das elites locais parece não ter tido espaço adequado de resolução nos últimos anos, e acaba voltando à tona com a crise de hoje. A forma de gerir a construção do Estado promovida pelo Sistema ONU e suas missões em Timor-Leste parece não ter dado lugar para grupos com menor poder, desconsiderando-os na definição de políticas e na formação de sistemas e instituições estatais.
Mais especificamente no caso atual, a gestão do processo de formação do Estado parece evidenciar uma grande inabilidade em incorporar a frente de resistência armada no processo de construção do Estado. Neste sentido, os surtos de violência coletiva podem ser vistos, como muitos dos surtos recorrentes em outras países do Sudeste Asiático, como um ritual político de afirmação da existência de projetos alternativos para a construção nacional - rituais de grupos em busca de reconhecimento social e político. São também o momento de visibilização de tensões que não encontram outros canais para ser equacionadas.
Uma análise mais detalhada do aparente caos pelo qual passa Timor-Leste revela, assim, novas modalidades de diferenciação social entre as elites timorenses, instituídas como conseqüência da ocupação indonésia e dos eventos que a sucederam. Cada uma delas se sobrepõe e dialoga com os mecanismos de hierarquização social "tradicional" dos diferentes povos timorenses, bem como com os sistemas de marcação social existentes nas distintas fases do empreendimento colonial português.
A dinâmica entre esses atores e a maneira como atribuem sentido à sua experiência parecem estar fortemente ligadas a três fatores fundamentais: a) às posições assumidas nas diferentes frentes da resistência à ocupação indonésia (frentes armada, diplomática e clandestina); b) à maneira como foram ou não incorporados ao Estado colonial português e ao Estado indonésio; e, c) no caso dos retornados, ao país de acolhida no período do exílio (Austrália, Portugal, Moçambique, entre outros).
Não se trata de dizer que a crise atual seja de responsabilidade exclusiva da ONU ou do governo timorense. Mas não podemos deixar de notar que as Nações Unidas, por meio de suas missões, potencializaram um grupo das elites locais em detrimento de outros. E, neste caso, a tecnologia de gestão de conflitos do Ocidente não dá conta de regular tensões culturais que se manifestam através de vínculos étnicos, por exemplo. A estabilidade produzida por este sistema é apenas aparente; uma verdadeira ficção de paz.
Kelly Cristiane da Silva, doutora em antropologia social. Professora da Universidade de Brasília (UnB), autora da tese: "Paradoxos da Auto-determinação: a construção do Estado-Nação e as práticas da ONU em Timor-Leste".
Daniel Schroeter Simião, doutor em antropologia social. Professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estudou os processos locais de resolução de conflitos em Timor-Leste, autor da tese: "As Donas da Palavra: gênero, justiça e a invenção da violência doméstica em Timor-Leste".

20.5.06

“O VALOR DA INDEPENDÊNCIA” 20 de Maio 2006

Carta de um grupo de estudantes timorenses de Coimbra ao Presidente Xanana Gusmão:

“Independência não é uma dádiva mas é uma conquista” (Nicolau Lobato)

Ba:
Ex.mo Senhor Xanana Gusmão, Presidente da República Democrática de Timor Leste


Husi: Estudante Timor-Oan ia Coimbra-Portugal

Uluk nanain, ho respeito ami hato´o ami nia “UM MINUTO DE SILENCIO” no ORASAUN” ba AS-WAIN sira nebe fo-an ba mate ba ita nia UKUN-AN.
Ba Presidente Xanana Gusmão, ami nia hakoak bo’ot ho respeitu. Ho karta ne’e ami hakbesik-an ba ita bot hodi hato ami nia preocupasaun kona ba situasaun rai laran.
Liu husi “Carta de Coimbra 2”, ami estudante Timor-oan hato´o ami nia saudasaun ba nai-ulun politiku sira hotu nebe oras ne´e hahú dau-daun kongresso partidu nian. Ami hein atu kongresso hirak ne´e bele lori sai mai liur “LIDER DIAK” nebe hamtauk no halo tuir ukun-fuan, kaer metin demokrasia, tane unidade no soberania nasional.
Ami mos sauda, F-FDTL nebe entrega ona relatoriu ba Parlamentu Nacional kona ba akontesimentu iha loron 28 Abril 2006. Relatoriu no esforsu husi parte hot-hotu ne´e hatudu sinal diak no loke dalan hodi resolve problema krize nebe maka mosu iha ita nia rain.
Ho biban ida ne´e, liu husi ami nia Carta de Coimbra 2, convida maun alin inan feton sira hotu hodi hanoin wit-oan kona ba “O VALOR DA INDEPENDÊNCIA”, tema ida nebe ami haré relevante teb-tebes atu ita koalia iha loron 20 fulan Maio hodi kompleta tinan haat ukun rasik-an, buat ida ita buka ho terus no susar oi-oin iha tinan atus haat resin nia laran no hetan duni iha loron ida ne’e.
Krize nebe mosu, lori ita ses husi buat nebe ita hot-hotu hili no hakarak – MORIS DIAK iha LIBERDADE. Ida ne´e valor lulik ida aas liu hotu iha ita nia luta. Ema rihun ba rihun lakon sira nia moris tan deit hakarak moris diak ho liberdade. Maibe moris diak ne´e, precisa segurança, unidade no soberania nasional ida garantida. “Wainhira funu baluk iha, ita hamutuk funu hasouru, agora funu baluk laiha ona, ita funu hasouru malu”. Iha tempo ukun rasik-an, ita nia funu baluk lolos maka analfabetismu, kiak, moras, servisu laiha, korupsaun no seluk-seluk tan. Sira ne´e mak teri netik dalan ba justisa, demokrasia no desenvolimentu.
Se ita hateke wit-oan ba kotuk, unidade nasional, dalan ida komplexu no harí iha tempu naruk nia laran. Iha momentu históriku balun nebe halo ita hanoin: hanesan CNRM, 12 Novembro 1991, CNRT, Convensaun Peniche-Portugal 1998, liu-liu Referendum 30 de Agosto 1999. Momentu sira nebe halo ita hanoin hikas fali susar oin sá ita harí unidade nasional. Ho ne´e maka ohin loron ita ukun-an maibe krize hirak ne´e halo mihis fali espiritu unidade nasional .
Tuir lei-inan artº. 1 dehan: “República Democrática de Timor Leste é um Estado de Direito Democrático, Soberano, Independente e Unitário baseado na vontade popular e no Rspeito pela Dgnidade da Pessoa Humana”. Tuir prinsipiu de soberania, nudar estado soberano, iha direito no dever atu resolve problema saida deit iha rai laran no labele hetan ingerência husi rai seluk. Tan ne´e, se timor oan halo sala, timor oan maka resolve.
Tuir notisia nebe ami tuir husi primeiro to´o agora, iha sinal barak mak hatudu katak ita seidauk iha kbiit diak atu resolve problema interno hirak ne´e, halo rai seluk mos preokupadu ho situasaun ne´e no sente iha responsabilidade moral atu fo tulun ita tan deit krize sira ne´e. Ita rasik hatudu imagem la dun diak ba rai liur, afinal, iha dalan barak atu resolve problema. Fó to´ok tempo ba komissaun Notáveis atu halao nia servisu. Komissaun nia knar sei lao diak wainhira ita hotu kolabora no tau konfiansa ba sira. Basa fiar sira, hanesan fiar-ita-an rasik hanesan Timor oan.
Timor Leste nasaun ida Demokrátika. Iha ne’e, ema iha responsabilidade no iha liberdade hanesan direitu atu koalia, halo politika no buat seluk tan. Diversidade iha hanoin, hakarak ou lakohi, nudar lian português dehan “o mundo é uma harmonia de contrários”, katak hanoin bele la hanesan maibe hakarak ida deit, hari ita nia rain no hametin ita nia ukun rasik-an Tan ne´e, halao knar tuir ida-idak nia servisu. Ne’e importante teb-tebes. Nudar lia-inan hateten iha artº. 137. Se ita hotu hakruk ba lei-inan, ami hanoin sei la mosu tan instabilidade hirak ikus ne´e, hanesan, tuir artº. 146 no artº. 147 atu defini saida mak ita no instituisaun sira bele halo.
Akontesimentu hirak ikus ne’e, hatudu katak buat balu lao lalos karik? Tan sa maka povu halai? Tan sa maka apelus bara-barak la iha efeitu? Tansa maka manifestasaun pasífika ida termina ho violensia? Aproveita loron históriku ida ne’e atu hatan perguntas hirak ne.
Loron 20 de Maio de 2006, loron ksolok ida ba ita hotu maibe buat hirak nebe mosu ikus-ikus ne´e halo ita la haksolok. Ukun-an laos hanesan buat karan/dádiva ida nebe ema fó maibe sosa ho susar no terus oi-oin – “Independência não é uma dádiva mas é uma conquista” (Nicolau Lobato). Atu dehan deit “República Democrática de Timor Leste” ne´e hari ho ran. Tan ne´e nia hanesan osan mean ida nebe ita tane metin no tau iha fatin aas.
Realidade ida ohin loron nian, hatudu katak valor nebe ita tau iha fatin aas nebá, hetan ameaça tan ita fahe malu no la rona malu, hodi haluha tiha unidade nebe ita kaer hanesan força hodi hasouru inimigo iha tinan atus haat resin nia laran. Ohin loron, inimigo laiha ona, ita mak inimigo ba malu? Ema seluk mak sei mai resolve nafatin ita nia problema?
Hanesan timor oan, ita maka halo problema, ita rasik maka sai solusaun ba problema ne´e. Ita tenki aprende tesi lia no banati tuir lisan ka tuir lei-inan hodi garante nafatin justisa, lia-los no tranparencia. Ita hotu buka rona malu hodi respeita prinsipiu unidade nasional.
Situasaun nebe ita nia rain atravesa, ami husi do´ok, acompanha nafatin liu husi mass-média no halo ami nia laran la hakmatek. Problema hirak ne´e, hatudu ba mundo katak ita sidauk iha hakarak diak atu nakfilak independencia politika ba ema hotu liu husi ekonomia, saúde, edukasaun, agricultura, infra-estruturas no buat seluk tan. Se ita moris nafatin iha instabilidade, bele estraga ita nia unidade nacional no bele obriga ita atu sacrifica soberania nacional.
Tuir mai, ami habadak lia-menon ba loron 20 de Maio de 2006:
1. Unidade nasional laos karan/dádiva ida maibe valor ida karun teb-tebes. Nia maka lori ita ba ukun rasik-an;
2. 20 de Maio de 2002, sai hanesan momentu aás ba ita nia Unidade Nasional no afirma-an ba mundo ita nia Soberania Nasional;
3. Hakruk ba lei-inan basa nia maka ita nia hun no abut. Lulik ida nebe reconhece ita nia direito, liberdade e garantia;
4. 20 de Maio, loron ida nebe ita tuur hamutuk hodi hanoin hikas valor ukun rasik-an. Ita nia obrigasaun maka tane netik nia ho respeitu. Basa ukun-an maka presente bo´ot ida nebe ita sei rai hela ba bei-oan sira;
5. Estado iha dever moral atu garante segurança ba povo, respeita ema nia dignidade ka valor humana no satan netik povo iha klima tauk nia laran.
6. Ba NGO´s, Instituisaun sira nebe kaer lei direitu ema nian atu labele tauk haklaken lia-los.
7. Ami husu ba nai ulun no povo tomak atu lalika lori kroat maka tesi-lia basa kroat maka democrasia nia funu baluk/inimigo.
8. Ami lakohi atu ran fakar tan! Ita hotu nia knar maka tane nafatin unidade no integridade nasaun nian;
9. Timor se sai nasaun ida dame nain, se ita harí dame iha ida-idak nia fuan, uma laran, hodi sai to´o ba liur; 10. Ita maka problema, ita maka solusaun.
Molok hakotu lia, ami tetu katak acontesimentu hirak ikus ne´e todan tebes duni ba ita. Desafio ida tan iha processu construsaun ita nia Estadu-Nasaun. Karik normal ba nasaun foun ida hanesan Timor Lorosae maibe sei sai catástrofe ida se ita husik prolema ki´ik oan sai fali prolema nasaun. Mai ita aprende hamutuk ho problema hirak nebe acontese hodi hadia hikas ita rain, prevene buat nebe la diak no hare ba oin ho fiar metin nafatin.
Dalan sei naruk, maibe ita sei to´o iha neba, basa labarik ida foin moris la lao kedas. Nia sei precisa ema seluk nia tulun. Karik nia aprende lao, mos sei monu maibe nia sei hamrik hodi lao ba oin nafatin. Ita preocupa maibe iha mos esperansa nafatin katak futuru ida diak liu sei mai. Ne´e duni, maun alin inan feton Timor-oan tomak! Timor ne´e Ó nian, Haú nian no Ita hotu nian.

“The world is a dangerous place to live in, not because of those who do evil, but because of those who watch and let it happen” (Albert Einstein).
Hato´o mos ba:
Parlamento Nasional
Governo RDTL
Sociedade Civil (Igreja no ONG´s)
Embaixada RDTL iha Lisboa
Comunicação Social
CNJTL no DSMTT
Arquivo
Coimbra, 19 de Maio 2006
Em nome do grupo: Joaquim Jacob da Silva Fernandes

17.5.06

Cachupa de Peixe - Cabo Verde

Ingredientes:
750 grs de atum
750 grs de imperador
1,5 dl de feijoca
0,5 litro de milho
2,5 dl de feijão-vermelho
3 dentes de alho
2 cebolas grandes
1 folha de louro
4 folhas de couve-portuguesa
sal q.b.
piripiri q.b.
100 grs de banha
água q.b.

Confecção:
De véspera põe-se a demolhar o feijão e o milho. No dia cozem-se os peixes em água temperada com sal, a folha de louro, os dentes de alho esborrachados e a couve cortada aos bocados. Leva-se ao lume num tacho a banha com as cebolas picadas. Assim que a cebola aloire junta-se o feijão e o milho já cozidos, a couve e o peixe às lascas. Adiciona-se um pouco de água da cozedura do peixe. Tempera-se com piripiri e deixa-se ferver um pouco para apurar.

Martinho da Vila - cantor da lusofonia!



Concerto com entrada livre
Brasileiro Martinho da Vila encerra Festas de Abrantes a 14 de Junho

16.5.06

Timor-Leste: Aprovado prolongamento da missão da ONU por um mês

Nações Unidas, Nova Iorque, 12 Mai (Lusa) - O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou hoje o prolongamento por mais um mês da actual missão em Timor-Leste (UNOTIL), cujo mandato terminava no próximo dia 19, para avaliar como pode ser reforçada a estabilidade no país.
Numa resolução aprovada por unanimidade, os 15 membros do Conselho de Segurança manifestam a sua preocupação com os incidentes de 28 e 29 de Abril, em que morreram cinco pessoas e dezenas ficaram feridas.
Os confrontos ocorreram depois de quase 600 soldados terem protestado pelo seu afastamento do exército por exigirem o fim das alegadas discriminações da hierarquia. A resolução pede ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que apresente, até 06 de Junho, um novo relatório sobre a situação no país e sobre qual deve ser o papel das nações Unidas.
O texto apela ainda ao governo de Timor-Leste para que resolva, com a assistência da UNOTIL, as causas da actual crise, de forma a evitar a sua repetição.
A resolução hoje aprovada foi proposta pelos Estados Unidos como alternativa a uma recomendação do secretário-geral, Kofi Annan, de substituir a UNOTIL por uma nova representação, com um mandato de 12 meses, que incluísse uma unidade de apoio eleitoral e observadores policiais e militares.
A proposta de Annan tinha o apoio dos restantes quatro membros permanentes do Conselho de Segurança, mas os Estados Unidos alegaram que a aprovação de uma nova missão não seria "oportuna" à luz da situação de instabilidade em Timor-Leste decorrente de confrontos violentos no final de Abril entre militares contestatários, civis e forças de segurança.
"Este prolongamento por um mês dará tempo suficiente para a situação se acalmar em Timor-Leste e permitirá aos membros do Conselho de Segurança ter uma ideia melhor do que será necessário para uma nova missão e discutir os melhores meios para a formar", explicou, antes da reunião de hoje, o conselheiro político da missão dos Estados Unidos na ONU, William Brencick.
Os restantes membros do Conselho de Segurança acabaram por concordar com a proposta norte-americana, viabilizando a sua aprovação.
MDR/JP. Lusa/fim

Timor-Leste: Annan e Sócrates de acordo na continuação do envolvimento da ONU

Viena, 12 Mai (Lusa) - O secretário-geral da ONU e o primeiro- ministro, José Sócrates, concordaram hoje, em Viena, que a questão de Timor-Leste deve continuar a ser tratada no âmbito das Nações Unidas, incluindo o reforço da presença portuguesa pedida por Dili.
"As autoridades portuguesas estão a analisar o pedido e eu anseio por trabalhar de perto com eles [Portugal] sobre a questão", disse Kofi Annan aos jornalistas portugueses. O secretário-geral das Nações Unidas, que participa na Cimeira UE/América Latina, encontrou-se hoje de manhã com o primeiro-ministro português para abordar os últimos desenvolvimentos em Timor-Leste.
"Ele [Kofi Annan] está de acordo que todas as matérias que têm a ver com Timor-Leste devem ser colocadas no âmbito das Nações Unidas", disse por seu lado José Sócrates num breve encontro com a imprensa portuguesa. O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve aprovar hoje o prolongamento por mais um mês da actual missão em Timor-Leste (UNOTIL), cujo mandato termina no próximo dia 19.
Os Estados Unidos, com assento permanente no Conselho de Segurança, colocaram reservas a uma proposta do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, apoiada nomeadamente pelos outros quatro países com direito a veto - Rússia, China, Reino Unido e França -, no sentido de ser aprovada uma nova missão.
Em vez da nova missão, os norte-americanos defenderam para já o prolongamento da missão da UNOTIL por mais um mês, findo o qual a situação no terreno será reavaliada pelo Conselho de Segurança. O primeiro-ministro português, José Sócrates, voltou a reiterar hoje, em Viena, que Portugal ajudará Timor-Leste e o seu Governo "em qualquer circunstância", mas insistiu que o eventual envio de militares da GNR - pedido pelas autoridades de Díli - deve ocorrer no âmbito de um "mandato internacional".
"Era desejável que tivéssemos um mandato internacional, mas em qualquer circunstância estaremos ao lado de Timor-Leste", acrescentou.
FPB/JP/JHM. Lusa/fim

Timor-Leste: Nenhum professor pediu para regressar a Portugal

Díli, 12 Mai (Lusa) - Nenhum dos 105 professores portugueses que se encontram actualmente em Timor-Leste manifestou o desejo de antecipar o regresso a Portugal, devido à crise político-militar, disse hoje à Lusa o responsável do Gabinete de Educação da Embaixada de Portugal.
Filipe Silva acrescentou que a manutenção dos professores em Díli se deveu à fuga dos formandos nos distritos em que os docentes portugueses estão colocados.
"Nos distritos de Baucau, Viqueque, Manatuto e Liquiça, por exemplo, todos os professores portugueses já regressaram na passada terça-feira, retomando a sua rotina normal de trabalho", precisou.
Relativamente aos professores que ainda se encontram em Díli, a previsão do regresso aos respectivos distritos é para domingo, dado que a medida preventiva de segurança aplicada já não se justifica, com o gradual regresso das populações às suas casas.
"Apesar de terem estado em Díli, os professores não estiveram de férias. Com a sua presença na capital, aproveitou-se para se preparar o final do ano lectivo, devido aos exames a realizar em Julho. Isto significa que os professores já não necessitarão de interromper as acções de formação em que estão envolvidos, pelo que, se for necessário, poderão, antes dos exames, garantir uma semana extra de aulas", disse Filipe Silva.
Timor-Leste vive um período de tensão provocado por incidentes protagonizados por ex-militares que alegam discriminação por parte da hierarquia das forças armadas.
Os confrontos com as forças da segurança no fim de Abril provocaram sete mortos e o êxodo para as montanhas, nos primeiros dias, de 70 por cento da população da capital, de acordo com as Nações Unidas. O último incidente relacionado com a crise político-militar de que há registo verificou-se há cinco dias em Gleno, no distrito de Ermera. A capital tem vindo a registar progressivo aumento da circulação de pessoas e bens, tendo hoje o ministro dos Trabalho e da Reinserção Comunitária, Arsénio Bano, salientado em entrevista à Lusa que "Díli está a entrar na completa normalidade". EL. Lusa/Fim

Timor-Leste: Guterres quer ser alternativa a Alkatiri na liderança da Fretilin

Díli, 11 Mai (Lusa) - José Luís Guterres, actual embaixador de Timor-Leste na ONU, quer ser a alternativa a Mari Alkatiri na liderança da Fretilin, um combate que reconhece difícil, mas necessário para acabar com a "liderança pessoal" que tem dirigido o partido. "O combate é difícil, mas nada é fácil na vida", disse hoje em entrevista à Lusa, assumindo-se como candidato à liderança do partido no poder em Timor-Leste, cujo congresso está previsto para os dias 17, 18 e 19 em Díli. "Tem-se verificado uma liderança pessoal e nós pensamos que se deve promover a equipa, instituindo a co-responsabilização e a descentralização", disse Guterres, referindo-se ao actual primeiro- ministro timorense e líder da Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (Fretilin).
José Luís Guterres, que se apresenta como um moderado, explica que a sua proposta política assenta numa liderança colectiva, estabelecida a partir do diálogo e na partilha de responsabilidades, por oposição ao que considera ser a liderança unipessoal que tem dirigido o partido.
"Há uma certa diferença nas duas alas - a nossa é considerada a moderada - que estão a competir (pela liderança do partido) e que passa pela forma como o poder deve ser exercido", precisou.
Em mais uma crítica a Mari Alkatiri, afirma: "Não queremos mais um governo de amigos".
"Temos que melhorar o partido e entender que a Fretilin não é dona de Timor-Leste. Os outros partidos políticos (timorenses) fazem parte deste processo de construção e nós devemos considerá-los como parceiros. Há que dinamizar um diálogo permanente com os partidos políticos, com a sociedade civil e com a Igreja, para que se construa algo que a sociedade sinta que é também sua", vincou. Nascido em Viqueque, leste do país, há 52 anos, José Luís Guterres é um dos membros fundadores da Associação Social Democrata Timorense (ASDT), criada a 20 de Maio de 1974 e que viria a dar lugar, em 11 de Setembro do mesmo ano, à Fretilin.
Antes da entrevista à Lusa, José Luís Guterres e Jorge Teme, até há poucos meses embaixador em Camberra e que também esteve presente na conversa, reuniram-se em Baucau (leste) com o bispo D. Basílio do Nascimento.
"Fomos contemporâneos no Seminário de Dare - ele é um pouco mais velho do que eu -, e dada a situação que Timor-Leste atravessa é sempre importante ouvir as suas palavras", explicou.
Além do Bispo de Baucau, José Luís Guterres tem mantido nos últimos dias contactos com vários dirigentes, incluindo representantes da Igreja e das forças de defesa, para ajudar a encontrar uma solução para a crise que o país atravessa. Em relação ao clima de tensão agravado pelos confrontos violentos registados em finais de Abril entre militares contestatários e forças de segurança, que resultaram em cinco mortos e dezenas de feridos em Dili, Guterres mostra-se optimista.
"De todas crises que Timor-Leste atravessou, e das quais saímos com muitas dificuldades, também saímos mais reforçados e acredito que volte a ser assim deste vez", disse.
No próximo fim-de-semana, a Fretilin reúne o seu Comité Central, que deverá confirmar as datas previstas para a realização do Congresso do partido.
Vencedora das primeiras eleições gerais realizadas no país, em 2001, a Fretilin obteve uma confortável maioria de 57,37 por cento. Eduardo Lobão (Texto) e Manuel de Almeida (Fotos).
Lusa/Fim

Timor-Leste: agências e postos de câmbio CGD continuarão a trabalhar normalmente

Lisboa, 11 Mai (Lusa) - As oito agências e dois postos de câmbio do Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD) em Timor-Leste, nos quais trabalham 80 pessoas, vão continuar a funcionar normalmente, apesar da instabilidade, garantiu hoje à Lusa fonte oficial da instituição.
"Estamos a trabalhar normalmente, sem que nenhuma das agências ou postos de câmbio tenha sido encerrado neste dias, e vamos continuar assim", disse à agência Lusa fonte do gabinete de comunicação da CGD.
"Naturalmente, temos estado a acompanhar atentamente a situação e vamos continuar a faze-lo", frisou, mas as informações que chegam de Timor-Leste é que "a situação está a normalizar", não havendo necessidade de pensar em encerrar locais ou retirar os portugueses - três dos 80 funcionários - que ali trabalham. Timor-Leste vive actualmente um período de tensão depois de incidentes protagonizados por ex-militares que alegam ser alvo de discriminação por parte da hierarquia das forças armadas.
Na sequência de confrontos entre ex-militares e as forças da ordem a 28 e 29 de Abril, em Díli, que fizeram cinco mortos e dezenas de feridos, cerca de 70 por cento da população da capital fugiu para as montanhas, só começando a regressar nos últimos dias.
O grupo CGD tem duas agências na capital timorense, Dili, e outras seis nas localidades de Baucau, Gleno, Maliana, Suai, Viqueque e no enclave de Oecussi, além de dois postos de câmbio, um na capital e outro numa localidade na fronteira com a Indonésia. A sucursal do grupo financeiro português em Timor-Leste foi inaugurada em Julho de 2001, mas a actividade, intensificada depois do referendo de Agosto desse ano, foi iniciada pelo Banco Nacional Ultramarino (BNU), incorporado por fusão na CGD.
ANP. Lusa/Fim

Timor-Leste: CPLP reúne Comité de Concertação para analisar situação no país

Lisboa, 11 Mai (Lusa) - A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reúne na próxima semana o Comité de Concertação Permanente para analisar a tensão vivida em Timor-Leste nos últimos dias, anunciou hoje o secretário executivo da organização. Segundo Luís Fonseca, que falava à margem de uma Conferência Internacional sobre Trabalho Infantil no Mundo de Língua Portuguesa, a decorrer em Lisboa, toda a comunidade está apreensiva com os últimos acontecimentos e com o facto de existirem indícios de que as perturbações podem continuar.
"O secretariado está a tentar acompanhar a evolução da situação e iremos reunir na próxima semana o Comité de Concertação Permanente para analisar a situação e tomar uma posição pública sobre isso", disse. O Comité de Concertação Permanente é um dos órgãos da CPLP, integrado por representantes de cada um dos países membros da organização, que se reúne ordinariamente uma vez por mês e extraordinariamente sempre que necessário.
Timor-Leste vive actualmente um período de tensão depois de incidentes protagonizados por militares contestatários que se queixam de ser discriminados por parte da hierarquia das forças armadas.
Na sequência de confrontos entre militares contestatários e forças de segurança a 28 e 29 de Abril passado, em Díli, que provocaram cinco mortos, dezenas de feridos e o êxodo de 70 por cento da população (cerca de 90 mil pessoas) da capital para as montanhas.
GC.
Lusa/Fim