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"Só confiamos no presidente Xanana"

01-05-2006 0:44:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7949978 Temas: política timor-leste conflitosTimor-Leste:
"Só confiamos no presidente Xanana" - Tenente Gastão Salsinha

Díli, 01 Mai (Lusa) - O porta-voz dos militares contestatários timorenses, tenente Gastão Salsinha, disse hoje, em entrevista telefónica à agência Lusa, que só confia no presidente Xanana Gusmão e que o governo mente.
"Só confiamos no presidente Xanana. Não confio no governo.
Eles mentem e mataram", afirmou.
Escondido nas montanhas, mas sem especificar em que área, o tenente Gastão Salsinha disse que está acompanhado "de mais de 100 militares" e que não tenciona entregar-se, como apelou domingo o primeiro-ministro, Mari Alkatiri.
"Eles mentem e mataram. Tenho informações que mataram mais de 60 pessoas", acusou.
Oficialmente, as autoridades timorenses continuam a fixar em cinco o número de vítimas mortais e em 35 o de feridos, entre os quais quatro polícias.
O tenente Gastão Salsinha disse que apenas confia no presidente Xanana Gusmão.
"Ele é o nosso presidente. É o nosso comandante supremo. Se ele fica calado, nós também ficamos e continuamos nas montanhas", frisou, salientando que vão continuar a luta a partir das montanhas, mas sem querer entrar em pormenores quanto ao formato dessa luta.
Questionado sobre a alegação das autoridades timorenses quanto à presença do bando Colimau 2000 na manifestação, iniciada no passado dia 24 de Abril, o tenente Salsinha desmentiu a presença de qualquer grupo organizada.
"Além de nós, os peticionários, estavam só os nossos familiares e amigos. São todos nossos simpatizantes", respondeu.
O tenente Gastão Salsinha é a face visível do descontentamento de centenas de militares que se auto-designam "loromonu", ou seja, provenientes dos 10 distritos da parte ocidental de Timor-Leste.
Aqueles militares abandonaram as unidades em Fevereiro e apresentaram-se, desarmados, na Presidência da República, para que Xanana Gusmão ajudasse a pôr cobro às discriminações que alegam serem alvo nas suas unidades.
Esses alegados actos de discriminação são de natureza étnica, perpetrados por comandantes "lorosae", ou seja naturais dos três distritos da parte leste.
O brigadeiro-general Taur Matan Ruak considerou em Março que os 591 militares, ao se manterem fora das suas unidades, se tinham colocado à margem da instituição, pelo que passavam a ser considerados civis, decisão administrativa avalizada pelo governo.
Em duas ocasiões, Xanana Gusmão, em mensagens à nação, criticou a decisão de Taur Matan Ruak e do ministro da Defesa, Roque Rodrigues, considerando que nada tinham feito para arranjar uma solução para os problemas invocados pelos militares contestatários.
Estes convocaram uma manifestação para Díli, iniciada a 24 de Abril, e deram um prazo aos órgãos de soberania para que dessem passos para ultrapassar as discriminações que invocam.
Cinco dias depois, na passada sexta-feira, a manifestação transformou-se em violentos confrontos na zona do Palácio do Governo, que se estendera aos subúrbios da parte ocidental da cidade.
A entrada em cena das forças armadas permitiu inverter para o lado do governo uma situação que, no início, foi marcada por notórias e evidentes dificuldades.

EL.
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