15.5.06

Timor-Leste: Acusações são manipulação política da crise - Partido Democrático

Lisboa, 10 Mai (Lusa) - O líder do Partido Democrático timorense, Fernando Araújo "Lasama", rejeitou hoje as acusações de Mari Alkatiri de que está a instigar a crise em Timor-Leste e acusou a FRETILIN de manipular a situação por interesses políticos. "É uma ironia que demonstra a incapacidade do governo. Foram eles que instigaram a situação que levou milhares de pessoas a deixarem Díli e a fugirem para as montanhas", disse Fernando Araújo "Lasama", contactado telefonicamente pela Agência Lusa. O governo timorense, através do primeiro-ministro, Mari Alkatiri, e de um comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, acusou hoje o líder do Partido Democrático e a mulher de "instigarem a agitação" vivida nas últimas semanas em Timor-Leste. Acusações, assegura o líder do PD, "injustas e sem qualquer fundamento". "O governo devia ter responsabilidade para procurar uma solução para o problema, em vez de procurar bodes expiatórios. O Governo sabe que o Partido Democrático é a maior ameaça à FRETILIN e, por isso, está a manipular a situação em nome dos seus interesses políticos", prosseguiu Fernando Araújo, líder do segundo partido mais votado nas eleições de 2001. Questionado sobre a situação no país, Fernando Araújo manifestou a sua preocupação com a situação de segurança, afirmando que "as duas partes estão armadas", que "há civis armados em Díli" e que Timor-Leste está dividido. "A gasolina está lançada, falta saber quem lhe vai deitar fogo primeiro", disse. Frisando que é partidário de uma solução do problema "dentro do princípio da unidade nacional", o líder do PD considerou que "a submissão ao Presidente Xanana declarada" pelos ex-militares é uma via para uma solução, até porque o chefe de Estado "tem competência constitucional" para intervir. Acrescentou, contudo, que com a divisão das forças - tanto na polícia como no exército - "o Presidente está numa situação difícil para tomar uma decisão". Fernando Araújo "Lasama", antigo responsável da principal organização juvenil da resistência, a Renetil, dirige o Partido Democrático timorense (centro-direita) desde a sua criação, em Junho de 2001. Algumas fontes timorenses sugeriram, na altura, que o PD nasceu com o apoio do Presidente da República, Xanana Gusmão, e de sectores da Igreja, incluindo párocos da geração mais jovem. Nas eleições de 2001, o PD foi o segundo partido mais votado a seguir à FRETILIN (57,37 por cento), com 8,72 por cento dos votos. Em 2003, o PD integrou o grupo de seis partidos da oposição timorense que criou uma "Plataforma Política para a Unidade Nacional", base de uma "alternativa" ao governo da FRETILIN. MDR/ASP. Lusa/fim