15.5.06

Timor-Leste: BE manifesta "maiores reticências" a envio de contingente da GNR

Lisboa, 10 Mai (Lusa) - O líder parlamentar do Bloco de Esquerda, Luís Fazenda, manifestou hoje "as maiores reticências" ao envio de elementos da GNR p ara Timor-Leste, frisando que é preciso conhecer os termos do pedido do Governo timorense à ONU. / "Se é para uma mera missão policial temos as maiores reticências. Não n os parece que seja missão da GNR policiar a situação, ao serviço do Governo timo rense, contra outra facção timorense", afirmou Luís Fazenda, em declarações à Ag ência Lusa./ Timor-Leste vive actualmente um período de tensão depois de incidentes protagonizados por ex-militares que alegam ser alvo de discriminação por parte d a hierarquia das forças armadas. Na sequência de confrontos entre ex-militares e as forças da ordem a 28 e 29 de Abril passado, em Díli, que fizeram cinco mortos e dezenas de feridos, cerca de 70 por cento da população da capital fugiu para as montanhas, só começa ndo a regressar nos últimos dias./ Sublinhando o carácter "interno" da situação de tensão em Timor-Leste, Luís Fazenda considerou que "é preciso conhecer com detalhe a solicitação do Gov erno timorense às Nações Unidas" para poder avaliar o enquadramento da participa ção da força da GNR numa eventual missão da ONU. / O pedido para que Portugal envie uma força da GNR para Timor-Leste foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros timorense, Ramos Horta, e mereceu resposta positiva do executivo português, que anunciou, no entanto, que a GNR só regressará a Timor-Leste integrada numa força da ONU. / De acordo com o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros portu guês, Carneiro Jacinto, "quaisquer decisões só serão tomadas depois de o Conselh o de Segurança da ONU confirmar o prolongamento da missão da ONU no território p or mais um mês"./ O prolongamento da actual missão da ONU (UNOTIL) foi proposto pelos Est ados Unidos, com o apoio do Governo timorense, para que durante esse período, po ssa ser avaliado o pedido de Timor-Leste para uma nova missão das Nações Unidas que permaneça no país até às eleições previstas para Maio de 2007./ O Governo de Timor-Leste pediu que a eventual nova missão da ONU inclua uma força de polícia. "A participação da GNR terá que ser sempre no quadro da O NU. Quanto à situação, só podemos fazer votos para a estabilidade política e o f uncionamento das instituições democráticas", acrescentou Luís Fazenda. / SF. / Lusa/Fim