15.5.06

Timor-Leste: Díli fez pedido informal ajuda, mas não há decisão - António Costa

Lisboa, 10 Mai (Lusa) - O ministro de Estado e da Administração Interna , António Costa, assumiu hoje que existiu uma "solicitação informal" de ajuda po r parte do Governo de Timor-Leste, mas reiterou que nenhuma decisão está tomada.
"Não há nenhuma decisão sobre esta matéria. Houve uma solicitação que f oi colocada ainda informalmente, estamos a trabalhar em diálogo com as Nações Un idas e com o Governo de Timor-Leste", afirmou António Costa, à saída da interpel ação parlamentar pedida pelo PSD.
Instado a clarificar que tipo de ajuda poderá o Governo enviar para Tim or-Leste - apenas no quadro das Nações Unidas ou não -, António Costa recusou ad iantar quaisquer pormenores.
"Estamos a fazer uma avaliação da situação, aguardamos uma decisão por parte das Nações Unidas. Quando houver uma decisão, ela será tornada pública", a firmou António Costa, escusando-se a apontar um prazo para esse processo.
Antes, também no Parlamento, o primeiro-ministro, José Sócrates, tinha afirmado que o Governo português aguardava um pedido de ajuda das autoridades de Díli para decidir como poderá cooperar para resolver os problemas de segurança naquele país de expressão portuguesa.
Nas declarações que fez aos jornalistas no Parlamento, no final da sess ão de abertura da interpelação do PSD sobre um ano de Governo socialista, José S ócrates não se pronunciou sobre o eventual envio de militares da GNR para Timor- Leste.
O primeiro-ministro declarou apenas que "Portugal acompanha com atenção a situação em Timor-Leste" e está disponível para "estudar as propostas que for em feitas pelas autoridades timorenses".
"Quando chegar esse pedido das autoridades timorenses e após contacto c om outros países e com a Organização das Nações Unidas, Portugal decidirá" como poderá ajudar Timor-Leste, respondeu o chefe do Governo. Por outro lado, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros con firmou hoje que o chefe da diplomacia timorense, José Ramos Horta, fez há "já al gum tempo" um pedido para envio de forças da GNR para Timor-Leste.
No entanto, António Carneiro Jacinto explicou que esse pedido "não tem nada a ver" com a crise política que afecta Timor-Leste.
"Aceitámos enviar elementos da GNR, mas quaisquer decisões só serão tom adas depois de o Conselho de Segurança da ONU confirmar o prolongamento da missã o da ONU no território por mais um mês", disse António Carneiro Jacinto à Agênci a Lusa.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas reúne-se sexta-feira, para de cidir se prolonga a actual missão da ONU em Timor-Leste.
Por proposta dos Estados Unidos, a actual estrutura da ONU em Timor-Les te (UNOTIL), cuja missão termina a 19 de Maio próximo, deverá permanecer por mai s um mês no país.
Durante esse período, será avaliado um pedido do Governo de Díli para q ue as Nações Unidas permaneçam em Timor-Leste até à realização das próximas elei ções presidenciais e legislativas, previstas para Maio de 2007.
Timor-Leste vive actualmente um período de tensão depois de incidentes protagonizados por ex-militares que alegam ser alvo de discriminação por parte d a hierarquia das forças armadas.
Na sequência de confrontos entre ex-militares e as forças da ordem a 28 e 29 de Abril passado em Díli, que fizeram cinco mortos e dezenas de feridos, c erca de 70 por cento da população da capital fugiu para as montanhas, só começan do a regressar nos últimos dias.
SMA/PMF/PNG. Lusa/Fim