15.5.06

Timor-Leste: Governo acusa Partido Democrático de instigar a crise

Lisboa, 10 Mai (Lusa) - O Governo de Timor-Leste apontou hoje como responsáveis pela actual crise o Partido Democrático (PD), o segundo mais votado, e a organização Colimau 2000, que acusa de tentarem desestabilizar a situação para derrubar o governo da FRETILIN. O primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, afirmou ao jornal Suara Timor Lorosae (STL) que o líder do Partido Democrático, Fernando Araújo Lasama, e a mulher, Jacqueline Siapno, "estão envolvidos" no caso dos militares contestatários e nos desenvolvimentos subsequentes. "Se o PD não está por trás disto, então por que é que o seu líder e a mulher estão envolvidos?", questionou Alkatiri. Terça-feira, numa conferência de imprensa em Díli, o primeiro- ministro timorense afirmou que a crise foi "uma tentativa de golpe constitucional" para "fazer parar as instituições" e "depois dissolver o Parlamento", provocando a demissão do Governo. "Relativamente aos incidentes de 28 de Abril, algumas pessoas disseram que 60 pessoas tinham morrido e o presidente do PD e a mulher disseram que 100 pessoas tinham morrido. O objectivo é derrubar o Governo fazendo crer que muitas pessoas foram mortas", disse Alkatiri ao STL. O balanço oficial dos confrontos de 28 de Abril é de cinco mortos e 82 feridos, sete deles polícias. Acusação semelhante foi feita hoje num comunicado sobre a situação no país emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros timorense, tutelado por José Ramos Horta, no qual foi incluída a seguinte nota final: "É triste e perturbador que o senhor Fernando Lasama, líder do Partido Democrático, e a sua mulher, a cidadã filipina Jacqueline Siapno, em vez de demonstrarem maturidade e sentido de Estado estejam a instigar a agitação". A "nota" do MNE de Timor-Leste é divulgada no mesmo dia em que, numa entrevista ao jornal Público, Ramos Horta afirmou que a alegada tentativa de golpe constitucional "é uma interpretação do primeiro-ministro" Alkatiri num contexto em que "as especulações são as mais variadas". Nessa entrevista, o ministro timorense afirma que a situação foi dramatizada "pelos jornalistas e até pelo corpo diplomático" e atribui a crise a uma incapacidade do próprio Governo timorense para "enfrentar atempadamente" os problemas existentes nas Forças Armadas. Quanto à organização Colimau 2000, um grupo que segundo as autoridades se dedica a actividades criminosas como roubos, saques e extorsão, Mari Alkatiri fez-lhe referência numa entrevista dada hoje ao programa de língua portuguesa da rádio pública australiana, SBS, em resposta a uma questão sobre quem são os responsáveis pela actual crise. "São pessoas de uma organização ilegal, chamada Colimau 2000 ou Colimau Duaribo, e são pessoas com certa posição, a nível de coordenadores de distritos do Partido Democrático", disse Alkatiri à SBS. O primeiro-ministro timorense afirmou que as reivindicações dos ex-militares "nada tinham a ver com qualquer acção de tipo golpista" mas que, depois, "juntaram-se a eles outros com outra agenda (Ó), pessoas do Colimau e ligadas ao PD". Nesta entrevista, contudo, Alkatiri diz que não quer "ainda passar a acusar o partido (Democrático) propriamente dito", mas acrescenta que "são elementos proeminentes do partido que estão envolvidos". "Conhecemo-los todos, os nomes das pessoas que são os promotores das manifestações, das tentativas de encerrar os serviços públicos nos distritos, nos ditos 10 distritos mas atingindo apenas três ou quatro. São pessoas ligadas ao Partido Democrático", afirmou, acrescentando que essas pessoas vão ser "detidas, investigadas e levadas a tribunal". Alkatiri referia-se aparentemente à declaração conjunta divulgada terça-feira pelo jornal Timor Post, na qual "representantes de 10 distritos", que não são identificados, anunciam que a população decidiu boicotar as autoridades governamentais locais a partir de segunda-feira passada. MDR/BW. Lusa/Fim