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Timor-Leste: Nações Unidas aconselham adopção de "medidas de precaução"

03-05-2006 11:35:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-7955844
Díli, 03 Mai (Lusa)
As Nações Unidas aconselharam a adopção de "medidas de precaução" devido ao carácter volátil das condições de segurança em Díli, de acordo com um documento hoje distribuído e a que a Agência Lusa teve acesso.
Embora destaque que "não se prevê que a segurança se deteriore rapidamente", o documento reconhece que este tipo de situações são "voláteis".
Dirigido aos responsáveis das várias agências da ONU presentes em Timor-Leste, o documento justifica a medida de precaução para responder à eventual necessidade dos funcionários da ONU serem obrigados a permanecer longos períodos de tempo nos respectivos locais de trabalho, impossibilitados de se deslocarem às respectivas residências.
Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, em comunicado enviado à Lusa, informou hoje que alguns habitantes de Díli "continuam preocupados com rumores" e que nalguns bairros suburbanos saíram de Díli em direcção às montanhas.
"O Governo reafirma que os receios da população são infundados", sublinha o comunicado do MNE.
Este movimento pendular ganhou expressão nos dias que antecederam a manifestação iniciada no passado dia 24 por centenas de militares contestatários, um protesto em que foram acompanhados por familiares e simpatizantes, e que degenerou, cinco dias depois, em violentos confrontos junto ao Palácio do Governo.
Os violentos confrontos registados ao princípio da manhã do passado sábado, na área de Comoro, opondo efectivos das forças armadas contra os militares contestatários e grupos de jovens, acentuaram esse movimento pendular, marcado pela concentração de milhares de pessoas em instituições ligadas à igreja e escolas.
De acordo com a ONU, o maior número de deslocados verificou-se na noite de sábado para domingo, quando foram contabilizadas 13 mil pessoas.
A Lusa visitou hoje o Colégio Salesiano D. Bosco, em Comoro, onde o padre Rolando Fernandez informou que se encontram 1.500 pessoas nas instalações.
"à noite o número aumenta, porque as pessoas receiam ficar nas suas casas, devido aos rumores que circulam", acrescentou.
Somente no fim-de-semana passado, mais de 7.500 pessoas refugiaram-se naquele colégio.
O Governo, a Cruz Vermelha, algumas embaixadas e organizações não-governamentais estão a ajudar aqueles deslocados com alimentos e água.
O comunicado do MNE informa que o Governo criou três comissões: recepção dos militares contestatários, verificação de mortos e feridos e de levantamento das destruições de bens, que integram representantes de vários ministérios, da polícia, da Cruz Vermelha e da Administração de Díli.
O protesto dos militares contestatários visou pressionar os órgãos de soberania a rever a decisão do comandante das Forças de Defesa, brigadeiro-general Taur Matan Ruak, de os afastar das forças armadas. Aqueles militares mantinham-se voluntariamente fora das suas unidades desde Fevereiro, em protesto contra alegados actos de discriminação dos comandantes, por razoes de natureza étnica.
Os militares contestatários, que se auto-designam "loromonu", são maioritariamente naturais dos dez distritos mais ocidentais de Timor-Leste.
Os restantes três distritos timorenses são designados por "lorosae".
EL. Lusa/Fim