1.6.06

Timor-Leste: MNE australiano apela para reconciliação política em Díli
Camberra, 31 Mai (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros australi ano, Alexander Downer, apelou hoje para a "reconciliação política" dos líderes t imorenses, sublinhando que só assim será possível resolver a actual crise no paí s. "A reconciliação política vai ser obviamente a chave para a resolução d a actual crise e para garantir um futuro estável para Timor-Leste", disse Alexan der Downer, cujo executivo criticou na semana passada a governação timorense. "Apelamos a todas as partes para que, apesar das suas divergências, act uem no melhor interesse do país esforçando-se por reconciliar esses interesses", acrescentou Downer, citado pela agência australiana AAP. O ministro australiano falava no Parlamento, em Camberra. A Austrália mobilizou cerca de 2.000 militares, incluindo pessoal de ap oio em meios aéreos e navais, e uma companhia da polícia federal para ajudar a p acificar a vida em Díli, que nos últimos dias se tem caracterizado por violentos incidentes entre grupos rivais, de que já resultaram cerca de duas dezenas de m ortos e 70.000 deslocados. O comandante das forças australianas, o brigadeiro Mick Slater, está a coordenar a acção no terreno com o presidente timorense, Xanana Gusmão, e com o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, entre os quais se tem registado alguma tensão em relação à competência em matéria de defesa e de segurança. Segundo um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros australian o, a competência, em última análise, é do presidente timorense. "Na nossa perspectiva, Gusmão é quem tem a máxima autoridade. É ele o c omandante supremo das forças de defesa e de segurança. Mas temos um acordo para a nossa acção no terreno ser coordenada tanto com o presidente como com o primei ro-ministro", disse o porta-voz. "Se houver interpretações diferentes sobre questões políticas decorrent es desse acordo, é uma questão que deve ser resolvida pelos dirigentes timorense s", acrescentou. Xanana Gusmão anunciou terça-feira, numa comunicação ao país, que assum iu o controlo das áreas da defesa e da segurança e que sugeriu a Mari Alkatiri a demissão dos ministros da Defesa, Roque Rodrigues, e do Interior, Rogério Lobat o. Mari Alkatiri convocou para quinta-feira uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros. No Parlamento de Camberra, Alexander Downer disse também aos deputados que o brigadeiro Slater se reuniu em Díli com Mari Alkatiri para lhe transmitir que a Austrália defende uma solução política para a actual crise. "Essa mensagem foi reforçada no encontro com o primeiro-ministro Alkati ri", disse Downer. O comandante do exército australiano, marechal Angus Houston, disse tam bém hoje prever que as forças australianas permaneçam em Timor-Leste por um perí odo de pelo menos seis meses. "A nossa base de planeamento é a de um destacamento de seis meses. A mi nha esperança é que, à medida que a situação for estabilizando, possamos reduzir a força em algum momento no futuro. Mas não estou centrado nisso, neste momento ", disse Angus Houston numa audição no Parlamento. O ministro da Defesa australiano, Brendan Nelson, afirmou hoje consider ar desejável, a médio prazo, que a ONU assuma um papel mais importante em Timor- Leste. "Para a reconstrução política, financeira, legal e social de Timor-Lest e, a médio e longo prazo, pensamos que (...) as medidas de segurança devem passa r pelo governo timorense e envolver uma coligação de países, talvez liderados pe la Austrália", disse Nelson. MDR/PNG. Lusa/Fim