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Timor-Leste: textos importantes

31-05-2006 17:58:00. Fonte LUSA. Notícia SIR-8040063
Díli, 31 Mai (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros deTimor-Leste reconheceu hoje que ainda existe medo e há muito por fazerpara restaurar a paz no país, mas a acção das forças estrangeiras está acontribuir para uma melhoria da situação."Naturalmente que ainda existe medo e muito falta ainda fazer para que apaz de espírito seja restaurada e as pessoas se sintam confiantes emregressar às suas casas e retomarem as suas actividades", afirma JoséRamos Horta em comunicado.Segundo o ministro, regista-se, no entanto, uma melhoria da situaçãodecorrente da intensificação e reforço, em cada vez mais áreas dacapital timorense, da acção dos militares e polícias enviados pelaAustrália, Malásia e Nova Zelândia.Lembrando que a última madrugada foi a primeira em que foi possíveldormir sem sobressaltos ou receios, Ramos Horta acrescenta que no restodo país não há registo de incidentes.Com o objectivo de avaliar pessoalmente o que se passa nos distritos dointerior, o ministro dos Negócios Estrangeiros está a efectuar contactose visitas a vários distritos.Hoje deslocou-se ao Suai, distrito de Covalima, onde contactou apopulação e estabeleceu contactos com efectivos da Unidade de Patrulhade Fronteira, da Polícia Nacional de Timor-Leste, e com os oficiais deligação das Nações Unidas."Salientei aos funcionários da administração pública a importância decontinuarem a servir as populações e em não se afastarem das suasobrigações", frisou.Ramos Horta aproveitou para informar a população dos últimosdesenvolvimentos visando a resolução da crise em Díli, designadamente acomunicação ao país do Presidente Xanana Gusmão.Na comunicação, feita terça-feira à noite (hora local), o presidentetimorense anunciou a adopção de várias medidas de emergência tendentes afazer face à crise, que vigorarão durante 30 dias, prorrogáveis senecessário e sem prejuízo da instauração do estado de sítio, caso talvenha a revelar-se necessário.Entretanto, no quadro da avaliação pelas Nações Unidas da actualsituação na capital, Ian Martin, enviado especial do secretário- geralKofi Annan, voltou hoje a ser recebido pelo presidente Xanana Gusmão.Ian Martin, que chefiou a missão da ONU que supervisionou o referendo de30 de Agosto de 1999, em que a maioria dos timorenses votou a favor daindependência, pondo termo a 24 anos de ocupação indonésia, chegousegunda-feira a Díli, tendo nesse mesmo dia sido recebido pelo chefe deEstado timorense.Fonte da Presidência da República disse à Lusa que "os dois encontros seenquadram no mandato conferido pelo secretário-geral da ONU, deavaliação directa da situação no país".Além de Ian Martin, que não fez declarações à saída, no encontro de hojeesteve também Tamrat Samuel do Departamento de Assuntos Políticos daONU, um dos elementos da organização que mais acompanhou a questão deTimor-Leste no período entre 1999 e 2002.EL.Lusa/fim