5.6.06

Timor-Leste: textos importantes

Mais 10 casas são incendiadas na capital do Timor Leste
Díli, 01 Jun (Lusa) - Mais quatro casas foram incendiadas hoje no bairro de Aitarak-Laran, no centro da capital timorense, Díli. Com isso, já são dez casas queimadas na região em um período de 12 horas, todas pertencentes a timorenses da região leste do Timor Leste, da etnia lorosae.Celestino Baptista, que teve sua casa totalmente destruída, disse à Agência Lusa que vivia no bairro desde 2001 e que nunca teve problemas com a vizinhança. "Agora não sei o que vou fazer. A família está em Lospalos (cidade no leste do país) e eu fiquei com a roupa que tenho no corpo. Perdi tudo", disse. Resignado, não sabe o que fará: "Agora não tenho cabeça para pensar nisso".A área atacada fica a pouco mais de 20 metros dos muros que cercam um empreendimento turístico português a 100 metros da sucursal da Agência Lusa. Além disso, fica a poucas quadras de um conjunto residencial de militares australianos. Os bombeiros timorenses tentaram, mas não conseguiram controlar o fogo.Um morador que não quis se identificar disse à Lusa ter visto três ou quatro crianças rondando a região e acredita que foram os autores do incêndio. "Vi três ou quatro miúdos, que vieram e queimaram. Já ontem queimaram seis casas, agora foram quatro. Aproveitaram a ausência dos moradores", contou.Para ele, a estabilidade só chegará com os 120 policiais da GNR (Guarda Nacional Republicada, a polícia militarizada de Portugal), que devem partir amanhã ao Timor Leste. "Os australianos e os malaios não fazem nada. Estão à espera da GNR para segurar isto, porque o trabalho que eles fizeram quando estiveram aqui pela primeira vez foi muito bom", completou.A pior crise na ex-colônia portuguesa desde 1999 - quando se tornou independente da Indonésia - começou com o protesto de 600 militares que denunciaram discriminação étnica contra os loromonus (etnia do oeste do país) nas Forças Armadas, após serem exonerados. Depois, outros oficiais abandonaram seus postos, assim como policiais. Os confrontos entre ex-militares e ataques de grupos de civis armados deixaram cerca de 20 mortos na capital.Por não conseguir controlar a situação, as autoridades timorenses solicitaram ajuda militar à Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal. Mais de 2 mil militares e policiais australianos, neozelandeses e malaios já estão no país.Situação estabilizada, mas frágilO responsável pela missão das Nações Unidas no Timor Leste, Sukehiro Hasegawa, afirmou hoje a jornalistas que a situação no país está "estabilizada" mas continua "frágil". "Devemos reforçar nossas patrulhas de segurança e ajudar as forças policiais (internacionais) a espalhar-se pelo terreno o mais rapidamente possível", acrescentou.Hasegawa informou que há 65 mil pessoas refugiadas em vários locais de Díli. "Penso que a situação está controlada, alguns campos de refugiados precisam de alimentos, mas, pelo que sei, o Programa Alimentar Mundial (da ONU) começou a distribuir alimentos", disse.