4.6.06

Timor-Leste: textos importantes

Timor-Leste: Bispo de Díli lamenta violência, decisão do PR é passo para solução Díli, 31 Mai (Lusa) - O bispo de Díli lamentou hoje a violência registada nos últimos dias, considerando que a decisão do Presidente de assumir a responsabilidade da defesa e segurança em Timor-Leste constitui o primeiro passo para a solução global da crise. Num comunicado divulgado hoje, D. Alberto Ricardo da Silva lamenta "profundamente" os acontecimentos dos últimos dias no país, marcados pela violência protagonizada por grupos de civis com armas de fogo e armamento tradicional, convidando a uma "profunda reflexão" sobre os motivos dessa violência. "A Diocese de Díli convida todos os cristãos a fazerem uma profunda reflexão sobre os últimos acontecimentos para, com coragem, saber arrepender e perdoar, iniciando uma nova vida num Timor novo que todos queremos construir", diz D. Alberto Ricardo da Silva. No mesmo documento o bispo considera que a decisão do presidente Xanana Gusmão de chamar a si o controlo das áreas de defesa e segurança constitui o "primeiro passo da solução global" da crise em Timor-Leste. É a segunda vez que o bispo de Díli toma posição sobre os violentos acontecimentos registados desde 28 de Abril no país. A 02 de Maio, as Dioceses de Díli e Baucau rejeitaram "peremptoriamente toda a violência ocorrida" e instaram o Estado a encontrar uma "solução justa" para os problemas suscitados pelos ex- militares e a "criação urgente de mecanismos de assistência humanitária" pelo Governo. Timor-Leste, em particular Díli, vive uma situação de violência desde o final de Abril, depois de cerca de 600 soldados terem sido desmobilizados das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), após protestos contra alegados actos de discriminação étnica por parte dos superiores hierárquicos. A crise agravou-se com a deserção de efectivos das F-FDTL e da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) e após confrontos entre elementos das duas forças e grupos de civis armados, que provocaram vários mortos, as autoridades timorenses solicitaram a ajuda militar e policial à Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal para repor a ordem. A Austrália foi o primeiro país a responder ao pedido, tendo já enviado 1.800 soldados para Timor-Leste. Portugal enviará quinta-feira para Díli uma força de 120 militares da GNR. EL. Lusa/fim