4.6.06

Timor-Leste: textos importantes

Tropas de paz devem ficar mais 6 meses no Timor

Muitas casas e veículos foram incendiados na capital do Timor, Díli
Os cerca de 1,3 mil soldados australianos enviados na semana passada para controlar a situação no Timor Leste devem permanecer no país por até seis meses, e um grupo menor até as eleições do ano que vem, de acordo com funcionários do governo da Austrália.
Apesar da presença de tropas de paz estrangeiras, a violência no país continua.
O ministro do Exterior da Austrália, Alexander Downer, afirmou que a situação não pode ser resolvida por meio de conciliação política – uma opinião que é compartilhada por todo o grupo de 15 nações que financiam o país e que divulgaram um comunicado conjunto nesta quarta-feira.
O presidente timorense, Xanana Gusmão, assumiu os poderes em caráter emergencial na terça-feira em mais uma tentativa de acalmar os ânimos.
Ele também assumiu pessoalmente o controle das Forças Armadas para tentar restaurar a estabilidade.
Líder da resistência
Durante os 24 anos de ocupação da Indonésia no Timor Leste, Xanana foi um dos principais líderes da resistência armada timorense.
Nas últimas semanas, confrontos entre ex-soldados, gangues de jovens e as forças de segurança timorenses provocaram uma onda de violência e forçaram o envio de tropas de paz estrangeiras ao país na última quinta-feira.
Depois de fracassar nas tentativas de restaurar a estabilidade, o primeiro-ministro do Timor Leste, Mari Alkatiri, recebeu vários apelos para se demitir, mas se recusa a entregar o cargo.
Ele alega que essas decisões devem ser tomadas pelo povo durante as eleições.
No início dessa semana, a capital do Timor Leste começou a registrar saques, cinco dias após a chegada das tropas de paz da Austrália para patrulhar a cidade.
Saques
Muitos prédios e veículos foram queimados e lojas vêm sendo saqueadas pela população que aos poucos está ficando sem mantimentos.
Dezenas de milhares de pessoas já abandonaram suas casas e agências assistenciais estão alertando para uma crise.
Junto com os saques, gangues de jovens armados com facões estão apavorando os moradores.
O estopim para a onda de violência que começou na semana passada teria sido a demissão de 600 soldados de um contingente de 1,4 mil no mês de março.